Deep shit 22


Teresa Ribeiro,

Infelizmente a shit é tanta, que para pôr alguma ordem nesta série, seleccionei os tópicos a apresentar por assuntos. Já tinha passado o da Justiça, quando hoje sai nos jornais uma notícia que me levou a interromper a sequência que tinha pré-definido. O cheiro que emana logo do primeiro parágrafo não me deixou dúvidas: A delegação da Medel, organização europeia de magistrados judiciais e do Ministério Público, que fez uma auditoria de uma semana ao sistema judicial português, classificou como “susceptíveis de gerar inquietação algumas interferências pontuais nas suas actividades judiciais, em casos com relevância política e mediática”. Lê-se adiante excertos do relatório da Medel, como este: “muito tempo se perde, com frequência, à espera de perícias para as quais o MP não dispõe dos meios necessários“, nem “tem um orçamento próprio“. “Os meios humanos e materiais de que dispõem são-lhe atribuídos pelo Ministério da Justiça. Ou seja, a actuação do MP depende da generosidade do executivo em colocar à sua disposição os meios exigíveis“,  Vejam tudo aqui.

5 comentários em “Deep shit 22”

  1. Na verdade, considerar que a Justiça está na dependência da “generosidade” do poder político coincide exactamente com o quadro que aqui tracei há dias, se bem te lembras, Teresa.

  2. Mas vemos o quê? Qual é a grande novidade? Que os magistrados se protegem entre si já sabíamos!Que é que a co-protecção-entre-juízes isto é o corporativismo!) tenha dimensão europeia faz sentido! Que o nosso super-juíz tem processos guardados em banha-maria na gaveta,também !
    Mas enfim se você considera ser válida a opinião do presidente de 1 sindicato que não devia existir!
    Mas não se amofine: não tarda muito teremos o Engº. Sócrates- a fonte de todo o mal!!- desaparece da paisagem e…sei lá, será talvez o Céu, o limite!
    Se quer saber alguma coisa sobre o estado da justiça fale com alguém que observa o sistema de fora-para-dentro: sociologos, jornalistas,professores de direito,advogados!Isso pergunte aos advogados!Porque aqui os magistrados fazem parte do grande problema que é a nossa justiça, e não da sua solução!
    Já agora permita-me que lhe recomende aleitura de 1 livro muito divertido: “as aventuras da justiça portuguesa” de Sofia Pinto Coelho .

    1. Não me amofino assim com tanta facilidade. Já pela forma como a rosa tresleu este post, posso concluir que é dada a avaliações precipitadas pontilhadas por alguma irritação. Se tivesse acompanhado esta série perceberia muito facilmente que não teve por objectivo bater no seu estimado Sócrates. Se algo quis recordar a quem me foi lendo é que as culpas do estado a que chegámos estão repartidas pelos dois partidos de poder. Acalme-se e tenha lá a pachorra de ler os posts que fui escrevendo sob este título. Peças soltas onde encontra muitas opiniões de pessoas independentes, como os tais sociólogos e jornalistas de que falou.

    2. Parece-me que o tiro da Rosa saiu pela culatra. Põe-se a perorar por alguém que observe a nossa Justiça de fora para dentro e não aceita o resultado de uma auditoria feita pela delegação de uma insuspeita organização europeia de magistrados judiciais e do Ministério Público, composta por elementos de diversos países e sistemas judiciários específicos.
      Poderia ser mais de-fora-para-dentro? Disparates.

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