Pensamento da Semana


Maria Dulce Fernandes,

Pode até soar a heresia, mas não gosto muito de Madonna. Não tenho um álbum sequer desta artista, não faz parte da minha nostalgia. Um destes dias, vi uma entrevista da cantora sobre o Celebration Tour. A princípio creio que fiquei quase um minuto a aguardar que a entrevista começasse até perceber que aquela pessoa que estava a falar pseudo-sensualmente era a Madonna. Fiquei atónita! Somos piquenas nascidas com dez dias de diferença, caramba! Com toda a certeza que a Madonna jamais invejaria os meus dez quilos a mais, mas eu seguramente não lhe invejo as más decisões. Serei eu a única que se pergunta “Who’s that Girl?” ou, se no caso da “Material Girl”, foi o plástico o material que prevaleceu? Acontece que não sendo o plástico biodegradável e a Madonna não ser forever, será mais destrutivo “Into the Groove” ou into the grave?

Viajar no tempo nas asas de um bisturi estará sempre fora de questão. Ou então não. Quem sabe se o que o futuro nos guarda seja ser “Frozen on Fire”.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

121 comentários em “Pensamento da Semana”

  1. :)))) As pessoas, e não apenas Madonna, fazem de tudo para parecerem jovens; correm o risco de não parecerem elas. É um ponto de vista, quem sabe se não estão contentes com essas outras, talvez pensem que é uma vida nova. Não atendem a que só mudam de capa. Digo eu isto sem ter visto a entrevista e sabendo um quase nada da senhora a quem nunca liguei nenhuma.
    Bom Dia

    1. Se as pessoas pensassem, não cometiam crimes contra elas próprias e contra a sua natureza. E não me refiro “às mulheres” como normalmente lêem nas entrelinhas que nunca foram escritas. Boa Semana, Beatriz.

      1. crimes contra elas próprias e contra a sua natureza

        Pintar o cabelo e pôr pós na cara conta como tal, ou não?

        1. pintar o cabelo e por pós na cara e essas coisas da maquilhagem -que até nem uso- são” efeitos especiais ” temporários… já silicone nos lábios , botox aqui e acolá , cortes cirúrgicos , enchimentos , tatuagens e bla bla , da cirurgia estética , são efeitos desfigurantes permanentes,

          1. Marina, eu não conheço Madonna e não faço ideia se ela já usou cirurgia estética ou não, muita ou pouca.
            Agora, mulheres com o cabelo pintado, essas vêem-se aos pontapés, e algumas delas até me faz impressão, porque têm um cabelo perfeito e gastam dinheiro e tempo a fazer merdas nele. Não se deve mexer naquilo que está bem.

          2. Balio, a Madonna é apenas mais uma ” made of plastic, feels fantastic”! O cabelo, o rouge o bâton, o verniz, são acessórios maquilhagem que já se usavam na Antiguidade, e poderão dar aquele factor uau! Mas depois da cara lavada , o que lá estava é o que lá fica. Não é repuxado, cortado, esticado, rasgado preenchido, cortado e cosido…
            A questão para se pensar é se vale a pena viajar no tempo nas asas de um bisturi. Está no último parágrafo. Mais uma vez afirmo que você apenas lê na transversal e depois larga o lastro.

          3. Dantes achava detestável as mulheres grisalhas porque ficavam com ar de “fufas”.
            Depois descobri que pintar o cabelo quando se tem brancos é a pior asneira que se pode fazer.
            Ver-se as raízes brancas ainda é pior.
            Mas tenho a sorte da genética. Só umas madeixas pequenas laterais…
            A minha mãe faleceu com 101 e só aos 100 é que ficou toda branquinha. Até aí eram madeixas naturais e nunca pintou o cabelo nem ia ao cabeleireiro. Ms tinha estilo…

          4. Grande Zazie! Eu com 40 anos tinha o cabelo todo sal e pimenta , mais para o branco. Comecei a pintar e tornei-me escrava da tinta, até decidir que acabou. Atravessei aquele período da Maria Enxovalhada, mas foi a melhor coisa que fiz.

