
Teme-se o pior: Rui Rio anuncia ao País que entrou em reflexão. Sobre o quê? O presidente do PSD admite propor o adiamento das eleições autárquicas, que deverão ocorrer no próximo Outono.
Extraordinário. O hipotético “líder da oposição” procura, uma vez mais, fazer um frete aos socialistas. Parecendo querer perpetuá-los sine die à frente da maioria das câmaras municipais do País. O que não admira, vindo do mesmo dirigente político que «para evitar desgastar a imagem do primeiro-ministro» tomou a iniciativa de reduzir de 24 para seis o número de sessões anuais de fiscalização e controlo do Governo na Assembleia da República – o que logo mereceu o entusiástico apoio do PS.
Nada para admirar, vindo de quem ainda há dias proferiu esta espantosa declaração: «O Governo pode queixar-se de tudo menos do PSD. Não temos obstaculizado em nada.»
Desta vez, porém, Rio parece condenado ao fracasso. O PS apressou-se a declarar que não está disposto a adiar a data prevista para as eleições. Mostrando-se assim mais receptivo à rotação dos titulares do poder autárquico do que o dirigente máximo da alegada oposição.
Os socialistas têm muitos motivos de preocupação. Mas com Rio ainda à frente do PSD ninguém no partido do punho fechado padece de insónias: este “opositor” é o sonho de qualquer governo.

Devem ser dos poucos que nestes tempos, continuam a realizar sonhos. Que são os nossos pesadelos.
Pois.
O mordomo não quer perder o emprego. Rui Rio está a pensar na sua própria sobrevivência: um desaire nas autárquicas pode ser o fim da sua liderança. Quem também pode dormir descansado é André Ventura.
Neste caso, como naqueles folhetins policiais do século XIX, sabemos sempre de quem é a culpa: do mordomo.
O Regime Abrilista (47 anos de oscilação PS/PSD, e acólitos) no seu esplendor.
O que é isso do regime abrilista?
Essa, vai ser a pergunta — e as respostas — que irão dominar o debate e a luta política em Portugal, desde as próximas eleições Autárquicas até às Legislativas. Vai ser o “objecto” que servirá de referência aos candidatos às lideranças para se diferenciarem perante os eleitores.
Mas vai haver eleições autárquicas? O “líder da oposição” não parece nada interessado nisso.
Tem toda a razão!
Mas até nisso, a minha maldita afirmação terá algum mérito. Porque vemos no barco, de repente, todos a irem para bombordo, esquecendo a inclinação fatal que provocam a estibordo.
Com Rio é motor fora de bordo.
Mas quando? Quem tem coragem de avançar?
Porque, quanto mais RRio se junta a ACosta (e a MRSousa), mais o território à Direita fica vazio e desprotegido.
(Post scriptum: Parabéns ao seu SCP. Está a deslumbrar!)
Rui Rio não pode pensar e reflectir numa melhor forma de delinear uma estratégia.
Aparecem logo uns melros todos arregalados!!!
Haja decência!
Piores são os abutres anónimos, a esbanjar pontos de exclamação.
Com inimigos destes, quem precisa de amigos?
Costa não precisa, seguramente.
Seja o Rio, seja o Chicão, seja a Catarina, seja o Jerónimo, seja o Ventura, seja quem for, quem é que fazia melhor?
Não haja ilusões, se o PS é maioritário é porque conseguiu transmitir a sua mensagem melhor que os outros.
O PS ocupa o primeiro lugar por dois motivos, por mérito próprio e por demérito dos outros.
O Rio tentou a sua afirmação com o famoso banho de ética, mas a máquina avariou logo nas primeiras lavagens.
Criticar é fácil, fazer melhor…?
Já estiveram todos no governo, já tiveram todos a oportunidade de mostrar a sua visão para o país, neste momento a preocupação maior da oposição é denegrir a imagem do governo, fazer caír o governo, e tentar meter as mãos no dinheiro que há-de vir de Bruxelas.
Querem substituir o PS? Tudo bem, mostrem alguém que faça melhor. Mas que não seja como alguém disse no outro governo “o país está melhor as pessoas é que ainda não perceberam “.
Alguma vez o BE esteve no governo? Alguma vez o PCP esteve no governo desde a entrada em vigor da Constituição de 1976?
Olhe que não, olhe que não.
Falei em governos não falei em constituições. O verão quente de 75 ficou para a história em relação ao PCP.
E o caso Robles com a justificação da Catarina marcou o BE.
Não há virgens na governação, se não participam no governo participam nas forças de bloqueio.
Quando se fala em mudar eu prefiro ouvir a letra da canção ” pra melhor tá bem, tá bem, pra pior já basta assim “.
Então dá razão a Rio. Nem é preciso haver eleições.
