
Ana Margarida Craveiro: «No top dos meus objectivos de vida está sofrer um dia por só ter uma reforma de 40 mil/mês.»
Ana Vidal: «Sei que este não é o único caso de crianças portuguesas desaparecidas, muito longe disso. Mas a imagem desta mãe que definhou aos nossos olhos, devastada pelo desgosto e pela espera interminável, atira-me à cara a sorte que tive em ter acompanhado o crescimento dos meus filhos e tê-los tido sempre por perto. A mãe do Rui Pedro apenas pode imaginar, auxiliada por um retrato robot feito por um computador, como será (ou seria?) o seu filho agora. E esse simples pensamento já é insuportável.»
José António Abreu: «No Jornal da Noite da SIC Notícias, a propósito da passagem de 60 anos sobre a morte de Stalin: O papel de Stalin na História continua a ser controverso. A imagem é utilizada nas celebrações que marcam o fim da Segunda Guerra Mundial mas os opositores defendem que Stalin foi responsável pela prisão, tortura e morte de milhares de pessoas. E Hitler, claro, só é um monstro segundo meia dúzia de judeus vingativos.»
José Maria Gui Pimentel: «Com ricos destes, o que podemos exigir da nossa (já decadente) classe média? É este tipo de episódios, assim como outros reveladores desta e de outras idiossincrasias nacionais, que me faz questionar, o que terá nascido primeiro: o ovo (o autismo dos ricos) ou a galinha (a presunção de desonestidade que os pobres lhes atribuem)?»
Luís Menezes Leitão: «A estratégia do Governo tem sido explorar as divisões que existem entre os portugueses. Inicialmente virou os do sector privado contra os funcionários públicos. Depois virou os trabalhadores do activo contra os reformados. Agora este movimento conseguiu virar os reformados pobres contra os ricos, prestando com isso um enorme serviço ao Governo na sua estratégia de dividir para reinar. A luta contra a contribuição especial de soiidariedade vai esmorecer por causa deste disparate, assim se aceitando o confisco por via fiscal das pensões de pessoas que descontaram uma vida toda para ter reformas. E a opinião pública vai aceitar pacificamente este esbulho, julgando estar a castigar os banqueiros. Pior era impossível.»
Patrícia Reis: «Depois um Verão terrível, o senhor Comandante despediu-se, prometendo não morrer no dia do aniversário de um dos bisnetos ou da mulher. Morreu no meio. Os sentimentos são sempre contraditórios e é difícil ver a morte com bons olhos. Vivemos, imediatamente depois da sua morte, momentos extraordinários: os primos juntaram-se para um almoço e discutiram tudo, a importância de manter a família unida, as receitas para a consoada e ainda a existência de som no espaço (parece que não há, dizem os meus primos!).»
Teresa Ribeiro: «A crucificação ainda se pratica. Vai ser amanhã, na Arábia Saudita. O infeliz contemplado é um jovem que há uns anos liderou um gang de adolescentes que assaltou umas joalharias. Teve primeiro que crescer até à idade adulta na prisão, que os sauditas são muito escrupulosos e não crucificam menores. Aos seus companheiros de infortúnio foi aplicada uma pena mais branda: serão decapitados com uma espada.»
Eu: «O chavismo ambiciona continuar sem Hugo Chávez. Mas não será a mesma coisa. O carisma não se transmite por decreto. Cai o pano sobre o teatro de sombras: Chávez, com as suas mil contradições, não governará até 2031 como um semideus idolatrado pelas massas, odiado visceralmente por numerosos inimigos políticos e tendo ao seu dispor um impressionante aparelho de propaganda, bem remunerado com as receitas do petróleo. Era apenas humano, demasiado humano na evidência dos seus defeitos e virtudes. Como qualquer de nós, afinal.»