          5. Pois é. Eu não tinha um cabelo branco até muito tarde.
            A minha mãe nunca pintou o cabelo e chateavam-na por isso.
            Eu comecei a pintar de castanho escuro- a cor natural dele e depois, num Natal em Londres via a porcaria das raízes brancas e tomei a decisão.
            Nem sabe o que as pessoas amigas e uma até toda ecológica para tudo, menos para a tinta no cabelo me chatearam.
            Mas nunca mais pintei e nem tenciono pintar.
            Giro é que depois disse que ia ficar estilo Madame Mim ou Lagarde e não fiquei. Continua tudo castanho, tirando as madeixas pequenas laterais ahahaha
            E muito mais forte. Não tem comparação. As tintas estragam o cabelo todo.

          6. Os argumento dos amigos foram que, por ser muito branquinha ficava com um aspecto fantasmagórico ou que me fazia 10 anos mais velha. Gosto de me arranjar, mas a idade nunca me preocupou muito. Por vezes o espelho arrepia-me , mas é com toda a certeza deformação no espelhamento.

          7. Uma amiga minha dizia isso. Que por ser muito branquinha ia ficar transparente.
            Acho que se fica com o cabelo mais forte e a alternativa é pior.
            Mas já nem acho essa cena de “parecer fufa”. Pintar de ruivo é pior ehehehe

          8. Ora muito bem.

            Acho que é a primeira vez que leio uma coisa do Balio com que concordo.
            Quando se disfarça nota-se ainda mais o “postiço”.
            Já manter a linha, pel bem tratada e trapos bonitos, sim. 😉

            Quanto ao resto, não gosto da Madona mas lembro-me de ver o primeiro filme dela, em novita e achei piada.

    2. As pessoas, e não apenas Madonna, fazem de tudo para parecerem jovens; correm o risco de não parecerem elas.

      As mulheres que pintam o cabelo cabem neste rol (das pessoas que pretendem parecer jovens, e das pessoas que não parecem elas), ou não?

        1. Nunca fiz madeixas mas ontem à noite, no metro vi uma coisa muito gira. Um rapaz meio preto estava até montado na bicicleta e devia ser turista porque tinha mochila. O detalhe giro, para além do tom de pele que era meio indefinido e até me pareceu ter olhos azulados, era o cabelo. Tinha uma carapinha larga com pequenas madeixas cinza-claro a brilhar.
          Muito giro, pode crer. Nunca vi uma rapariga com madeixas assim. Acho que ele tinha de pintar, porque eram só nas pontas.
          Ficava ainda mais giro porque depois ia com jeans completamente sujas e blusão meio camuflado e com ar todo desleixado. Mas era estilo e possivelmente, efeito de viajar de bicla.

          1. Os últimos anos da minha tintura foi com madeixas com base cada vez mais clara, porque a raíz era toda branca. Acabei por fica loira. Não gostei. Depois de uma espécie de máquina 3 para esconder um desastre ao melhor estilo Gremlin, comecei a fazer madeixas cinzentas. Ficavam-me bem, mas ao fim de uma dúzia de lavagens, acabavam amareladas porque o pigmento base em todas as tintas, ao que parece, é o castanho.

      1. Nenhuma mulher que pinta o cabelo corre o risco de não parecer ela. O que queria dizer – e o balio entendeu – é que a velhice não é parável, acontece em tudo que é ser vivo (e até inanimado, mas por razões diferentes), é um processo fisiológico que abrange a totalidade do ser e não apenas a capa exterior. Tem de aceitar-se e o seu sobrevir gradual ajuda à adaptação. Os excessos de preocupação com a aparência, a necessidade extrema de eliminar os sinais exteriores dos anos que vivemos, por vezes dão mau resultado. Era isto.
        A este propósito recordo uma entrevista de Rosa Lobato Faria, dizendo que não fez plásticas – e era linda como sabe – por temer que o abolir das rugas retirasse a ternura do olhar, que lhe tinha chegado com a idade.
        E isto, note, não é uma crítica a quem se sacrifica – a carteira e a dor são a moeda de troca da ilusão de juventude e beleza – por uma aparência vibrante e juvenil ou apenas adulta sem idade. Cada um, podendo, faz de si e consigo o que deseja. Muda a capa, mas a verdade é que o livro é sempre o mesmo, envelheceu. Mas a velhice, com todos os seus inconvenientes – é processo de degradação progressiva -,tem uma dimensão grata sempre presente, a vida foi prolongada e isso é dádiva não comum de todos.
        Tenha um dia em bom.

