DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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João Carvalho: «Como se já não nos bastasse a corrupção que grassa, ainda temos andado a aturar despesismo, incúria, incompetência, amiguismo e abusos generalizados. Não, não é a “nossa” credibilidade que está em causa, porque há muito que pagamos isso tudo até ao tutano. O que está em causa é a liderança política incapaz e irresponsável que o ministro das Finanças não combateu. Essa liderança é que vai ter de mudar depressa. E não é líquido que ela não venha desta vez a ser responsabilizada. Para variar.»

 

Miguel Félix António: «Uma fotógrafa de uma conhecida revista do “social”, depois de ter tirado o retrato a um pequeno grupo de convidados – onde pontificavam um muito prestigiado jornalista e um ex-líder partidário muito conhecido na década de 90 (eu sei que do milénio passado, mas caramba…) – perguntou aos próprios os seus nomes, evidenciando uma ignorância indesculpável. Talvez por ter caído nela, por ter tido vergonha, quando o ex-líder partidário lhe perguntou se não reconhecia o dito jornalista, acabou por dizer que conhecia a cara do político que a havia interpelado, mas não o nome. Provavelmente, disse eu, pensou tratar-se de um actor de novela ou de um desses personagens que são conhecidos por aparecerem nas revistas…»

 

Teresa Ribeiro: «Quando vejo na televisão gente que já teve responsabilidades governativas a revoltar-se contra “o estado a que isto chegou”, gente do PS, do PSD, do CDS, tanto me faz, este nunca começa a ressoar-me na cabeça. Nunca, nunca nunca. Levanto-me do sofá a ver se empurro com uma água das pedras esta palavra enorme e a irritação que me provoca tanta gente inocente e ofendida. Portugueses a criticar portugueses segundo o velho método da auto-exclusão: apontam a falta de coragem e seriedade dos outros como se nunca, nunca, nunca tivessem tido responsabilidades ao mais alto nível. Vejo-os e penso: nisto é que somos bons.»

 

Eu: «Fixem estas datas: 10 de Maio de 2010, 29 de Setembro de 2010, 15 de Outubro de 2010. Em todas elas, o primeiro-ministro e o seu principal acólito revogaram o programa eleitoral do PS, as mais emblemáticas promessas e “garantias” anteriormente expressas e todo o cenário macro-económico em que baseavam a governação, traindo as expectativas dos portugueses em geral e dos eleitores socialistas em particular. Em nenhuma destas datas ouvimos um pedido de desculpas do primeiro-ministro e do seu principal acólito. É todo um estilo de governar que está aqui. Nas expectativas defraudadas e na arrogância de quem é incapaz de reconhecer um erro.»

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