Afinal deve estar tudo bem.
O patriarca criticou a falta de debate interno (leia-se “seguidismo acéfalo”), a falta de ideologia (leia-se “meias-tintas”), a ausência de princípios éticos (leia-se “vamos tratar da vidinha”) e de confiança (leia-se “falta de coragem”).
Os principais responsáveis, os que interiorizaram rapidamente e sem discussão a disciplina interna na hora do voto e que há seis anos dizem amén a tudo, até às asneiras; os mesmos que antes apontaram o dedo a Alegre e criticavam quem tinha o mérito de dizer dentro do partido o que não dizia cá fora, no fim aplaudiram-no de pé? A notícia diz que assim foi.
Será verdade? Será que algum deles esteve no congresso do PS? E no Coliseu, em Setembro passado?
A minha memória já não é o que era. Devo estar a delirar.

… sobre o estado de negação
O estado de negação,
qual epidemia geral,
é feito de aberração
com forte teor visceral.
E o que hoje é verdade,
amanhã será desmentido,
assim vai a inanidade
em que tudo é permitido.
Dessa cepa tão entortada,
que tarda a escaqueirar-se,
brota gentalha enquistada
tão afeita a peneirar-se.
Sem entranhas de passado
e de móbiles jactantes,
esse pensar amassado
vive de feitos gritantes!
“Móbiles jactantes”? Ena, Amêijoa, esse estilo está cada vez mais aprimorado! Do que não há dúvida é que “o que hoje é verdade, amanhã será desmentido”. Cada dia mais, infelizmente.
Obrigado pelas palavras simpáticas, Ana. Sinto que a realidade, infelizmente, é cada vez mais, inspiradora. Bem haja!