        1. Subscrevo. O problema do balio, é que quem é velho, deixa de contar. Por isso não entende ( eu também não entendo, mas por diferentes razões) que se tente fixar a idade numa idade em que se estava no auge.

          1. Também não o aconselho a fazê-lo agora. Deve estar muito rija. Mas que tem uns bons apontamentos musicais, gostando ou não gostando, tem que se ser honesto confirmar a veracidade da coisa.

          2. A Madona é horrível. Tem a mania que é sexy, coisa detestável. Ou se é e se faz de conta que nem é, ou é melhor estar quieta.
            Sexy fora de época é absoluta anormalidade. Mas nunca gostei das músicas, sequer. Só do filme que tinha piada.

          3. Pois é. È a tal “velha -gaiteira”
            Mas, se reparar, acontece às que toda a vida tiveram a mania que eram sexys- A Cher, por exemplo.
            Ora ser sexy é um dom da natureza que fica bem quando se faz de conta que nem se sabe. “Sprezzatura, à Castiglione.
            A Gabriela Cravo e Canela era isso- o ser sexy sem fazer nada por isso e até sem ostentar.

          1. eehhe

            Já nem me lembro. Vi uma vez quando era Floribundus.
            Mas acredite que era giro, sim e eu sou bem esquisita nessas coisas de estética.

  2. também nunca lhe achei piada. e , é verdade , envelhece pateticamente.
    já na rita lee , que está muito doente , se podem ver os efeitos do botox. parecem macacas.

    1. Ninguém, homem ou mulher, ou seja qual for o seu género, gosta de se ver ao espelho e ver que está mais baço e flácido, tem mais rugas , menos cabelo e mais branco etc. Daí a alterar completamente a fisionomia, é um passo a ser levado muito a sério. E nos casos referidos , não é possível ficar feliz com os resultados por mais do que dois ou três anos.

      1. pois é , há o Sean Connery e o David Bowie e há o Mickey Rourke ou Michael Jackson…
        e há a Madonna ou a Donatella Versace e há a Audrey Hepburn ou a Fanny Ardant

        1. No caso ” deles” a idade trouxe-lhes um charme que nenhuma lâmina poderia traduzir. Elas, as que souberam aceitar a idade, são belezas serenas . E depois há os outros, os que conseguiram fazer o dois em um : o Belo(a) e o Monstro(a).
          Não acredito, nem creio que os próprios(as) esperassem um desfecho tão mau na senda da fonte da juventude que brota de um escalpelo.

          1. Os homens são assim. Podem ficar melhor com o tempo. Têm uma pele bem mais rija que aguenta. E o resto dá charme. Até certo ponto mas acho que dá.
            As mulheres é claro que são juventude isso não volta. As orientais aguentam mais por estilo natural de face. E as negras também ficam bem em velhas.

          2. Ah…
            Nunca tinha pensado nisso.
            Devo ter montes de melanina que no Verão fico mais preta que uma preta, mesmo com protector.

          3. eeheh

            Eu uso isso por causa do cancro e assim. Uso diariamente protector solar na cara. Da La Roche Posey que não mancha a roupa.

          4. Pois é. Para quem tem pele seca. Misturado com Bepanthene de Halibut, sim.
            Para cicatriz de operação usei um 5 estrelas, tipo silicone que fazia capa e por baixo regenerou tudo. Acho que nem se nota

          5. Bem, e agora vou trabalhar
            Obrigada por esta converseta.
            A homenzarrada fugiu. As mulheres entendem-se sempre em falando de trapos

          6. Sou eu quem agradece , zazie. Foi muito divertida e esclarecedora. Os homens não se assumem como metrossexuais o que é uma pena. Antigamente dizia-se que ” um tipo metrossexual está apenas a um metro de ser homossexual “, mas agora que não existem constrangimentos nem limitações poderiam ser mais participativos, porque usam esfoliantes, cremes, perfumes e são muito críticos na escolha das roupas…

          7. ahaha

            Obrigada, eu

            Os dandy ainda são mais ou menos assim. Os ingleses snobs tendem para isso. E são snobs mesmo quando são lumpen. Um tipo assim que eu gostava de ver e ouvir era o vocalista dos Pulp

