
Um poema de Semónides de Amorgos acaba de ser proibido na Universidade de Reading, do Reino Unido, devido à sua «misoginia extrema», como alegam os censores, preocupados com o «incómodo» que tais palavras pudessem causar aos estudantes. Parecendo ignorar que o texto foi escrito há 2700 anos.
Considerado um dos pais da sátira nos estudos gregos clássicos, Semónides chocou as sensibilidades das donzelas do século XXI e dos seus tutores masculinos naquele estabelecimento universitário por ter redigido versos como estes: «Nunca passa tranquilo um dia inteiro / todo aquele que com uma mulher convive.»
Eis quanto bastou para as sinetas da interdição soarem em Reading, à revelia do que deve constituir o verdadeiro espírito universitário, livre por definição e natureza. É mais um triste exemplo da chamada “cultura do cancelamento” que vai fermentando um pouco por toda a parte, com a medrosa cumplicidade dos cenáculos culturais e dos meios de comunicação.
Maite Rico, ex-subdirectora do El País recentemente integrada nos quadros redactoriais do El Mundo, alude à mordaça agora imposta ao velho Semónides na sua “carta de apresentação” da revista La Lectura, que passa a integrar as edições de sexta-feira do diário madrileno de inspiração liberal.
«Não passa uma semana sem vermos os estragos que vem provocando esta onda de fanatismo neopuritano, com origem nas universidades anglo-saxónicas, que pretende impor pela censura e cancelamentos a uniformidade bem-pensante na academia, na cultura, no jornalismo e na política», escreve a excelente jornalista espanhola. Sublinhando que a nova revista «defenderá o valor da palavra e da liberdade de expressão», frente às «febres identitárias e aos chavões populistas, que usam a chantagem emocional e as queixas para calar quem pensa de modo diferente».
Leio estas palavras, não podendo estar mais de acordo com a linha editorial aqui expressa. E penso como faz falta em Portugal um projecto editorial na mesma linha. Em defesa da liberdade sem adversativas, contra todas as formas de censura – por mais politicamente correctas que se intitulem. Aliás um dos mais urgentes combates culturais tem precisamente de ser feito contra a correcção política. Que multiplica anátemas e tabus, silenciando qualquer opinião que ouse beliscar os novos dogmas.

Bom dia Pedro Correia
“Aliás um dos mais urgentes combates culturais tem precisamente de ser feito contra a correcção política”.
Plenamente de acordo. Bom Domingo. Saúde.
António Cabral
Saúde para si também, meu caro.
Grato, como sempre.
El objetivo de este trabajo es intentar una aproximación a Weininger y a su concepción de feminidad. La pregunta planteada es ¿por qué la figura de la mujer resulta clave, tanto en la filosofia de Weininger, como en la fin de siècle? Es en este momento cuando surge el icono de femme fatale; cuando la sexualidad aflora como una inquietud, a la vez atrayente y detestable entre la sociedad burguesa; cuando la prostituta irrumpe en el seno de la seguridad y estabilidad de la familia burguesa. ¿Por qué la mujer finisecular es esa araña demoníaca que dibuja Kubin, o esas serpientes resbaladizas de Klimt o esa Kundry sensual que distrae al héroe Parsifal? Si esa mujer no es real, entonces ¿qué significa? ¿Por qué se vuelve la imagen y la representación de la feminidad?
Otto Weininger (1880 – 1903)
Y olé!
A Universidade transformada em Santo Ofício e os seus docentes corrompidos no tráfico de publicações, citações, venerações!
Com o aplauso unânime dos basbaques sentados na primeira fila.
com origem nas universidades anglo-saxónicas
Isto acontece porque os directores e professores das universidades anglo-saxónicas são quase todos não-ingleses e os outros têm medo de perder o emprego.
O problema das universidades anglo-saxónicas são os professores não-anglo-saxónicos?
Isso é areia de mais para a minha camioneta.
Exacto. Os professores africanos e indianos politizados (e nos states constituem a origem dos movimentos woke) não querem promover a imparcialidade científica e uma postura académica das aprendizagens — não está na sua cultura. Tudo o que se passa ali é vingança.
e btw, eu disse não-ingleses e não não-anglo-saxónicos 😉
“Isto acontece porque os directores e professores das universidades anglo-saxónicas são quase todos não-ingleses e os outros têm medo de perder o emprego.”
