
António Costa não dá ponto sem nó: foi para férias deixando a chefia do Governo nas mãos de uma mulher, por sinal a mais jovem de todos quantos tomam assento no Conselho de Ministros. É difícil acreditar em coincidências: a titular da pasta da Presidência, quarta na hierarquia do Executivo, assumiu a condução dos assuntos governativos por ausência simultânea dos colegas dos Negócios Estrangeiros e da Economia, ministros de Estado como ela.
Tudo isto obedece a uma lógica cartesiana. Novamente não por coincidência, a própria ministra presta declarações a um semanário considerando «inevitável que todos os partidos venham a ser liderados por mulheres». Só pode aludir ao seu próprio partido – a menos que estivesse a pensar no PCP, que em cem anos de história manteve o posto máximo reservado a homens. No PSD e no CDS a questão não se põe: já tiveram Manuela Ferreira Leite e Assunção Cristas na presidência. Nem no Bloco de Esquerda, onde Catarina Martins é a primeira figura desde 2012. Nem no PAN, agora com liderança feminina.
Que esta consagração institucional ocorra como aperitivo do congresso do PS, só dá mais consistência à opção de Costa. O primeiro-ministro vai já preparando cenários de retirada. Que acontecerão por etapas, à maneira germânica, seguindo o exemplo de Angela Merkel: primeiro no partido, depois no Governo. O líder socialista veria com muito mais agrado um PS confiado à discreta ministra que hoje assume a difícil tarefa de coordenação política do Executivo do que a Pedro Nuno Santos, o radical de esquerda que há uns anos quis pôr a tremer os banqueiros alemães e corteja descaradamente o Bloco.
No PS cada um pensa por si, mas a vontade do chefe tem muita força. Abre-se assim a via verde para que Mariana Guimarães Vieira da Silva – lisboeta de 43 anos, socióloga de formação, adepta do Sporting – possa suceder a Costa como secretária-geral do PS num prazo ainda incerto. Para já, foi ela a anunciar aos portugueses as mais recentes medidas de «libertação da sociedade» após ano e meio de confinamento. É outra novidade: até há pouco, só costumava transmitir notícias pouco animadoras em torno da pandemia.
No partido, integra o Secretariado Nacional, em parceria com Pedro Nuno. Mas no Executivo tem patente mais elevada. A verdade é que a sua promoção de secretária de Estado adjunta do primeiro-ministro a ministra, em Fevereiro de 2019, confirmou-a como imprescindível junto do chefe do Governo, como antes fora para Fernando Medina, com quem trabalhou na Câmara de Lisboa.
Sabe-se que não aprecia as luzes da ribalta, preferindo actuar nos bastidores, onde vai superando provas na coordenação interministerial. Evita fugas de informação, sobreposição de agendas e discursos desencontrados que perturbem a acção governativa. Recebe e ouve quem Costa não tem paciência para escutar.
Há pessoas assim: não querem palco, mas estão destinadas a tê-lo. Pressente-se que Mariana chegará lá, resta saber quando.
Texto publicado no semanário Novo

Bom dia Pedro Correia
Não tenho bola de cristal (senão já tinha deixado de ter zero no Euromilhões, nem um ou dois algarismos), mas o que escreve, para mim, faz todo o sentido.
Bom fim de semana. Saúde.
António Cabral
Bom fim de semana também para si, meu caro.
O meu vai ser passado a escrever.
Muita saúde.
Acredito que o Costa esteja a preparar o cenário de retirada e deixe o cargo, não numa pessoa discreta, mas numa pessoa obediente.
O objectivo do Costa não é um cargo europeu, o objectivo do Costa é a Presidência da República, e é muito mais fácil lidar com um primeiro-ministro submisso do que com um primeiro-ministro radical.
Concordo absolutamente com a política diversitária da treta – venham as quotas, vamos abolir a capacidade, o mérito, a experiência ! São formas de opressão!
Se fosse eleito a vereador dava instruções aos fiscais de obras que qualquer obra pública que não apresentasse 50% de mulheres na força de trabalho de construção, para ser imediatamente embargada! E em tudo o resto ! Há que dar o exemplo!
Prefiro a Mariana ao ministro do maserati, o anormal do Pedro Nuno Santos !
