Cerca de 40% dos trabalhadores portugueses sobrevive com 600 euros por mês – Expresso, Junho de 2009.
Em Portugal, os salários baixos são dos mais persistentes da zona euro.
Portugal tem uma das mais baixas taxas de mobilidade social.
Diferença entre ricos e pobres acentuou-se a partir de 2001.
Para os jovens é mais fácil acabar o curso do que sair de casa.
Taxa de natalidade dos portugueses baixa para níveis históricos.


Não sei qual destes indicadores mais me deprime, isto é mesmo um triste fado que parece não ter fim…
Ai vai ter fim, vai. Pode crer que vai, sim senhora. Um triste fim.
Ariel, eu vou acabar com esta série em breve, prometo. Também já estou a ficar muito deprimida com isto.
«Diferença entre ricos e pobres acentuou-se a partir de 2001», como muitas vezes se disse e apesar de Sócrates o ter sucessivamente desmentido à exaustão.
«Taxa de natalidade dos portugueses baixa para níveis históricos», o que é verdade e é ao mesmo tempo um “modismo” de expressão, porque os níveis não são históricos visto que não há paralelo na História.
As estatísticas oficiais (não as que são feitas de encomenda), sobretudo as europeias, que estão sempre a comparar a nossa evolução com a dos outros membros da UE são demolidoras para a propaganda política que se usa cá por casa, João. É a vida.
Ando há muito a escrever isto: há cinco anos vivíamos melhor.
Sem dúvida.
Há cinco anos ainda trabalhava em Portugal e ganhava 900 euros, no ano passado tentei regressar e ofereceram-me 750. Nem preciso dizer qual a minha opção…
Num país assim…quem precisa de conhecer os outros? Já temos de tudo. Falta conhecer alguma coisa ? Temos riqueza (para alguns) Pobreza (para a maioria) temos História, fomos colonizadores, estamos a ser colonizados, (em grande parte por ex-colonizados), que mais queremos ?
Suponho que muitos desses trabalhadores não sobrevive só com os 600 euros por mês. Porque, por exemplo, (1) ganha dinheiro nuns biscates, dinheiro esse que não é declarado ao fisco; (2) tem uma horta na qual cultiva umas couves e cria umas galinhas que sempre ajudam à mesa; (3) paga pela casa em que habita uma renda muito inferior ao valor da sua amortização. E assim por diante.
Tem uma horta, mas não tem Lavoura…
E se não tem Lavoura subsidiada, não pode ter horta, couves, galinhas, nem ter casa arrendada, João. Nem tempo para ser biscateiro, porque não têm mesmo nada.
Nada.
Se tem horta, e tem Lavoura, vai-se a ver ainda recebe uns dinheiritos da Política Agrícola Comum. Conclusão: afinal a situação não é assim tão grave…