          8. e as brancas , também , Zazie . tenho sorte , questões de família , tanto de genética como de ensinamentos…aos 15 anos recebi de prenda “el arte se ser más bella” , ainda o tenho , que ensinava desde ginástica facial até máscaras de produtos naturais passando por lavar a cara só com água.
            ponho o menos possível na pele , aos 30 fui a um dermatologista vidrado em dermo cosmética , dr. Luís Leite , para não cair nas garras dos fabricantes de banha da cobra ,e sigo desde esse dia o que me deu :retin A e hidrolact creme facial , mistura de farmácia , agora uso ketrell porque o retin A foi descontinuado . só se pode usar de noite. de dia às vezes ponho azeite. gasto uns 30 euritos por anos , 30 euros que dão um resultadão.

          9. Em 2021 fomos a Marrakech e fizemos a tradicional visita a umas das cooperativas onde se produz óleo de Argan. Trouxe um frasco xl para mim e 2 L para cada uma das minhas filhas. O meu foi-se num ápice. Agora também tenho posto à noite um pouco de azeite que compro 5l/ano directamente ao produtor, mas como é bom e os clientes são muitos , não sobra para comprar mais . Andei a dar indirectas às piquenas a ver se me retribuiam o presente, mas não tive sorte. Os óleos de venda online são uma treta e , por muito incrível que pareça, a cooperativa não envia para Portugal.
            Mas já fiquei a conhecer outras opções anti-escama.

          10. óleo de rosa mosqueta , Dulce , compre na farmácia , custa uns 18 euros . é óptimo. também foi ele que receitou para quando a pele estiver mais irritada.

          11. eeheh
            Faço o mesmo. As brasileiras são muito vaidosas e contam tudo isso até com vídeos no youtube.
            Eu agora uso aquelas ampolas de vitaminas que são óptimas para ir no avião e também deixar de gastar balúrdios em cosmética suíça.
            A única coisa que evito são as manchas porque são mesmo horríveis.
            De resto é hallibute e bepanthéme ou o hialurónico e já está. Até do LIDL é óptimo e super-barato

        2. Exacto

          E entre eles, o Peter O’ Toole e o Richard Burton
          Mas para os homens é mais fácil- entre elas as duas Hepburn, claro.
          E, olha, até acho que a Camilla PB é do género e tem bom cabeço de nascença.

          1. Não penso que a CPB tenho um ar ” aristocrático”, mas a idade fica-lhe bem por ser natural.
            Convenhamos Zazie que há homens que ficaram bem mais interessantes depois dos 40… quase todos?

      2. Só não concordo com o aumento de peso.
        Acho que a dada altura, pode não restar muito mais, mas há sempre a elegância, uns dentes impecáveis e os trapos.
        Fazer dieta é uma forma de disciplina e só faz bem à saúde. Longas caminhadas rápidas servem par tonificar corpo, espírito e apresentação
        ehehe
        Com isso dispensa-se toda a porcaria de remédios para colesterol e tretas de diabetes.

        1. Creio que comigo é hereditário ser hipertensa, ter colesterol alto e a modos que ” gorda”. É mais a ossatura das ancas do que a gordura, eheheheh
          Lá caminhar , caminho, sou a isso obrigada apesar de, em muitos dias, a vontade ser pouca ou nenhuma.

          1. Pois dizem isso mas eu tenho tendência para colesterol e ninguém (que eu saiba) tinha na família.
            Eu engordo a dormir ehehehe
            Tenho de ter enorme disciplina. Mas, como adoro trapos, corto mesmo em tudo o que sabe bem. Exercício é por gosto natural. Ando a pé kms desde sempre a a minha avó paterna fazia o mesmo e a minha mãe ainda mais, Uma vez queriam levá-la à tv por causa da aparência e do modo como andava na “mecha” na rua para todo o lado.
            Claro que nunca iria. E nem tinha médica de família. despachou tudo isso e só ai ao veterinário ahahaha Aproveitou com os gatos e passou a usar para ela. Dizia que não tinha pachorra para ouvir as velhas a queixarem-se da saúde no Centro. Ela devia ser a mais velha…

          2. Como sempre trabalhei a andar de um lado para o outro num grande espaço, nunca pensei que necessitasse fazer caminhadas, mas como o médico diz que o que eu faço no trabalho não é andar… caminho, todos os dias, muitas vezes na passadeira, apenas para habituar as pernas à um ritmo.

