Receio que haja quem não se dê ao trabalho de ler este artigo do Correio da Manhã a que se refere o Paulo Gorjão aqui por baixo. O que se compreende, porque não há pachorra. Porém, é importante registar o que realmente disse o tal deputado socialista (do PS, sim).
— “Se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer.“
— “Tenho 60 euros de ajudas de custos por dia. Temos de pagar viagens, alojamento e comer fora. Acha que dá para tudo? Não dá.“
— “Estamos todos a apertar o cinto e os deputados são de longe os mais atingidos na carteira.“
Mais se lê no artigo que «o deputado socialista, que aufere cerca de 3700 euros mensais, reagiu assim ao corte de 5% que será aplicado de forma progressiva na Função Pública a quem recebe mais de 1500 euros», pelo que o dito cujo ainda «afirma que o assunto é sério e que a classe política também é muito atingida pelas medidas de austeridade».
O deputado socialista, Ricardo Gonçalves de seu nome, é provinciano e tem lata. Temos todos de apertar o cinto, mas não é preciso exagerar: dispensem-no, que está na hora de correr com ele.
Imagem: deputados em pé apertam o cinto
e deputados sentados atingidos pela fome.
Adenda — É pena que o nosso sistema eleitoral ainda não permita que este deputado saiba quem foram os eleitores que o elegeram, para perceber a situação em que cada um se encontra, mas é sobretudo pena que os eleitores que o elegeram não possam saber isso, para o esperarem na estação do comboio.


o problema é que essa gente “vive” noutro país, onde a maior parte dos trabalhadores não recebe menos de mil euros e não existem reformas de menos de trezentos euros…
e tal como o presidente do conselho, não têm vergonha na cara nem respeito pelos eleitores.
O seu parágrafo final diz tudo.
Acabei de ler essa notícia, João. Ainda bem que postaste porque é absolutamente lamentável. Coitadinhos dos deputados…
Se a estupidez pagasse imposto e a imbecilidade fosse taxada, já estávamos à frente da Alemanha sem fazer sacrifícios.
E como, João.
Passo-me completamente com isto.
Não conheço, nem quero conhecer Ricardo, quê? Porque se não é, pensa como puto. Será que o sinónimo de de(put)ado…..quer dizer puto atado ? (atado de cabeça, vê-se logo). Quem pensa assim só pode!
Deve ser isso.
Eu esperava-o na estação, mas para lhe dar uma cachaporra!
Realmente, esses palhaços não sabem o que é passar dificuldades… 60 euros por dia em ajudas de custo é escandaloso.
Viagens? Todos os dias? Ao fim-de-semana? Uma vez por mês? Uma vez por trimestre?
Alojamento? Um apartamento T1, no centro de Lisboa por 500€/mês, dá 16 euros por dia.
Jantar? Em qualquer restaurante que não seja de luxo encontra pratos entre 7 e 12 euros. Não chegam os 60 euros? Ai, malandragem…
Mesmo que não chegassem, teriam de chegar? É suposto o vencimento ser todo para amealhar? Que sorte.
Que gracinha!
Estou deveras comovida, quase molho o teclado.
E os que têm pensão de apenas 3 dígitos e sem mordomias?
É preciso ter cá um descaramento!
Inqualificável.
Para o bem da Pátria,…
Dessa mente descarrilada
da nossa actualidade
brota a tolice selada
por tamanha inanidade.
O que diz este espertalhão,
que se proclama deputado,
ofende o pobre mexilhão
que se sente tão açoitado.
Um deputado da República que faz cem anos…
Eu é que fui parvo. Se não podia a esta hora ser deputado da província (espero que o deserto conte), a viver em Lisboa, pago por todos para dizer disparates deste calibre. É que a estupidez não paga impostos, mas por cá é paga a peso de ouro.
Nós é que andamos a pagar estas e outras. E sem escolha.
E ainda houve quem se escandalizasse quando Maria José Nogueira Pinto,numa comissão da AR, lhe chamou palhaço…
Pois.
Apertar o cinto? – só se for à volta do pescoço, não?
Ia bem.
Este totó está à altura de outro, o Almeida Santos, quando diz que o Governo, tadinho, tem sofrido e agora é altura de sofrer o povo.
A pesporrência desta gente, o desprezo que têm por quem os elegeu! E nem sequer podem dizer como aquele governador brasileiro, cujo nome agora não me ocorre, “Eu roubo, mas faço!”
Apesar da desfaçatez, o outro sempre tem a desculpa da idade.
Dá vontade de o insultar, João.
Se há coisa insuportável, é gozar com a pobreza.
F…da p…!!
Só para isso já valia a pena ir esperá-lo à estação.
Este “espécime” deve ter o Sindroma da Rainha de Inglaterra que queria ter os palácios aquecidos e iluminados à custa dos pobrezinhos… estou a vê-la cá em Portugal a pedir o rendimento de inserção.
Quanto ao Snr.Deputado, já que tem um ordenado miserável e uma pequeníssima ajuda de custo, alguém lhe indique onde, à noite, pode ir comer na sopa dos pobres ou às carrinhas de distribuição de mantimentos das várias instituições, pode também ir a uma qualquer instituição de Luta contra a pobreza e levar alguns alimentos para a família que ficou na terra.
O artigo do Correio da manhã foca um assunto muito pertinente. Porque é que, tal como nos EUA, não sabemos que deputados foram eleitos pelo nosso circulo de residência? Nos EUA quando há qualquer problema as pessoas escrevem/contactam directamente com o seu deputado na Assembleia. Porque não podemos fazer o mesmo?
Não podemos porque não lhes convém. E por que raio havemos de ter 250 deles?