Há vozes desagradáveis, ridículas, envolventes, profundas, suaves, cuja marca influencia a forma como avaliamos os seus portadores. Imaginem o John Wayne com a voz tensa do Humphrey Bogart e algo de fundamental se perderia na composição do bom gigante. Jamais a Marlene Dietrich faria uma femme fatale convincente se tivesse o instrumento vocal da Melanie Griffith.
Transpondo a coisa para os actores que agora merecem a nossa atenção: teria Passos Coelho ganho as eleições se falasse como o Miguel Relvas? E se este último articulasse as palavras com a cadência do Vítor Gaspar seria agora menos suspeito aos olhos de quem o traz sob fogo? Se, por outro lado, Vítor Gaspar usasse o dobro da velocidade para anunciar as suas medidas de controlo orçamental, já teria despencado nos índices de popularidade?

É bastante interessante, este exercício de imaginação, em que a Teresa nos convida a participar.
E dos personagens que nos propõe, destaco os dois que mais influência produzem nas nossas vidas, no nosso dia-a-dia: Passos Coelho e Vítor Gaspar.
E deixo as questões; como seria se Passos Coelho se dirigisse aos portugueses, falando como Angela Merkle, alguém notaria diferença?
E se Vítor Gaspar encarnasse a personalidade, a dicção e os trejeitos de José Castelo Branco, será que receberia mais atenção, por parte dos contribuintes?
A voz, a dicção, o movimento e a expressão corporal, são elementos fundamentais para que a comunicação se estabeleça entre os seres humanos, mas… a verdade, a pureza dos pensamentos, a ética, o sentido de responsabilidade e o desejo de fazer bem para benefício de todos… esses são “dons” que vêm do mais profundo da alma humana e não precisam de palavras para serem entendidos.
Bartolomeu, a questão está em saber até que ponto essas diferenças influenciam o nosso julgamento e as nossas escolhas. Tem a certeza que reagiria da mesma forma aos ditames do ministro das Finanças se falasse e agisse como o José Castelo Branco?
Na verdade, Teresa, aos ditâmes do ministro das finanças, quer fale e aja como o Castelo Branco ou como o Arnaldo Schwarzenegger, penso que só existem duas formas de reagir.
A primeira – adormecer, ou fazer um esforço sobrehumano para nos mantermos acordados.
A segunda – pagar e deixar de receber…
Excelente. Estava cheia de saudades tuas.
Também eu estava cheia de saudades do Delito, Leonor. Mas só para ser recebida assim vale a pena fazer umas férias de vez em quando :))
Teresa! Há que tempos não te lia. Beijos.
Olá Ivone! É bom voltar aqui.
E se as três personalidades referidas quando deliberassem usassem como pano de fundo de pensamento proativo as emoções sentidas por quem tem de distribuir equitativamente o orçamento frugal de 500 euros para ter em paz as necessidades humanas básicas , pelo menos comer, vestir, manter a temperatura corporal,locomover-se a pé claro, ter direito à afetividade…
Aguentando: Todos os Impostos instituidos por ocupar espaço terrestre e ser sem direito a saúde, mesmo a mais visivel a oral até que os dentes definitivos caiam por falta de provimento às cáries…
Seriam murmúrios ou fifias de si desafinadas num exorcismo de voz de povo endemoniado a reinvindicar os seus direitos…
Bem original o Seu post, de todo inspirador, parabéns.
Obrigada, anónimo.
Peço desculpa por não ter assinado, só agora me apercebi.
Isabel seixas
Então obrigada, Isabel 🙂
Terei que puxar um pouco pela memória, mas lembro-me vagamente de me dizerem que o Hitler lido não fascinaria ninguém. Nem sequer o Goebbles. O poder da voz pode ser perigoso.
Sem dúvida, Bruno. A voz é um elemento muito impressivo, para o bem e para o mal.
Obri ga do , ca ra Te re sa .
Hum… estou a reconhecer esta toada. Será o Vítor do ramo dos Gaspares?
Nem me fales em vozes de atores, Teresa! Na Alemanha, é tudo dobrado. Consegues imaginar o John Wayne, o Al Pacino, o Robert de Niro, ou mesmo o Bruce Willis com outra voz e, ainda por cima, a falar alemão?
Horrível! Demorei anos a habituar-me. Ainda assim, talvez seja melhor do que ouvi-los a falar em castelhano…
É por isso que sou contra as dobragens, Cristina. Ouvir o Al Pacino hablando castellano es muy malo.
Ouvir o Bogart, no Casablanca, a dizer ” tendremos sempre Paris ” destrói qualquer ilusão …
Que horror, Fernando. A Ingrid se o ouvisse falar assim até marchava para o avião mais depressa 🙂
Até vi um filme iraniano dobrado em alemão. É impressionante essa mania da dobragem.
Felizmente o lobby das dobragens não conseguiu levar a melhor em Portugal, safa!
É uma das coisas boas que Portugal tem. Aqui, dobra-se tudo, não são só os filmes. Qualquer fragmento do discurso do Obama, ou de outro político estrangeiro, nas notícias, é dobrado. Nunca aqui vi legendas, só se for para traduzir alguma mensagem escrita, num filme. Mas, mesmo nesses casos, ouve-se, muitas vezes, uma voz “off”.
O Gaspar quando fala em Inglês duplica a velocidade, provavelmente, pensa que o português é melhor em línguas:)
EhEh, pois é! Nunca tinha prestado a devida atenção ao detalhe 🙂
Teresinha, que bom “ouvir-te” outra vez no Delito!
A questão das vozes é muito interessante, tens razão. Por exemplo, admiro a Maria de Belém Roseira e considero-a uma mulher de armas, mas aquela vozinha de menina mimada estraga-lhe a imagem porque sugere fragilidade. O Vítor Gaspar anestesia-nos com aquela toada monocórdica, mas nesse caso eu acho que é intencional…
Olá, Ana. Estava cheia de saudades, mas com dificuldade em organizar-me para recuperar o rtimo na bloga. A ver se agora não me perco 🙂
Quanto à Maria de Belém, não podia estar mais de acordo.
Sobre o Gasparzinho o JMVFaria aqui em cima chamou a atenção para a diferença de ritmo que ele mostra quando fala em inglês. Só prova que o estilo soporífero é pose 🙂
Sem dúvida. E consegue o que pretende, que é irritar os adversários. Nada exaspera mais do que aquela impassibilidade, e ele sabe disso.