          3. Ah. Ok.
            Eu preciso de ar livre. E ginásio experimentei há uns anos e nunca mais. Estragam tudo, Na fisioterapia rebentaram-me com tendões.
            Eu não tenho carro. Portanto, ou vou de bicicleta em tendo ciclo-via ou de transporte público ou a pé.
            Claro que o que tem piada é que, na cidade, a pé se chega a qualquer lado muito mais rápido.

          4. Claro! O espírito de descoberta e conquista. Pôr pela primeira vez o pé num local desconhecido, sabe bem.
            E vou sempre sem ver no Google como é para ser maior a descoberta.
            Depois perco-me. Faz parte…

    2. Pois, os estragos do tempo ainda ficam piores.
      E as tatuagens? Por favor, é das coisas que mais me faz confusão em raparigas muito bonitas.

      Estragam tudo.

      1. Tatuar o corpo confunde-me. É doloroso, a cor esbate com o tempo e a pele altera com a exposição aos elementos. Até com uma gripe! É preciso ser adorador da arte corporal para se submeter a um procedimento que, salvo em casos excepcionais como disfarçar cicatrizes desfigurantes por exemplo, embeleza muito pouco.

  3. Faz um bocado pena…
    Apostar todas as fichas na aparência é uma estratégia muito duvidosa a longo prazo.

    1. Ainda agora vi mais fotografias de uma rapariga que conheço, linda, que faz tatuagens aos outros e cada vez mais a ela própria.
      Não sei como não tem uma mãe que lhe diga e impeça. Para tirar já nem vai ter hipótese. E também com piercings e assim…
      Tornou-se coisa ideológica aparvalhada.

    2. “Apostar todas as fichas na aparência é uma estratégia muito duvidosa a longo prazo”.

      Pois, será. Mas em relação à aparência também não vejo em que “fichas” ao lado se possa apostar…
      Quer dizer… a cena da “beleza interior” não se vê aahaa
      E a aparência é mesmo algo muito importante, acho. Até penso que muitos jovens podem não se drogar se tiverem uma grande auto-estima e cuidado com a aparência.
      Desleixar aparência é mil vezes pior.

      Depois a idade traz destas coisas. De repente pode-se gostar de cores que nunca se gostou na vida e assim. Tenho amigos que se “retiraram” da vida antes de tempo. Nem têm gosto por passeios e viagens e diversões. E amigas, pelo menos uma também.
      A mim deu-me para ainda querer aproveitar mais de tudo. Coisas que gostava em miúda e até pareciam mal mais tarde, agora estão na moda e nem se nota andar de bicicleta ou de trotineta .
      E quando fiz o exame da 4ª classe de calções e mochila às costas, aí sim, era algo impensável nos anos 60. Continuei a fazer tudo assim- detesto “andar à moda” e sempre disse que eu é que a faço.

        1. Sabe que aqui há pouco tempo li uma entrevista que me fez perceber tudo isso, em retrospectiva.
          Deve saber quem é, eu é que nunca estou a par de coisas públicas mas conheci, em miúda, pré-adolescente a Rosa Alice Branco. A poetisa, filha do cineasta Vasco Branco e irmã do João Branco, que faleceu demasiado cedo (era meu namoradinho de termas)
          Pois eu, já nessa altura, vestia de modo muito pessoal. Com jeans que tive muito antes de cá se venderem e camisas brancas, folgadas, com cinto largo de bombeiro ou assim…

          Pois uma vez a Rosa apareceu lá com a família (o irmão ia sozinho para o hotel dos avós) e foi logo embirrar com o modo como eu me vestia.
          E que assim não ficava bem e que devia usar assado e por aí fora. Nunca me esqueci porque era linda é, à sua maneira de menina mais velha que eu, muito feminina, vestia bem e também qualquer trapinho lhe ficaria a matar.

          Pois ela agora, numa entrevista ao Observador, falou disso. Do gosto dos trapos e como até fazia os vestidos para ela.
          Entendo bem, porque, com estilo muito oposto (zazie dans le metro) sempre fiz o mesmo.
          a Agustina dizia que preferia comprar um vestido lindo a um prémio, ou que o prémio literário ia ser usado para muitos vestidos
          ehehe

          1. Gosto muito de roupa, mas sempre tive a mania das calças, os vestidos atrapalham-me. As calças são mais versáteis para quem tem ancas largas. Curiosamente, até este ano, sempre trabalhei de saias…

          2. Vou-lhe dizer o que sempre mais gostei: calções!
            Adoro calções. Claro que agora não faz sentido mas usam-se os playswits e da COS são um espanto
            eeehe
            Andava mais de calças, depois passei para os vestidos e agora alterno com corsários e calças da COS (das mais giras) para andar de bicicleta.

