Diante de ti homem não sou, não quero ser. És pai do menino que eu fui.
Entre minha barba viva e a tua morta, todavia crescendo
Há um toque irrealizado. No entanto, meu pai
Quantas vezes ao ver-te dormir na cadeira de balanço de muitas salas
De muitas casas de muitas ruas
Não te beijei em meu pensamento! Já então teu sono
Prenunciava o morto que és, e minha angústia
Buscava ressuscitar-te. Ressuscitavas. Teu olhar
Vinha de longe, das cavernas imensas do teu amor, aflito
Como a querer defender. Vias-me e sossegavas.
Pouco nos dizíamos: “Como vai?”. Como vais, meu pobre pai
No teu túmulo? Dormes, ou te deixas
A contemplar acima – eu bem me lembro! – perdido
Na decifração de como ser?
Ah, dor! Como quisera
Ser de novo criança em teus braços e ficar admirando tuas mãos!
Como quisera escutar-te de novo cantar criando em mim
A atonia do passado! Quantas baladas, meu pai
E que lindas! Quem te ensinou as doces cantigas
Com que embalavas meu dormir? Voga sempre o leve batel
A resvalar macio pelas correntezas do rio da paixão?
Prosseguem as donzelas em êxtase na noite à espera da barquinha
Que busca o seu adeus? E continua a rosa a dizer à brisa
Que já não mais precisa os beijos seus?
Calaste-te, meu pai. No teu ergástulo
A voz não é – a voz com que me apresentavas aos teus amigos:
“Esse é meu filho FULANO DE TAL”. E na maneira
De dizê-lo – o vôo, o beijo, a bênção, a barba
Dura rocejando a pele, ai!
– Excerto de Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta e cidadão, de Vinicius de Moraes in Nossa Senhora de Los Angeles


Excelente escolha, Teresa.
Estou certo de que o destinatário ira apreciá-la, tomando aqui a liberdade de também me associar à evocação que em boa hora fizeste.
O que eu gosto deste belíssimo poema de Vinicius, tão tocante… Obrigado, Teresa. Um beijinho. E um abraço ao Sérgio.
Cara Teresa
Penso que estás a prestar uma homenagem sentida ao nosso amigo Pedro que hoje perdeu o seu querido pai, um homem de grande valor cultural, académico e social. Foi para mim o melhor Director dos Serviços de Educação de Timor, durante a administração portuguesa daquela província ultramarina. Um forte e abraço ao Pedro.
Obrigado pelas tuas palavras, pelo teu apoio e pela tua amizade, João. Um forte abraço.
Quando se sente, não se mente. Grande abraço.
Os meus sinceros pêsames ao Pedro Correia e à família enlutada. Um grande abraço de conforto.
Agradeço muito as suas palavras, Fátima. Abraço retribuído.
Uma escolha muito bonita e sensível, como só poderia ser, no dia de hoje.
Associo-me também à homenagem e daqui envio o meu abraço e os meus pêsames ao querido Pedro e a toda a sua família.
Querida amiga, aceite o meu comovido agradecimento.
Um beijo, Pedro.
Outro, Leonor. Muito obrigado.