Não. A Esquerda Anglo-Saxónica e boa parte da “direita dos negócios” dependente desta devido em parte dos jornalistas tolerarem, aceitarem a violência política de esquerda em Democracia adoptaram o neo-Marxismo em força. Seja em Inglaterra, nas áreas controladas pela Esquerda nos EUA ou na Austrália.
A Administração Biden tentou lançar o FBI contra os pais que criticavam o ensino de Critical Race Theory nas escolas, ao designá-los como terroristas domésticos.
Gostava tanto, mas tanto que as mulheres do se comportassem como mulheres e não permitissem este tipo de rebaixamento ao estado de coitadinhas, pobres flores de estufa. É humilhante e retrógrado para quem pretende igualdade sem limites no século XXI.
Não há pior misoginia do que esta tendência agora tão em voga de tratar todas as mulheres como frágeis donzelas implorando protecção do Cavaleiro Andante da Bem-Pensância.
Exactamente. Nem mais.
Combate-se a misoginia agravando-a.
É mesmo de loucos. Ou de imbecis.
A maior parte dessa malta veio de outro planeta.
Acho que é o Planeta de Agostini.
Eis quanto bastou para as sinetas da interdição soarem […]. É mais um triste exemplo da chamada “cultura do cancelamento”
Eu não li a notícia lincada na íntegra mas, tanto quanto li, não houve “cancelamento” nem “interdição” nenhuns. Houve apenas uma advertência aos leitores para que o material que iriam ler os poderia chocar.
Você já comenta aos domingos? Facto raro. Está a fazer horas extraordinárias no “serviço público”?
Eu ainda sou do tempo em que o Super Homem não era homossexual. Cresci a ler o racista do Tintin. E só agora, depois de velho, é que me dizem que fui mal educado.
Olha que merda, e fui só eu? E os que estão a “corrigir” foram educados como?
O Globe Theater, em Londres, começou a avisar o público do ‘Romeu e Julieta’ que iriam assistir a um espectáculo onde haveria simulação de suicidios e “falso derramamento de sangue”, forrnecendo um número de telefone de emergência aos mais impressionáveis.
O mundo ocidental vai-se transformando numa espécie de parque temático para crianças grandes.
Na linha dos comentários ao poste do Djoker…
Proponho que nos livros de História se elimine o Holocausto. Enquanto jovem ficaria ferido na minha sensibilidade, falamos de salas de aula e nao de filmes para mais de 18 anos. Aliás, limpe-se dos livros toda a WW II. As mortes, destruição, uma bomba atómica que aniquilou uma cidade inteira… isso só serve para chocar. Temos de proteger as nossas mentes jovens de serem incomodadas.
O que faz falta é proteger a malta. Uma bolha dentro duma cápsula no interior duma redoma.
Em resumo: a paneleirice a sobrepor-se à natureza.
Quanto ao “espirito universitário”, parece-me conversa de universidade.
“Considerado um dos pais da sátira nos estudos gregos clássicos, Semónides chocou as sensibilidades das donzelas do século XXI e dos seus tutores masculinos”
Não chocou coisa alguma, a indignação é falsa, não passa de mecanismo emocional para neutralizar os oponentes e assim poder censurar qualquer ideia diferente. Estabelecendo sem contestação a cultura neo-Marxista que nasceu nas Universidades da Europa Ocidental do pós guerra. Mas que no contexto de uma sociedade Europeia ainda religiosa e com mais valores conservadores não conseguiram implementar na altura.
Você vive obcecado com o neo-marxismo. Para si, só existe marxismo à sua volta. Se mandasse, calava as bocas todas.
Até porque está longe de ser neo-marxismo, mesmo que lhe possa ter pedido emprestadas algumas vestes: só mesmo dos EUA é que esta “cultura” podia vir. Descende directamente da caça às bruxas de Salem, da lei seca e do Senador MCarthy (que ironicamente perseguia marxistas). É o velho puritanismo americano e todo o seu esplendor, agora sob outro forma. Desde o MayFlower que é assim.
Nem mais.