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Peixe fresquíssimo no extremo sul, onde a terra acaba e o mar começa. Aqui é aconselhável evitar o pecado da carne.
Sim, é verdade. Os olhos também comem. Quando o panorama é soberbo, como sucede aqui, o apetite desperta com mais vigor. Estamos nas imediações de Lagos, no alto de uma falésia. Lá em baixo, a bela praia do Camilo. Cá em cima, o restaurante homónimo. Aberto desde 1980, há nove anos nas mãos do actual proprietário. Que se preocupa em acorrer ao mercado, ainda o sol é mal nascido, em busca do peixe mais fresco. Nada de produto de viveiro.
![thumbnail_20190322_130529-1[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21884587_Aviza.jpeg)
Corvina grelhada, horas depois de sair do mar
Chego cedo, reservei lugar de véspera: é fundamental telefonar a marcar mesa. Na chamada época alta, como se presume ser a actual, a lista de espera pode ser longa: só há cerca de 40 lugares sentados no Camilo distribuídos entre a sala interior, com amplas vidraças sobre o mar, e a esplanada, noutros anos atulhada de turistas – em grande parte ingleses, agora quase desaparecidos do litoral algarvio. Muitos sem fazerem a menor ideia da riqueza piscícola aqui disponível: mandam vir, por exemplo, costeletas de carneiro. Como se estivessem ancorados num pub britânico em vez de disfrutarem de bom ar e bom clima num dos recantos da Europa onde se come melhor peixe.
![thumbnail_20190322_140633-1[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21884589_b5SHs.jpeg)
Sopa de peixe Tarte de limão
À entrada, um amplo mostruário do pescado do dia. Quem quiser, basta escolher. Aconteceu comigo: apontei para uma enorme corvina recém-chegada. Pedi que me fornecessem uma posta, bem grelhada. E assim veio à mesa, na companhia de batatas cozidas e legumes salteados, tudo em recipientes autónomos.
Noutra incursão, optei pelo bife de espadarte – que chegou igualmente bem acompanhado, em dose generosa: ninguém sai com fome daqui. Sobretudo se iniciar a refeição com uma sopa de peixe, bem fornecida de material piscícola. Recomendo.
![thumbnail_20200806_124355[2].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2020/21884507_eOOPJ.jpeg)
Um senão: ainda não me habituei a comer peixe com talheres de carne, como aqui sucede. Será a nova moda – tal como dispensar toalhas na mesa. Lamento: não faz o meu género.
Mas o essencial é a qualidade da matéria-prima. E neste teste o Camilo passa com distinção. Apostei num branco algarvio, o Paxá, e fiz bem: funcionou como adequado actor secundário para fazer brilhar ainda mais a corvina. Na segunda visita, pedi um rosado algarvio, a copo: Barranco Longo, uma boa surpresa para quem não conhece.
O preço – contemplando ainda uma tarte de lima que superou a prova – foi uma agradável surpresa. Em qualquer outro país europeu com panorama similar, pagaríamos talvez o dobro. Valeu por uma sinfonia em homenagem ao oceano que o Infante D. Henrique tantas vezes dali avistou.
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Restaurante Camilo
Praia do Camilo, Lagos
Telefone 281 322 050
Não encerra

Muito bom, Pedro
Autêntico serviço público
Um dia destes o repasto será a Norte, Vorph.
1) O peixe será fresco, mas não é, na sua maior parte, do Algarve, nem sequer de Portugal.
2) O produto de viveiro não é, em boa parte, inferior ao do mar. Especificamente, o Algarve tem viveiros que produzem peixe melhor do que o do mar, em certas espécies.
3) Se é para comer peixe importado do estrangeiro, talvez seja preferível comer costeletas de borregos que vêem do Alentejo.
4) Para mim, comer num restaurante ou, em geral, desfrutar de qualquer espetáculo, é experiência que não se faz por marcação. Vai-se ao restaurante quando nos apetece, quando nos dá na telha ir – não se marca com um dia de antecedência.
5) Não sei quanto pagou o Pedro, mas não interessa comparar com “qualquer outro país europeu”, interessa comparar com outros restaurantes na região. E, nessa comparação, não sei se O Camilo sairia a ganhar.
Faz sentido, alguém que assina “balio” apreciar costeletas de borrego.
Eu não disse que apreciasse costeletas de borrego; sugeri, isso sim, que elas são mais genuinamente portuguesas do que a maior parte do peixe que se come em restaurantes portugueses, o qual peixe é em grande parte importado enquanto que os borregos são criados em Portugal.
