
João Campos: «Passos Coelho anuncia o princípio do fim da crise em 2012. O que não augura nada de bom. Da última vez que um ministro anunciou o fim da crise foi o que se viu, lembram-se?»
José António Abreu: «Se em A Estrada [Cormac] McCarthy fez dos outros humanos a maior ameaça, [David] Vann quase não precisa deles (e com isto não estou a menorizar A Estrada, que entraria em qualquer top de melhores livros da primeira década deste milénio que eu compilasse). Os outros humanos são essenciais (especialmente, já o referi, as mulheres) mas não são eles a ameaça. Nem a natureza, que serve para expor e intensificar os problemas das personagens. Em A Ilha de Sukkwan, o Mal não vem de fora. De facto, talvez nem exista Mal (uma grande diferença em relação a McCarthy); existem falhas, incapacidades, incompreensões. E se A Estrada é consistentemente mais assustador, Vann consegue por vezes ser mais duro do que McCarthy.»
Leonor Barros: «Chegar é espreitar o mar lá ao fundo, uma tarja brilhante, uma língua prateada ainda mais flamejante em tempos de Verão final, partilhar um gin tónico na quietude do dia salpicado de palavras e silêncios. Reencontrar os livros, pôr em dia leituras ocasionais e deambular sem destino fixo entre lombadas expectantes. Chegar é retomar a vida que se deixou antes de partir e transformá-la numa vida nova, uma sucessão de chegadas e partidas, um movimento pendular entre o ir e o vir, chegar e partir. Chegar é pertencer.»
Luís M. Jorge: «O Hugo Mendes tem colocado informação preciosa no Jugular. (O que fazia ele no tempo de Sócrates? Assobiava para o lado). Certo é que este post sobre o imposto para ricos que tanto inflamou as almas sensíveis do PSD (e o que faziam elas nos tempos do corte ao subsídio de Natal e do aumento dos transportes públicos? Adivinhem.) coloca a questão onde é preciso — nos antípodas de José Manuel Fernandes. Se alguém próximo do Governo se dignar a responder-lhe talvez vejamos o início de um debate público sério; o que, enfim, já cá vai fazendo alguma falta.»
Patrícia Reis: «Não, não trouxemos medalhas para casa, como se isso fosse o mais relevante, mas vimos uma recuperação extraordinária de um grande atleta: Nelson Évora. O homem que esteve um ano a recuperar, que tem um parafuso no pé e é o quinto melhor do mundo. Nunca se pensa nisso, mas é a verdade: qualquer lugar a que um atleta deste nível vá parar significa que é o quinto, o sétimo, o décimo melhor do mundo. Melhor medalha do que isto? Não me parece.»
Rui Rocha: «A história recente corre, ainda, em favor de José Eduardo dos Santos. Mais de trinta anos de guerra sangrenta estão bem presentes na memória e na carne dos angolanos. Daí que muitos prefiram, de momento, fechar os olhos e a consciência a quanto os rodeia. A paz podre é para estes, apesar de tudo, uma solução aceitável quando comparada com os dias de chumbo da guerra pura e dura. Por isso, não acredito que estes sejam ainda os prenúncios de uma primavera angolana iminente. Por mais um tempo, com mais ou menos sobressaltos, a arraia-miúda dedicar-se-á ao bisness de cada dia e o poder continuará a explorar o business. As usual. Assim, teremos, se não me engano, ainda um par de anos para exercitarmos toda a nossa complacência relativamente a este regime corrupto e autocrático.»