          3. Por falar em homens e trapos. Há artistas, mesmo cá, que gostam disso e são muito homens. Conheço um que se mascara sempre para uma exposição. E tem amiga que lhe faz fatos com tecidos lindos que vai trazendo de viagens.
            O meu pai era do género de adorar trapos porque era artista.

    3. Não sei se é de ter pena porque por este andar, acaba por se tornar disforme, se tenho vergonha alheia, porque esta mulher é um exemplo para milhões e não é um bom exemplo. Nem para os filhos.

  4. Não precisamos de gostar ou não gostar de pessoas que não nos conhecem — a cultura de massas, que só tem efeitos perversos, é que parece exigir o contrário. Mas não é necessário.

    1. Mas podemos ter uma opinião, V., não nos conhecem mas fazem parte de uma cultura onde criamos os nossos filhos e os nossos netos. São seguidos por milhões. São exemplos. Bons ou maus, os efeitos perversos só acontecem se falharmos em expor os maus exemplos aos mais novos. É sempre necessário desmistificar os embustes disfarçados de milagres. Ou pelo menos explicar o nosso ponto de vista. Faz parte da educação.

      1. Esse é um dos efeitos perversos a que eu me estava a referir 🙂 O obrigar-nos a ter uma opinião por qualquer motivo. Foi o que o pensamento da semana me sugeriu

        1. Ah , mas eu opino por ser activista anti-plastificação e em favor da sustentabilidade, não é uma “uma opinião por qualquer motivo”.
          Já agora, porque não nos fala um pouco dos seus produtos de beleza masculina? Seguramente não têm químicos ou placenta de ovelha, certo? E seria capaz de se submeter ao escalpelo para rejuvenescer um par de anos? Injectar botox e outros venenos para cinco anos depois parecer o Senhor Cabeça de Bata já sem casca para tirar?

          1. Segundo parece tem bons resultados medicinais e é até aplicado em terapêuticas inovadoras, V., mas é usado e abusado para o tratamento cosmético das rugas de expressão se, e aqui vem o grande se, for bem aplicado e bem aceite pelo organismo. Mas pode causar assimetria facial, por exemplo, o que depois do horror que é injectar um veneno, vem fazer com que no tratamento seja pior a emenda do que o soneto.

  5. Gostei imenso. O Delito de Opinião continua a ser dos poucos locais de informação com seriedade, profissionalismo e grandes escritores.

    1. ahahaha

      Este comentário se não foi ironia fina, não podia ser melhor.
      Logo no único postal onde foi tudo avacalhado é que comparou com o melhor jornalismo

      1. Por acaso, não há muitos escritores capazes de inventar uma como esta:

        «E nem tinha médica de família. despachou tudo isso e só ai ao veterinário ahahaha Aproveitou com os gatos e passou a usar para ela.»

          1. É verdade. Já tinha contado isto há muitos anos.
            A minha mãe mandou passear médica de família e só ia ao veterinário.
            E pior, era de chorar a rir quando me dizia que eu também devia fazer o mesmo

            ahahahha

          2. E ela dizia que os veterinários eram muito melhor médicos porque os bichos nem falam e eles precisam de acertar no diagnóstico.
            E depois mandava bocas porque até tinham menos viagens em congressos e assim,
            Mas, para ela, a principal questão foi mesmo não suportar os queixumes de doenças na sala de espera.

