Vivemos tempos em que o populismo ameaça o saudável funcionamento da democracia. É vulgar apontar a culpa aos extremos e aos discursos extremistas, não fossem eles que transformam em ruído a indignação e a insatisfação das massas. Sem mais detalhes, essa é a grande ameaça à democracia. Não fossem os extremos e viveríamos num mundo asseado e bem cheiroso.
Quando os auto-proclamados defensores da democracia, da liberdade de expressão e demais valores do mundo em que vivemos (ou gostaríamos de viver) recorrem aos métodos dos extremistas, não estamos perante um abuso de poder, mas apenas a assistir ao linear uso dos poderes democráticos. E porquê? Esta pergunta pode ter umas das seguintes respostas:
– A paternalista.
Porque a plebe ignara precisa de ser defendida de estímulos perturbadores.
– A dos DDT – os Donos Disto Tudo.
Porque têm forma de mandar calar quem se atreva a achincalhá-los e não vacilam em fazê-lo.
Em qualquer dos casos, é de censura que estamos a falar.
Vem isto ao assunto, na sequência do afastamento de um trabalho de Pedro Brito, autor do famoso cartaz que irritou o Primeiro-Ministro, de uma exposição artística sob o tema “Inclinação para o Proibido”.
A história é contada no blog de Pedro Brito ou aqui.
Alerto os apoiantes da situação, que não devem clicar na primeira ligação, pois dessa forma estarão a aumentar o números de visitas de blog de alguém que se portou mal e faltou ao respeitinho ao Doutor António Costa.
É assim que se alimentam os extremos.
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Não há censura nenhuma. Há apenas uns indivíduos que, dentro da sua liberdade, recusam expôr no seu espaço algo. Têm todo o direito de o fazer. Ninguém é obrigado a aceitar na sua exposição algo que, por qualquer motivo, não lhe agrade.
E pronto, cá temos a hipocrisia liberal: “aH, nÃo FoI o EsTaDo”
Bem digo que não falta muito para a aliança PS-IL …
Vá lá ainda o trataram por “senhor” em vez de “racista”. Já «e uma melhoria.
Para quem costuma censurar comentários, realmente esta indignação faz todo o sentido.
Isto é totalmente inaceitável. Surreal. O desplante desta gente…
Como que legitimam, por comparação futura, abusos perpetrados por outros que afinal serão apenas iguais a estes. Uns pulhas.
Tal como o Paulo Sousa bem escreve neste post, há censura quando alguém do Estado manda calar outrem.
Neste caso, que se saiba, ninguém mandou calar ninguém. Foi a própria organizadora da exposição quem decidiu retirar o cartaz. Quando muito, pode-se dizer que houve auto-censura: a organização da exposição gostaria de ter exposto o cartaz, mas achou melhor não o fazer. E auto-censura não é censura. Mas pode nem sequer ter havido auto-censura: a organização da exposição pode nem sequer ter querido expôr o cartaz, por outros motivos só dela.
Elabora aqui sobre a auto-censura.
Permita-me a franqueza de lhe dizer que essa não será a sua especialidade.
Comité? Ah,comitern?
“É assim que se alimentam os extremos.” ????
Então este post “Como se alimentam os extremos” é para dar papinha a quem?
“…não devem clicar na primeira ligação…” faz lembrar uma montra na Baixa de Lisboa quase toda tapada com papel e junto de um pequeno orifício ‘p.f. não espreitar’.
E viva Pedro Brito, da Fenprof ligada a CGTP e ao PCP .
E é por estar ligado ao PCP que pode ser censurado?
Obrigado por confirmar que realmente existe quem considere que o respectivo alinhamento partidário lhe confere direitos adicionais.
Está a dar a volta à questão, e até está preocupado com a censura aplicada a um “ligado à CGTP-PC”.
Grandes malandros, aquilo não se faz lá por satirizar o PM.
Um pouco lateramente: sei que é possivel firmar e divulgar alguém diretamente comprometido com a ação que se pretende noticiar. Acho que por razão semelhante poderia não ser ocultada a assinatura e identidade do autor destas cartas, seria o que eu faria.
Resguardo de eventuais complicações jurídicas.
Censuras . Em Inglaterra desde o brexit, muitos politicos e ativistas que se destacaram na defesa dessa opção que foi a referendo, viram as suas contas bancárias canceladas pelos Bancos. Nigel Farage que foi deputado europeu é a mais recentd vitima. Nunca imaginei o modelo Chinês a ser aplicado na Europa. Há pouco na sic noticias ouvi um comentador a desculpabilizar os jovens que incendeiam a França com a desculpa de que ao contrário do que se pensa os incendiários são transversais a todas as etnias e não só a norte africana . E afirmou de seguida e os jovens portugueses também lá devem andar a pegar fogo pela calada da noite. Só se forem os da tua família, apetecia responder se houvesse contraditório. As televisões portuguesas e o jornalismo português estão a atingir o grau zero de credibilidade.
Penso que neste caso é talvez uma questão de tentar seguir a voz do dono. O espaço eventualmente recebe alguns apoios que não deseja perder ao aceitar expor o trabalho de persona non grata.
É covardia, talvez.
Mas parece-me que a questão dos extremos em geral tem mais a ver com a moda actual de criação de espaços seguros para as ideias. Proteger-se de ideias diferentes para não por em causa o que acreditamos como se fosse uma religião. Cria-se assim um mundo em que cada facção se encontra cada vez mais entrincheirada. Onde os argumentos contrários são apagados.
Quanto a mim, gosto de ver os argumentos de ambos os lados. Odeio que me limitem a informação por poder ser prejudicial à verdade oficial. Na realidade odeio a própria existência da verdade oficial. Mas isto sou eu.
E não deixa de ser cómico que num blogue chamado Delito de Opinião, se pratique, às vezes, essa mesma cultura de espaços seguros. Assim podemos todos concordar e ficar cada vez mais convencidos de que temos razão. É a derrota do livre arbítrio.
Vê essas zonas seguras na relação que os defensores da situação têm com a censura. O que era um dos pilares do asco, merecido, do antigamente, hoje não arranca ninguém do sofá. O povo é o mesmo e o conservadorismo também.
É preciso mudar muita coisa, para que tudo fique na mesma.
“Vivemos tempos em que o populismo ameaça o saudável funcionamento da democracia.”
Esta frase é hilariante uma vez que a Democracia é definida pelo que é mais popular.
O é aquela definição bien-pensant de populismo: As ideias em que o povo concorda comigo são democraticas, as ideias em que o povo acredita mas eu não é populismo?