Quanto ao balio, ele é, como se sabe, o chefe dos frades hospitalários do mosteiro de Leça do Balio. Pode ler sobre o assunto no romance novecentista “O Balio de Leça”.
A “assinatura” significa, portanto, que você professou. Acautele-se com os pecados da carne.
Não. A assinatura pode também significar que eu sou originário de Leça do Balio. Ou que tenho o apelido “Balio” – que é raro, mas não inexistente, em Portugal. Ou ambas as coisas. Ou nenhuma delas.
Sim, já se percebeu que você pode dar para os dois lados. Ou para lado nenhum.
Aquele ‘balio’ de Leça era cobrador de impostos.
Aquela corvina seria bicho vivo para uns três quilos, mas pelo aspecto parece-me ser mero (ou nero como já li num menu ao lado dumas costoletas).
Tenho duvidas, como é afirmado, que o peixe criado nas gaiolas dentro do mar ai no Algarve seja melhor que o do próprio mar. Basta pensarmos nuns criado a ração e outros a alimentarem-se do habitual que caçam.
No entanto, é preciso conhecer bem o saber do peixe pescado no mar e o do peixe criado nas gaiolas dentro do mar. E cuidado porque já são criadas espécies de grande envergadura dentro dessas gaiolas, o cuidado a ter é no preço. Sabemos perfeitamente que grande parte do bacalhau, salmão e alguma pescada são ‘produzidos’ em gaiolas no oceano.
O salmão, já é quase todo. E, como diz, grande parte do bacalhau também já é.
Ainda existem restaurantes de rodízio por aí?
Não sei o que é um “restaurante de rodízio” mas, se por isso se entender um restaurante em “buffet” (em que cada um se serve do que quer, na quantidade que entende), então penso que os há em muitos hotéis do Algarve. E alguns desses restaurantes estão abertos ao público em geral e não somente aos alojados no hotel.
Não frequento rodízios.
Preconceito…
O rodízio de peixe é (era) um restaurante em que o cliente se senta, e é servido de peixe grelhado (o que houver no dia) à discrição, normalmente acompanhado de salada montanheira e batata cozida. E pinga.
Quando o peixe é de confiança, não há que enganar.
Será preconceito, reconheço. Mas, de facto, não faz o meu género. Porque acabamos quase sempre por comer em excesso.
Admito uma excepção: o Vela 2, em Tavira. Apesar da péssima decoração do restaurante.
Já lá almoçámos uns robalinhos escalados do melhor que há😛
Acredito.
O comentário anónimo supra é meu. 😁
Logo vi que seria pessoa de bom gosto e bom palato…
Peixe vindo há pouco do mar.
Já nem se deixa arrefecer o corpo.
É muito bom.
Boa tarde, Pedro.
Óptima prosa e que belo aspecto, o da corvina.
Aqui há anos levei a minha filha mais nova a conhecer a Berlenga, cumprindo promessa adiada algumas vezes.
Ficámos no já velhinho Mar e Sol, alojamento simples e suficiente, demos as voltas todas necessárias e ao fim da tarde, enquanto se bebia algo na esplanada, vejo encostar um barquito, com canas de pesca aparelhadas e donde sai um sujeito com uma geleira de bom tamanho, que sobe para o restaurante do alojamento ; fui atrás e a primeira peça a sair foi uma dourada, dos seus 2,5kgs… ficou logo reservada para o jantar,grelhada, simples, apenas com uns legumes cozidos e sem mecessidade de qualquer outro tempero, salvo um punhado de sal. Juntamente com um pargo cozido, anos antes, no Baleal, um robalo em Santa Cruz e um bodião em Milfontes, este o ano passado, tudo devidamente grelhado, foram as quatro ocasiões em que me lembro de comer os melhores peixes das minha vida. O robalo, em Santa Cruz, com bem perto de 3,5kgs, foi apanhado por mim em caça submarina, há muitos anos, junto à velha pedra conhecida por Perceveira, depois de muito esperar a melhor ocasião para o “tiro”, tendo saído da água enregelado mas eufórico.
Abraço e continuação de boas férias, eu aguardo por Setembro
Fernando Antolin
Viva, Fernando.
Grato pelo seu testemunho, que certamente induz outros a fazer o mesmo. Começando por mim.
A Berlenga é um dos raros pedaços de território nacional que ainda não frequentei (em grande parte por sucessivos desencontros meteorologicos). Mas em Peniche comi uma das mais inesquecíveis caldeiradas da minha vida.
Acontece que quando o peixe é assim fresco e fica entregue a uma grelha competente o melhor mesmo é comê-lo dessa forma.
Melhor também no sentido de ser mais saudável.
Abraço amigo.