
Houve um tempo em que não apreciava muito massas. Refiro-me às que se comem, não às tenebrosas maquias “capitalistas” que fazem espumar de raiva a doutora Mortágua. Como se ela vivesse de ar e vento. Como se nos países que lhe servem de referência as pessoas optassem por trocas directas, dispensando o dinheiro.
O nosso gosto vai evoluindo com o decorrer do tempo. Hoje aprecio muito alimentos que detestava em miúdo – do tomate às favas, passando pelo peixe em geral. Educamos o paladar, é certo. E se por um lado nos mantemos fiéis à chamada “comida da avó”, não é menos certo que ao rasgarmos horizontes, nas diversas fases da nossa vida adulta, isso também nos faz mudar no campo alimentar.
Foi no Oriente que alterei a minha anterior indiferença a massas. Os chineses do sul comem-nas a toda a hora, de dia e de noite, em casa ou na rua. Massa de arroz, muito fina. Com pedaços de ovo, rebentos de bambu, fios de vegetais de todo o género. Com molho de soja e algum picante, para quem aprecie.
Durante anos, algumas das minhas ceias em horário pós-laboral eram estas massinhas, a que chamávamos chau min para não complicar – à letra, massa frita. Concorrente directa do chau fan, arroz frito. Nas breves semanas de Inverno em Macau, o sólido passava a líquido, comia-se a massa em canja com pedacinhos de frango. Sabia bem.
Pensei nisto há dias, enquanto cozinhava aquela que é agora uma das minhas massas favoritas – tagliatelle. Fresca, de preferência. Bastam cinco ou seis minutos ao lume para ficar como deve, al dente. Era o que me apetecia, faltava ver o que havia em casa para cozinhar com ela. Cogumelos, claro: nunca faltam na despensa. E molho de tomate. Estava o repasto garantido.
Enquanto a massa cozia, verti um fio de azeite numa frigideira, uma colher de margarina vegetal, meia cebola e um alho picado. Mal estes alouravam, adicionei os cogumelos laminados – se forem de duas qualidades diferentes, complementando-se, tanto melhor. Fui mexendo. A chama estava alta, refresquei com um pequeno copo de vinho branco, deixei evaporar.
Já o molho fervia quando o reforcei com quatro ou cinco colheres de molho de tomate. Baixei o lume, aguardei cerca de cinco minutos. Antes de apagar, envolvi a massa noutra colher de margarina (pode ser manteiga, claro).
Polvilhei com doses generosas de queijo – parmesão ou pecorino, tanto faz – e salsa fresca, por me faltar manjericão. Soube muito bem. E despertou-me saudades, já não de Macau mas de Itália. Como eu gostaria de andar por lá agora.

Miam … miam … bem harmonizado, claro!
Bom fim de semana!
Quando não tenho muito tempo, ou a fome aperta, este é um prato que faço com frequência. E sabe sempre bem, em qualquer estação.
Ler dos seus cozinhados com peixe a cozer no fogão, deixa-me cheia de inveja. Tem todo o aspecto de algo esplêndido ao olhar, mas sobretudo ao paladar.
Para mim é um prazer cozinhar, Dulce. Embora por vezes demore mais tempo do que a comer.
Mas nem sempre, pois gosto de comer com calma. Nada de pressas nisto.
Cogumelos laminados enlatados, nem pensar: cá em casa, só se usa cogumelos frescos.
Molho de tomate enfrascado, nem pensar: cá em casa, o molho de tomate é confecionado por mim mesmo.
Margarina é coisa que não se usa por aqui: só azeite e, muito ocasionalmente, banha de porco.
Chiça. Já sabia que você recorria muito à banha de cobra, hoje fiquei a saber que também usa banha de porco.
cuidado com o ‘castrol’!
Só o mau, o putinista.
Bem, a falar de moda com a Chloé e a fazer tagliatelle com cogumelos não sei, não, só falta confessar o interesse em assistir a paradas militares.
Isso é bom para putinistas como tu.
Apreciam botas Doc Martens e monas rapadas.
adoro massas: chinesas ou italianas
almocei pastasciutta à bolonhesa com carne e couves de Bruxelas
Marcha quase tudo. Massas orientais são deliciosas. Consta que os italianos trouxeram de lá as massas.
Gostava de queijo de cabra acabado de fazer pela minha avó. Passado esse tempo deixei de comer e hoje não consigo comer qq tipo de queijo. O quanto eu lamento pq – queijo e pão fazem uma refeição-.
Pão do bom encontra-se cada vez menos. Encontrei-o em Setembro, em Mafra. Deu para matar saudades.
Queijo, agora é mesmo quase só para usar na cozinha.