Sobem os impostos sobre os combustíveis. É, portanto, normal e expectável que todos os bens – produtos alimentares, vestuário, entre outros – transportados por via rodoviária fiquem mais caros. O sector da distribuição não é conhecido pelo seu altruísmo e, por isso, haverá impacto no preço final do produto vendido ao consumidor. Abreviando, a vida ficará mais cara.
Depois vêm as famílias com filhos. O fim do quociente familiar, substituído por um valor fixo, tornará mais caro ter filhos, sobretudo para casais com um vencimento conjunto igual ou superior a 2000€ mensais. Qualquer semelhança entre este país e aquele que rasgou as vestes por causa dos problemas de natalidade é pura coincidência.
E, para que os exemplos sejam três, olhemos para o comércio. Todos os comerciantes, pequenos e grandes, pagarão mais por transacções feitas com cartões de débito e de crédito, sendo provável que o aumento seja transferido para o cliente.
Pelo meio, o crescimento da economia será inferior ao previsto. Quanto ao défice, parece que ainda não se percebeu ao certo o que vai acontecer.
Face ao exposto, caro leitor, saiba que acabou a austeridade. Palavra do Governo. E palavra dada é palavra honrada.

O ovo de Colombo do António Costa:
Tirar a uns ricos para dar a outros ricos.
Os outros ricos são a função pública e as bem reformadinhos.
Enfim, os pobres sem e com abrigo continuam feitos ao bife.
Diogo, os antecessores do Costa acabaram o mandato também a anunciar o fim da austeridade…
É verdade, Teresa. Porém, os antecessores não prometeram uma reposição “imediata” das 35 horas. Não prometeram o fim “imediato” dos cortes nos salários e pensões. Não prometeram o fim total e absoluto da austeridade. Em boa verdade, se bem se recorda, a grande diferença entre o PàF e o PS durante a campanha para as legislativas residia precisamente na “velocidade” usada para por fim à austeridade. O PS prometia o fim imediato da austeridade e crescimento económico, o PàF uma redução gradual da austeridade – o que levou boa parte da esquerda a considerar que a austeridade era, para o duo PSD-CDS, uma opção ideológica.
Ora, com este orçamento da esquerda, nem a austeridade acaba, nem o crescimento é o prometido. Creio que se o Governo fosse de centro-direita já estaria a ser acusado de mentir…
Dor de dentes resolvida facilmente ignorando tratamento e comendo mais uns rebuçados – ninguém manda em mim!
Pois…
Mas é o que acontece num país infectado pelo Jornalismo de Esquerda.
Todas as narrativas do País Portugal são baseadas na mentira sobre a realidade.
Mas a realidade vem sempre bater à porta. E isto é só o começo.
Acabou o empobrecimento do país, começou o enriquecimento dos trabalhadores da função pública.
Afinal, em que ficamos?!
Se bem percebo, os que foram além da troika no caminho da austeridade começam a fazer meia culpa.
Se não estou enganado, então, por aqui, há muita gente mais papista do que o papa, que persiste obstinadamente aos pés da santa austeridade.
Aqui está um bom exemplo do discurso fraudulento.
Ter um défice de 3% é austeridade.
Ao mesmo tempo dirá que está contra o aumento da dívida…
Só uma ideologia política com protecção jornalista permite um caldo cultural para que alguém escreva coisas tão contraditórias e não passe por idiota ou imbecil.
Sejamos mais precisos sobre o que aconteceu.
Bruxelas iniciou uma guerra, também através de seus mandatários nacionais, com o défice estrutural.
O governo propunha 0,2% e Bruxelas 0,6%. Resultado: ficou em 0,3%
Défice: Em Janeiro o governo propunha 2,6%.A redução do défice aprovado fica em 2,2%, menos 0,4%.
Em contrapartida o OE promove a redução do peso da dívida pública em 2,7%, invertendo a tendência de aumento que no ano passado se situou em mais de 130% do PIB.
Combustíveis: Foi aplicado o princípio da neutralidade, isto é, para compensar a perda de receitas que já vinha ocorrendo com a baixa do petróleo e a receita fiscal em termos de baixa de preço e IVA. Por conseguinte, o aumento visa também travar o volume de importações de petróleo pelo efeito da baixa de preço. Menos despesa compensa menos receita por via do aumento.
O aumento é de 6 cêntimos para gasóleo e gasolina.
Contudo, o aumento dos combustíveis contempla uma majoração em sede de IRC e IRS para várias empresas.
E se o petróleo aumentar o governo compensa o aumento.
Função Pública: Regressa a fórmula de Sócrates que impunha a regra de 1/2, isto é, para cada 2 trabalhadores que saíssem entrava 1.
IRS: sobem os escalões em termos de valor de rendimento face à tributação anterior. Subindo os valores nos 2,3 e 4º escalões. Vai ser corrigido o valor de dedução por filho.
Terminais de pagamento automático: Não será aplicada a taxa do sector financeiro quer sobre o cliente quer sobre o comerciante.
Em suma, Bruxelas pretendia um esforço adicional de mais de mil milhões. Ficou em 580 Milhões.
Fica concluído que os profetas da desgraça vão ter de mudar de profissão.
Se eu tivesse a certeza de que Passos é capaz de reformar o Estado; acabar com empresas públicas geradoras de dívida; com a maiora das fundações; com as pensões milionárias e a acumulação de várias delas; com os lobbys da educação, da saúde e dos advogados e com os cambalachos do poder local, eu era pessoa para votar nele, defende-lo e até ajudá-lo. Mas não tenho certeza.
Ora – o que é preciso é saudinha.
E dinheiro para gastos com o bandulho.