        1. Marsupilami.
          Não é inventado. É pura verdade.
          A minha mãe deixou a médica de família e só ia ao veterinário.
          Chorávamos a rir com isso .E não era ela a única passada.Ele também devia ser.
          Ela começou por levar os animais domésticos e uma vez lá perguntou detalhes de erupção na pele, para ela. E ele passou receita.
          A partir daí a coisa foi mesmo mais completa.
          A pedido do veterinário a minha mãe arranjou um nick name para as receitas. Era a Puca.
          Uma vez, levou a receita à farmácia e estavam lá doses que assustaram a farmacêutica.
          E a senhora perguntou à minha mãe se a cadelinha era pequena ou como era, por causa da dose.
          E vai a minha mãe que adorava contar esta história e rir-se muito, respondeu: Não há problema, a Puca é um animal muito possante”

          AHAHAHAHA
          A minha mãe era mais passada que eu. Gozava com tudo ,a começar por ela própria. E fez este teatro até ao fim.
          Só quando partiu a anca e teve de ir ao hospital é que aceiou .A médica mandou fazer análises e dizia que ela, com aquela idade, tinha de ter alguma doença. E lá fez as análises e veio tuo impecável como rapariguinha nova. Dizia a minha mãe que a médica ficou fula
          aahahha
          Nunca tomou um único remédio para nada .Ela perguntava até se não estava doente de que é que morreria… morreu de velhice aos 101 anos e a recitar poesia em alemão e a cantar marchinhas populares.
          E sim, marsupilami, a ir apenas ao veterinário.

          1. Pode crer que nós todos também gostamos de recordar estas coisas da minha mãe. Era o melhor que ela tinha. Um sentido de humor completamente desconcertante.

          2. Eu sei, zazie. Era o que estava a dizer: onde há por aí escritor à altura para inventar a continuação, que ainda é melhor que a abertura? Essa de começar pelos animais domésticos para sacar a receita é digna de um Cervantes. Nem vejo qual é o mal pois, desde que engoli um rádio-miniatura e fiquei com ele no nariz, também só voltei ao veterinário para arranjar receitas para os amigos (humanos). «Ela começou por levar os animais domésticos e uma vez lá perguntou detalhes de erupção na pele, para ela. E ele passou receita. »

  6. Não sei se ouviram falar de uns fulanos filandeses que para poupar no aquecimento inventaram uma “loção” para fazer crescer os pelos do corpo. Ficaram que nem uns macacos em dois meses. Para mais, não escapou à atenção dos observadores mais perspicazes que tal método é ecológico, se generalizado permitiria poupar nas emissōes de CO2, quiçá cumprir a meta dos 1.5 graus C. A chatice é que um desgraçado de um picuinhas, um desmancha-prazeres personificado, se lembrou de lhes perguntar como raio iriam eles sobreviver às canículas (aquecimento global, n’oublions pas). Os tipos não desarmaram, sacaram logo que recorrem a uma técnica yoga que consiste em deitar a língua de fora para expirar em alta frequência. Acreditem-me quando vos digo que a Madonna é uma principiante, meninas.

    1. Pelos e Yoga não conjugam bem. Será que conseguiram registar a patente? É que apesar de poder levar as clínicas de Implantes capilares à falência, se for de aplicação local havia de ter muita saída.
      Já viram um “implantado capilar” três ou quatro dias após o implante? Deve ser doloroso. Doloroso de ver, garanto que é.

  7. Mas que pouca vergonha vem a ser esta?
    Como se atrevem a invocar o Santo Nome de Madonna em vão?
    Já não bastou toda aquela polémica que arranjaram com os lugares de estacionamento quando (Santa) Madonna esteve em Portugal? Muita invejidade anda por aí…
    Jamais se esqueçam que Madonna é uma santa e uma forma de vida superior, protegida pela mística da Kaballah e que os seus detratores não passam de criatura maléficas, invejosas e beato-fascistas (ou anarco-bolchevistas, dependendo do espectro político em que se situem) que, mais cedo ou mais tarde, acabarão por pagar caro pelos seus crimes e pelas suas ignomínias.
    Cuidado! Muito cuidado, Sra. Dra. Maria Dulce Fernandes e seus apaniguados (zazie, balio e quejandos) porque a ira da Kaballah paira sobre vós!

  8. …heresia não apreciar a Madonna?! , mas a Madonna cantava? Quando actuava , parecia um circo ou o can can no Molin Rouge. Espero que não tenha perdido esses atrativos com tanto corte…

  9. Eu não gosto, mesmo, de Madonna – nem quando era “ao natural” nem agora. Quanto a esta pandemia de intervenções plásticas como panaceia alquimista julgo que as pessoas devem ser apupadas. Pois a desvalorização social dessas opções poderá mitigar futuras patetices por parte de quem está a chegar

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