A vida é para ser vivida.
E vamos todos morrer e não sabemos quando.
Por estas razões podemos apostar em viver em velocidade cruzeiro ou vertiginosa. A mulher tinha optado por viver a mil à hora, fazendo tantas coisas ao mesmo tempo que ninguém a acompanhava.
Sentia-se, evidentemente, sozinha. Não era para menos.
Mantinha a versão de ter de viver uma vida cheia e com significado. Mesmo que fosse sozinha.
Apesar de tudo.
Fosse o tudo o que fosse.
Ela estava na vida e a vida iria reconhecê-la, um dia, pois claro, como não?
A mulher passou dos oitenta.
Sozinha, numa casa silenciosa, a vida entrou-lhe pela janela e não lhe sorriu. Quando a encontraram morta tinha uma fotografia de uma criança na mão. Até hoje ninguém sabe quem era a criança. Ela também não.

Depois de ler este seu texto apetece-nos ir ali cortar os pulsos, ou atirar-nos de uma ponte, que pode ser a que era de Salazar ou a que já pertence ao 25 de Abril. Ou, talvez baste comemorar o Carnaval, vai na volta surte o mesmo efeito.
A minha mãe não viveu a mil à hora e eu tenho pena. Morreu aos 58 anos, demasiado nova, e deixou muita coisa por viver. Deixou-me também por cá, mas antes obrigou-me a aprender que ser independente é coisa boa e não significa ser sozinha. Significa ser sozinha por opção. O que muda tudo. Eu agradeço-lhe esta herança que me deixou.
Acho mesmo que a vida é para ser vivida, ainda que soe a frase feita, se não o fizermos, arriscamo-nos a morrer sozinhos, ainda que acompanhados.
Nada que valha a pena cortar os pulsos:) um bom fim de semana
Seria egoísta?
evidentemente:)
E vamos todos morrer, excepto as bactérias que são eternas nas suas divisões e não sabemos quando, excepto se formos suicidas de sucesso.
Por estas razões se tivermos grana para o fazer, podemos apostar em viver em velocidade cruzeiro ou vertiginosa, senão teremos de andar a passo de caracol a mendigar migalhas da mesa da terra que é assaz venenosa.
A mulher tinha optado porque podia fazê-lo, ou seja era das felizardas que podia optar, ai podia podia, por viver a mil à hora, ou seja era do jet-set, pois a maralha mesmo com tunning raramente ultrapassa os 200 à hora claro, e assim a mulher dos mil à hora ia fazendo tantas coisas ao mesmo tempo que ninguém a acompanhava, nem o Ambrósio o seu motorista e vibrador de 2ªclasse.
Sentia-se, evidentemente, sozinha, pois a república ou a monarquia são sempre solitárias e a ditadura idem, já a ditamole geralente arranja compagnons de route. Não era para menos, de resto não era para mais, era assim e pronto.
Mantinha a versão ou a aversão de ter de viver uma vida vazia muito cheia e com significado oculto ou mesmo culto. Mesmo que fosse sozinha sabe-se lá aonde ia sempre acompanhada de si própria, o que já não é mau.
Apesar de tudo, tudo a pesar nela, fosse ela república, ou monarquia ou ditadura muito ou pouco dura, ela perdurava no tempo o que era bom apesar de tudo e de todos os nadas em que nadava.
Fosse o tudo o que fosse, ou o que fosse o tudo na fossa, tudo fossado nas guerras do nada.
Ela estava na vida, ou na semi-vida, ou mesmo morta na vida ou morta-viva, ou mesmo num limbo qualquer e a vida ou a morte iria reconhecê-la na altura devida ou demorte por seu desnorte, um dia, um mês, um ano, uma vida, pois claro, como não, ou não como? Claro, pois.
A mulher passou dos oitenta, chegou aos 100 teve centenário e vai indo para os 103.
Sozinha, numa casa silenciosa a que uns chamam pátria, outros mátria, outros estado, outros vivenda da velha que nunca foi nova, a vida ou o que passa por vida,entrou-lhe pela janela porque não, se a vida sai por buracos e fendas minúsculas, porque não poderá entrar por janelas, ou mesmo portas, fechadas ou abertas, se sai também entra é lógico e não lhe sorriu.
Quando a encontraram, quem não sabemos pois sozinha vivia, mas aparentemente quem só vive sempre encontra alguém mesmo depois de morta, ou morta-viva ou uma coisa assim, enfim a tal velha reencontrada ou encontrada aos 103 tinha uma fotografia de uma criança na mão, ou de uma mão numa criança, ou não.
Até hoje e até ontem também, ninguém sabe nem sabia quem era a criança ou se havia criança na fotografia.
Ela também não, se ela era a criança, ou se a criança era ela, se ela estava morta, viva, viva-morta ou semi-viva, obviamente não o sabia, era ela democracia, república, ditadura, elitocracia, matripatria ou outra fratria ela não o sabia, viva ou morta NUNCA O SABIA OU SABERIA, POIS ela também não sabia se existia ou não.
Pode ser! Bom fim de semana
LOL. Adorei a resposta.
Bom fim-de-semana, Pat.
Pior do que isso, hoje fiquei sem gás a meio do duche. Portanto, vão-se todos lixar.
Se tivese ficado sem água teria sido pior!
A vida ír reconhecer-nos alguma vez é difícil e pouco visto , quanto muito uma nota de pé de página num artigo que ninguém nunca mais lê e mais ano menos ano passa para o arquivo morto da net .
Quanto muito a vida pode lembrar-nos durante uns tempos mas para isso é preciso que andem por cá pessoas que nos conheceram .
No meu caso particular é possível que daqui a uns 80 anos um neto ou neta já muito xéxézinho se lembre muito vagamente de mim , ainda que talvez já não saiba muito bem quem eu era .
Agora que se opte por ser sózinho e se garanta que se é mais feliz assim sem ter alguma vez vivido de outro modo é que me parece estranho .