Não tem perfil!!
O Governo o que tem mais é pessoal com um grande perfil… e …. …??!!…
Portugal precisa de competência e justiça, não de grandes “perfis”-vai-se ver e nem “sumo” têm.
Mais obra e menos patuá…
O sucessor de Costa devia ser Rio. Fez mais pelo PS do que qualquer outro faria, acabou a aniquilação do PSD, abrindo as portas para um regime de partido único, rodeado de franjas mais ou menos ideológicas, os partidos de “causas”, tipo Bloco ou PAN, de “protesto”, ou os que seguem alguma ideologia como PCP e IL.
Há muita gente à espera que Costa se reforme, salvo seja, o que poderia abrir frentes de combate internas, mas se há algo que sempre distinguiu a Rosa é a capacidade de colocarem de lado as divergências em prol do bem comum (bem deles).
Posto isto, o dinheiro continua no Medina.
Bem, antes de mais, gostaria de dizer que, salvo raríssimas excepções, quando não se tem mais nada para fazer de útil opta-se pela presidência da república. Aliás, os políticos têm revelado que em si mesmos são uma cadeia de inutilidade com um fim inútil.
Costa aproveita-se de uma bazuca para procurar convencer em momento de retirada que foi útil e que muito fez pelo país. Neste capítulo ele nada mais fez que reproduzir o modelo dos anteriores troikanos, mas em versão neofascista acorrentado ao bloco e mais alguns pinga-pinga. O resultado continua a ser a catástrofe.
Não conheço Maiana Vieira da Silva e não me parece nada relevante a sua presença. No quadro actual é mais um elefante-branco a que se somam outros como a Martinha da saúde que também mama uns copos de vez em quando. Creio que no quadro actual são estes pormenores, o de mamar uns copos, que nos tornam realmente iguais enquanto humanos.
Todavia, a inutilidade de Costa revela-se também no que refere em seu texto. Quero dizer que a questão das mulheres na política e nos partidos políticos parece estar a metamorfosear-se de uma panestupidez para endestupidez, isto é, semelhante à pandemia que se torna em endemia e deixou tanta gente aparvalhada, incluindo os ditos cientistas.
É mais uma vacina sem consequências práticas.
Mas ser do sistema, também ajuda e de que maneira. Filha de ministro, sabe nadar, por isso nunca se afoga. Afogam-se é todos e todas os que estão fora do sistema e toca a emigrar. O resto, não passa de conversa fiada, é treta!
Marcelo é filho de ministro. Soares era filho de ministro. Sá Carneiro e Freitas do Amaral eram filhos de deputados. Manuela Ferreira Leite é descendente dum chefe do Governo.
Há forte endogamia na política portuguesa – e não é de agora.
Marcello Caetano, por exemplo, era genro dum ministro da I República. E cunhado do presidente da Assembleia Constituinte pós-25 de Abril.
Tema que merecia tese de mestrado. Ou doutoramento.
Tal e qual como na monarquia.
Chegou a hora de “embrulhar” o socialismo. Já deu que tinha a dar (só tachos e corrupção).
Razão tem o Dr..Ventura ao apelar para um governo de salvação nacional.
Uma coligação dos partidos de direita mas para isso é preciso o que o Rio volte ao seu leito normal.
Sim senhor, anónimo aVenturado, ninguém goza consigo.
isto sim, é proprio de pessoa com P grande : prognostico antes do jogo, arriscar.
As pessoazinhas limitam-se a comentar o que vai acontecendo.
Pessoas maiores arriscam quanto ao que pode acontecer.
Assim sendo já nao vou pedir á Mariana que conceda ao Pedro um livre transito para os livros, pois enquanto lia nao chateava o governo.
Esta ideia é genial, não refiro ser ideia do Costa.
Convém lançar a confusão, como habitualmente, e sempre é do Sporting, para disfarçar.
Quem lhe fará as encomendas?
VENHA O REI
Não podemos permitir que a nossa mal amanhada e ultrajante republica pratique abusivamente uma monarquia multifamiliar extensiva onde todos são primos e primas, que aperta as garras em todos os sectores de atividade na sociedade.
Um estrangulamento que as almofadas governamentais de papel e som promovem e acarinham.