António Costa baloiçou para a «esquerda extremista» (“Geringonça”), quando percebeu que era aí que ganhava o poder. Agora, que percebe que o poder será ao centro, baloiçou mais para a «direita».
Os que são usados e manipulados por ele (fora do PS, Marcelo Rebelo de Sousa; dentro do PS, Ana Gomes e Pedro Nuno Santos), para esse seu baloiçar, nem se apercebem em que barco andam.
Ou seja, podem acusá-lo de tudo, menos o de ser um bom navegador.
Já expressou a mesma ideia ali mais abaixo.
Cá vou eu, o coca-bichinhos de serviço: “Com o ele” no título?
Obrigado, João. Já emendei.
1. É curioso observar a estratégia de António Costa.
2. Não se coloca na posição neutra (dualista) de Giddens, no que se refere a Durkheim e Weber. Não. Acha que a «agência» de Weber está submetida à «estrutura» de Durkheim.
3. Está convencido de que em Tudo, seja em que assunto ou problema for, a «estrutura» (a lógica a priori dos comportamentos individuais e sociais) imporá uma curva de Gauss, cuja distribuição dos prós e contras (dos apoiantes e opositores) será 80% no “centro” e 10% para cada um dos dois extremos.
4. Está convicto de que, as pessoas e os eventos cairão inevitavelmente nessa estrutura. Portanto, quantas mais forem usadas para lidar com o assunto/problema, mais depressa apanhará aquela (ou aquilo) que falhará. Que usará para livrar a sua culpa do resultado.
5. Basta-lhe assim, ficar sentado à espera que a Vida ocorra, siga o seu curso “natural”, sem se importar como se digladiam os eventos, as peripécias e os actores. Senta-se, à espera de que a lógica incrustada na estrutura (no Social) configure a dinâmica e a imprevisibilidade da acção dos actores.
6. A sua habilidade política baseia-se no passar a ideia de que a culpa de Tudo, radica em factores externos, humanamente incontroláveis e politicamente ingovernáveis. E que ele não pode fazer mais do que faz.
7. É assim que captura Marcelo Rebelo de Sousa e Rui Rio; e simultaneamente, se afastou da Geringonça usando Ana Gomes e a facção de Pedro Nuno Santos.
Já expressou a mesma ideia (em versão sintética) ali mais acima.
1. Sim. Mas aqui acrescento uma outra razão mais profunda. Que até se pode generalizar a toda a Esquerda: A razão por que António Costa é de Esquerda e não de Direita.
Exactamente, por acharem que a «agência da Pessoa» está submetida ao determinismo da «estrutura social», estão convictos de que é através dela que se resolvem os problemas.
2. O ICS tem uma biblioteca com milhares de livros, resultantes de trabalhos de mestrado e doutoramento em “Ciências Sociais”, todos eles cometendo esse mesmo erro científico da tautologia, ao afirmarem que o Social se explica pelo Social.
3. Se quiser, neste meu comentário, aparentemente igual ao outro, aponto a razão pela qual a ideologia do Relativismo Cultural, imposta aos curriculae da esmagadora maioria das universidades portuguesas (e não só), formou durante os últimos 50 anos os militantes do Esquerdismo.
Não percebi muito bem o que tem isso a ver com a conduta de Rio, mas também não faz mal.
A narrativa da Direita tem de saber derrotar a da Esquerda, se quiser conquistar a adesão dos eleitores mais jovens.
Antes isso do que fazer as autárquicas na data prevista e depois andarem a queixar-se em dez mil artigos de opinião de que deviam ter sido adiadas por causa da Covid, como fizeram nas presidenciais.
Depois de pôr fim às sessões quinzenais de fiscalização parlamentar do Governo “para evitar desgastar a imagem do primeiro-ministro”, não seria de esperar outra coisa deste mordomo de Costa travestido de “líder da oposição”.
Eu acho que é mais a comunicação social, que quer perpetuar a esquerda incompetente no estado! Acho que chamar comunicação social, é um abuso de linguagem….Quanto ao Rui Rio, tem demonstrado que é um verdadeiro estadista!!! Os cães ladram mas a caravana passa…
Os cães ladram e os asnónimos grasnam.
Entre o estar numa fila de (irredutíveis) eleitores num fresquito Outono ou num frio e húmido Inverno a opção não parecia complicada.
A proposta de R.R parecendo loucura à primeira vista tem o seu quê de razão. Como a maioria do eleitorado que aguenta nessas filas é de esquerda -demonstram os resultados eleitorias- uma “gripezinha”, um “resfriadinho” ou mesmo uma “covidezinho” alterará, a preceito, os resultados eleitorais a médio prazo. Subtil. Chamem-lhe parvo.
Esperto é Costa. Por ter um pajem como Rio.