Todos temos a noção de que uma boa sondagem ou estudo de opinião custam muito dinheiro e sim, estamos em crise. Mas isto é justificação suficiente para media ditos de referência publicarem artigos neste tom ou neste (e ao menos a TSF colocou a ficha técnica bem à vista) com base num trabalho feito a partir de escassas 803 entrevistas a outros tantos eleitores, nas quais mais de metade destes se dizem indecisos (36%), que não pretendem votar (6%), ou irão votar em branco (10%)? É que para o mal e para o bem, sempre somos uns 8 milhões e meio deles. É verdade: já se sabe quantos somos, exactamente?
Chamem-me picuinhas
Ana Cláudia Vicente,

Houve outra da Marktest referida neste post (http://margensdeerro.blogspot.com/2011/0 3/marktest-18-23-marco-n805-tel.html), com comentários muito interessantes. Parecem-me comuns os inquéritos com cerca de 800 inquiridos. Os resultados requerem interpretação mas têm algum significado.
Irei lá espreitar, jj; é certo que não são nada incomuns, estes números, mas presumo que estejam bastante aquém do que as próprias empresas/centros/institutos desejariam trabalhar, se o pudessem fazer. O ponto é precisamente esse, o da interpretação maximalista (só as cachas davam várias teses de mestrado…) ou simplesmente incorrecta oferecida ao público, naquela lógica de mínimo investimento / máximo impacto. Resta esperar para ver que efeito este tipo de interpretações acabam por colateralmente causar no eleitorado.
As tuas dúvidas são pertinentes, Ana Cláudia. Um barómetro em que quase 50% dos 803 interrogados não exprimem opinião só pode indicar isto: permanece tudo em aberto. Nada mais.
Disse 8 milhões mas bem podem ser 9; será que os cadernos ficarão actualizados até Junho? Quanto a mim, numa eleição com as características da que se aproxima, uma sombra de dúvida dessa natureza a pairar é um dos piores cenários.
Ana Cláudia,
Ao ler o seu post, só falta dar o seguinte passo:
Por estarmos em crise, até deveríamos dispensar eleições!
Pôe-se lá quem a Ana Cláudia quer! visto que Cavaco Silva consegue a proesa – nunca alcançada por nenhum anterior PR – de obter “notação” (como agora se diz!) negativa, não se encontrando em condições de legitimidade para dizer o que quer que seja, a não ser à sua D. Maria.
Caro(a) Anónimo(a)
Não compreendo a que se reporta o seu comentário: a única menção feita à crise no meu post prende-se com o facto de as empresas/entidades que encomendam estudos de mercado/sondagens não estarem propriamente a nadar em liquidez orçamental para pagarem 8000 entrevistas telefónicas, por exemplo.
Quanto ao mais, remeto para os meus anteriores comentários.
Se em vez da vantagem para o PS esta sondagem desse vitória/vantagem ao PSD, interrogo-me se a Ana Cláudia teria escrito este post…
E porque não terá comentado o “brilhante” desempenho atribuído pela sondagem a Cavaco Silva?
Bem sei que a guerra de sondagens já começou e seguirá até 5 de Junho… mas se vamos desacreditá-las, então, temos de o fazer em relação a todas e não só aquelas que não nos são “simpáticas”/laranja.
Boa Páscoa.
Cara Anónima da Silva:
Se frequenta este blogue já teve oportunidade de perceber que por aqui não há agenda(s) oculta(s). Aqui só há cartas viradas para cima.
Quanto ao meu post, em nenhum momento ele se refere aos valores atribuídos a qualquer dos partidos; refere-se (como poderá confirmar pelos meus comentários anteriores): a) à razão de ser e significância de números tão baixos de entrevistas ; b) a abusos de interpretação e/ou amplificação que várias sondagens (não, não só esta) sofrem em momento pré-eleitoral.
Sondagens: quando são do nosso agrado, são valorizadas , independentemente do universo abrangido, quando não são do nosso agrado, os opinion makers encarregam-se de lançar suspeições sobre o trabalho.
Alguma vez foi feita uma sondagem abrangendo todos os eleitores?
Que mal pergunte, alguém tem as fichas técnicas das sondagens anteriores? Os universos de inquiridos terá sido assim tão significativamente diferente?
Caro(a) Mfm1999,
pela terceira (e tão uníssona!) vez nesta caixa de comentários se fala do que no post não está. Vide comentários acima, sff.
Quanto a fichas técnicas, universos e amostras, remeto-o para o blogue “Margens de Erro”, de Pedro Magalhães (que tem sempre no título a empresa, método/número de entrevistados, etc) que seguramente explicará melhor os hábitos, circunstâncias e razões de ser desse ofício.