Zapatero antecipa Sócrates


Pedro Correia,

 

Dez anos depois de assumir a liderança do Partido Socialista Operário Espanhol, seis anos depois de chegar ao poder, José Luis Rodríguez Zapatero acaba de registar a primeira séria derrota política, nas próprias fileiras do PSOE. Tomás Gómez, o líder socialista madrileno, teimou em levar por diante a sua candidatura às eleições para a comunidade madrilena do próximo ano, desafiando Zapatero, que pretendeu impor como candidata a ministra da Saúde, Trinidad Jiménez. Gómez disse uma palavra que Zapatero não escutava há dez anos nas fileiras do partido: a palavra não. Manteve a candidatura, forçando a realização de eleições primárias nas quais se empenhou todo o estado-maior socialista, a favor de Trinidad, e o próprio Governo, com destaque para os poderosos ministros José Blanco e Alfredo Pérez Rubalcaba. Nos comícios da campanha, Gómez não contou com nenhum membro do Executivo: parecia estar de quarentena por ter ousado contestar o chefe. Mas a palavra decisiva coube aos militantes socialistas de Madrid, que lhe deram a vitória.

O pós-zapaterismo começou hoje, como assinala o El País. Este é um processo a que os socialistas portugueses devem estar atentos: há vários anos que o destino de Zapatero antecipa o de José Sócrates. Por cá, por enquanto, subsiste a dúvida: quem será o Tomás Gómez português?

4 comentários em “Zapatero antecipa Sócrates”

  1. Pode dizer-se que à muitos anos que não se via mais do que um candidato (normalmente apoiado pela Direcção Nacional) a disputar as eleições para a FAUL (Federação da Área Urbana de Lisboa) do PS.

    Este ano temos 2 candidatos.

    O actual presidente (Joaquim Raposo) recandidata-se à revelia da opinião da direcção nacional e o outro candidato (Marcos Perestrello) candidata-se com Sócrates, António Costa e toda a elite do seu lado.

    Cabe aos Militantes do PS da FAUL votar, mas a mim cheira-me que teremos um Tomás Gómez versão tuga no dia 8 a festejar a vitória!

    1. A ser assim, um dilema jamais teve uma saída fácil, por uma razão: um dilema não tem saída. Isto é: ou Joaquim Raposo ganha e vai haver uma sangria, ou perde e nunca mais se ouvirá falar dele.

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