Dependências
Portugal é um país de dependências, que olha com estranheza para os independentes. Esta realidade é facilmente demonstrada pela forma como reagimos à entrada do FMI: nada se passou e nem ninguém se importa com isso. Por outro lado, vejamos o exemplo da Grécia, onde as ruas foram imediatamente invadidas por jovens com pedras em riste, ou da Irlanda, onde as manifestações se tornaram constantes. O nosso país é diferente, nós gostamos de ser dependentes, de ter alguém que nos pague as contas, mesmo que para isso tenhamos que ter alguém a mandar em nós.
Não gostamos do Fernando Nobre, nem do Carlos Abreu Amorim e muito menos do Francisco José Viegas. Não gostamos desses tipos, porque são independentes. Da mesma forma, preferimos uma mulher dependente e submissa a uma jovem irreverente e independente, somos mais facilmente aliciados por um emprego no estado do que por um negócio empreendedor e arriscado e preferimos o Benfica e o Porto ao Sporting, porque é preferível saber que se vai ganhar sempre o campeonato.
Adoramos as nossas dependências. Desta forma, assumimos, que ninguém pode ser boa pessoa se não for dependente de alguma coisa. Por isso, somos um dos países em que mais se depende do estado, temos as famílias que mais dependem da banca, as autarquias que mais dependem do futebol, os filhos que mais dependem dos pais, os pais que mais dependem dos filhos, os homens que mais dependem das mulheres e as mulheres que mais dependem dos homens, a finança que mais depende da política e a política que mais depende da finança.
Não percebemos que uma das mais nobres características da liberdade é a independência e que o homem livre, em política, é aquele que a cada momento, em cada situação, tem a coragem de assumir o seu rumo e fazer as suas escolhas, sem mordaças e sem se preocupar com a opinião dos outros. Isto é a verdadeira independência, que eu tanto admiro nestes homens que agora se candidatam ao parlamento.
O homem livre, em política, é o único que eu admiro, na sua essência – não só enquanto político, mas principalmente enquanto Homem.





Discordo em absoluto que só haja políticos dependentes, como parece entender o ilustre convidado.
Essa “teoria” é mortal para a democracia e gostaria que se refletisse um pouco mais nas consequências de certas afirmações populistas – como a do post – antes de se lançar a palavra, porque esta, uma vez dita, não pode ser recuperada.
O que devemos exigir aos políticos é que tome decisões com isenção dos respectivos partidos tendo em vista apenas e só o interesse nacional.
O que é muito diferente de considerar que só os independentes – não filiados em partidos – são bons intérpretes e servidores do interesse nacional.
Em relação aos exemplos concretos de que fala, atendendo aos ziguezagues do passado de dois deles (CAA e FN), vou ali e já venho quanto à respectiva ndependência. Eu diria que te revelado uma independência muito dependente dos ventos que lhes correm de feição e conforme muda o vento…
Mas pode ser um problema meu, visto que não os conheço pessoalmente.
mas aonde é que o Francisco José Viegas e Carlos Abreu Amorim são independentes!!??
Em abstracto, concordo plenamente com o escrito. Mas, quando se dão como exemplo de independencia estes três cromos, estamos conversados…
João: no essencial, estou de acordo contigo. Tocaste num ponto muito importante. E as reacções críticas entretanto recebidas – que não surpreendem ninguém – só confirmam isso.
Obrigado pela visita. Um grande abraço.
Obrigado Pedro!
Um abraço!
Parabéns pelo artigo e pela intervenção!…A propósito das dependências e das independências!… subscrevo a opinião não pondo em causa a liberdade de as pessoas terem partido, mas acima de tudo que sejam sempre responsabilizadas pelos seus actos e pelo interesse nacional quando estão em causa decisões governativas e do interesse comum.
Independentes?
Por favor, não insultem a inteligência dos leitores.
Que raio de mania tem os comentadores políticos de tentarem cobrir-se com a capa da independência quando é mais que evidente a sua orientação…
Seria muito mais honesto da parte desses senhores assumirem-se integralmente…
Assim, ninguém os leva a serio, a eles a a todos os outros que os tentam vender como “independentes”
Ah, agora percebo:
“Independente” é sinónimo de candidato a deputado pelo PSD.
Entendi-te!
Então e “Íntegro”, “Coerente” e “Honesto”?
Também, não?
Isso é que é ser subtil.
Que palhaçada, tenha vergonha na cara, senhor!