Lisboa, 25 de Fevereiro de 2009
Chegou com uma carta na mão. Vinha indignado e dizia repetidas vezes:
“Se hoje não fosse quarta-feira de cinzas, até pensava que isto era brincadeira de Carnaval! Já viu este desaforo?”
Pedi-lhe para me deixar ler a carta.
Remetente: Metropolitano de Lisboa
Comecei a ler:
“Acusamos a recepção da reclamação apresentada na estação Ameixoeira em 2008.02.20 e em 2008.12.09 que mereceram a nossa melhor atenção”.
Não pude deixar de esboçar um sorriso. O Metropolitano de Lisboa responde a uma reclamação de um utente um ano depois e ainda tem a lata de dizer que a reclamação mereceu a melhor atenção?
Ele deve ter percebido e apressou-se a esclarecer:
“ E não falam de outra reclamação que apresentei em Setembro…”
Pelas datas das reclamações, percebi que não podiam ser sobre o mesmo assunto. Continuei a ler. A resposta referia-se apenas a uma reclamação que o utente fizera em Dezembro, pelo facto de as escadas rolantes da estação da Ameixoeira estarem avariadas desde Agosto. A reclamação de Fevereiro referia-se a outro assunto. Concretamente, o consumidor reclamava pelo facto de a máquina de multibanco daquela estação estar avariada e as máquinas de emissão de títulos de transporte “vomitarem” todas as moedas, sendo apenas possível fazer o pagamento com notas. Como também não havia nenhum funcionário na estação, teve de viajar até ao Saldanha sem título de transporte. Aí apresentou a reclamação. Disseram-lhe que, naquela manhã, já haviam recebido mais de uma dezena.
Mas sobre este assunto, a carta era omissa.
Quanto à outra reclamação, página e meia de blá-blá que termina assim:
“ Esperamos retomar o normal funcionamento das escadas logo que possível”
Até hoje ainda não foi, daí resultando prejuízos para os utentes. Quanto à reclamação feita em Setembro, nem uma palavra. Talvez daqui a uns meses este consumidor receba mais uma carta, dizendo que a reclamação lhes mereceu “a melhor atenção”. Nota-se…

Gosto quando estas empresas atendem as nossas reclamações. Mesmo quando a resposta vem fora de tempo e não faz qualquer sentido…
Uma empresa pública – «nacionalizada, nossa» – no seu melhor.
Metropolitano de Lisboa, a empresa onde ainda se ‘trabalha’ em “complicadex… devagar… devagarinho…”.
O Metropolitano de Lisboa demonstra um total desprezo pelos seus utilizadores; os clientes, infelizmente, não podem ‘ir comprar noutra loja’ onde sejam bem atendidos!