CNN apareceu, SIC em mobilização total


Pedro Correia,

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O aparecimento de um novo canal informativo devia justificar menção nos telediários que se ocupam «do país e do mundo», como apregoa um redundante jornalista, fazendo crer que Portugal está fora do planeta. Estranhamente, enquanto surgia a versão lusitana da CNN, às 21 horas de segunda-feira, nenhum canal da concorrência fez a menor alusão ao facto. Estranho silêncio, parecendo confirmar que o jornalismo é a actividade profissional menos escrutinada nesta nossa doce pátria.

A TVI24 faleceu nessa noite em que a Gata Borralheira se tornou Cinderela. Aliás já tinha desaparecido meses antes, quando alguém decidira baptizá-la apenas de “24” – título de uma popular série de ficção do início deste século. Desperdiçando recursos e sinergias (como agora se diz) a mudar-lhe rosto e nome.

O novíssimo canal tem caras já muito conhecidas de outras paragens. Com destaque para Judite Sousa, a quem coube o privilégio de ler a primeira notícia, e Júlio Magalhães, autor da primeira entrevista – ao foragido João Rendeiro, que garante não ter voado para Belize, revelando bom critério, pois não é país que se recomende para um banqueiro, mesmo oficialmente falido. Esta conversa por vídeo-chamada inaugurou também por cá a modalidade da entrevista retalhada às fatias distribuídas pelo bloco noticioso – antiga técnica novelística aplicada ao jornalismo pós-moderno. A mesma que terá levado uma voz off a debitar: «O amor no princípio de tudo, Maria e João casados há 40 anos.» De fazer chorar as pedras da calçada.

 

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Quem seguisse com mais atenção este telediário inaugural detectaria erros, mas apenas de pormenor – como chamar “social-democrata” a Adolfo Suárez, o chefe do Governo que liderou Espanha no regresso à democracia na década de 70. Seria conservador, liberal, democrata-cristão, ex-franquista, mas não social-democrata. Minudências que não ofuscam o brilho da renascida estação, a que se deseja vida longa e próspera. Porque a concorrência é necessária, para benefício de todos. Em qualquer actividade.

Que o diga a SIC, que se vinha aburguesando. Nesse dia, os serviços noticiosos do canal que já teve sede em Carnaxide deram atenção inusitada ao que ocorre além-fronteiras. Com enviadas especiais à capital austríaca e a Kuznica, na Polónia. Com o correspondente em Paris mobilizado para Calais e o correspondente em Londres mobilizado para Southampton. Com o correspondente em Israel a reportar de Doha, capital do Catar.

Outra mudança visível: a SIC passou a incluir peças assinadas por escrito, algo que raras vezes sucedia. E o Jornal da Noite dessa segunda-feira estendeu-se das 19.58 às 21.44. Quase duas horas.

Talvez seja mera coincidência. Ou talvez não.

 

Texto publicado no semanário Novo

24 comentários em “CNN apareceu, SIC em mobilização total”

  1. A CNN passa o tempo a falar de bola e do Benfica (todo o desporto é motivo para falar do Benfica, até quando não estão a falar do Benfica). O prime-time das 8 ó clock é para os labregóides da bola, o jornal das 9 é só para disfarçar. Isto é que é a nova maneira de fazer informação?

    1. Tem toda a razão.
      Só Benfica, só Benfica até chateia. Nem uma notícia do Pinto e arredores só para variar.
      O que vale (não é o tal) é esta CNN ser vista se eu quiser pagar para a ver, se não quiser mudo de canal. É o que tem de bom os telecomandos: podemos mudar quando não gostamos.

  2. qualquer delas «vai-te Qatar»
    enquanto ‘peidalo’ vejo os canais História e Odisseia
    Sic noticiou a candidatura a PR de ERIC ZEMMOUR
    autor de Le Suicide français disponível na Net

  3. Muito provavelmente, alguns deslumbrados pelos nomes e pelas marcas terão as maiores expetativas quanto à alteração da crosta, esquecendo que o núcleo será sempre o mesmo – acionistas, dirigentes de topo e por aí fora. Logo, a filosofia do canal também.
    O ‘novo’ formato, que oportunamente refere, de entrevistas aos bocadinhos, diz muito do muito pouco promissor que, seguramente, por aí vem…

  4. Passo raramente por lá, mas parece-me ser os mesmos formatos, as mesmas caras, a falar das mesmas coisas, com um logo diferente.

  5. Fazer um novo canal informativo só com caras “velhas” é a mesma coisa que fazer uma nova refeição com as sobras do dia anterior, por muita maionese que se ponha nunca disfarça o sabor a requentado.

  6. Bem, sejamos práticos. Importa referir que esta entrada da cnn na versão lusitana aparenta contrariar a estatização da informação em Portugal. Estatização bastante notória depois que o social-fascismo se estabeleceu com a geringonça, que só agora se lembrou que andava emperrada.
    Esta estatização vai em sentido do que os canais de televisão, ditos de referência, pelo mundo operam. A cnn não é excepção, como ficou provado no apoio ao também social-fascista-feminista-abortista-arco-irista Biden. E sempre contra o maravilhoso presidente do mundo, que voltará a ser, Trump.
    Putin é o grande homem da informação ao permitir a introdução no mundo da verdadeira liberalização informativa, através da RT. A par desta liberalização realço o jornalismo independente que a muito custo vem fazendo sua trajectória no mundo.
    Dito isto, se quiserem informação independente, leiam-me. Minha informação é de outro mundo: celestial.

    1. Ó Vento essa é enigmática, que grande sopa da pedra.
      Quase que chegava à conclusão sobre o vento ser analfabeto: uma ventania arrancou as belas rosas dum jardim onde era proibido colher flores.

      1. Querida, as coisas celestiais são sempre enigmáticas aos olhos que as não alcançam. Beijinhos e boa literatura para aprendizagem. Recomendo comece pelo abecedário.

    2. “Importa referir que esta entrada da cnn na versão lusitana aparenta contrariar a estatização da informação em Portugal.”

      Não convidaram os politicos para a inauguração?
      Como todos os orgãos de comunicação social vão promover ainda mais a hiper-polítização das nossas vidas.
      Em vez de falarem -e assim incentivarem- a criação, invenção, fazem a sociedade gastar cada vez mais recursos na política. Começa logo na atenção que temos que lhe dedicar devido ao poder crescente que tem a política por acção dos jornalistas.
      Os jornalistas são uns dos grandes construtores do moderno totalitarismo.

  7. Os noticiários nas TVs são extensas, infidáveis, distópicas, aulas de virulogia.
    Curioso é que os lentes, os professores convidados e demais luminárias ou se contradizem ou se repetem sem grande convicção, numa ladaínha já tida como obsoleta em outras geografias noticiosas.
    A quem interessa tanta doentia, distorcida, propaganda?.

  8. Eu de vez em quando via a TVl 24,mudei para ver a “nova”CNN não consigo ver aquilo. O grafismo,a imitação da original,as mesmas pessoas, não me convenceram… Continuo fiel á SIC/N e RTP3.

  9. Amiguinhos e amiguinhas, a propósito da chegada da cnn (canal – ainda – não nacionalizado) aproveito para uma reflexão independente:
    os dependentes órgãos ditos informativos mantêm a linha dos nossos governantes de Bruxelas e outros lugarejos no mundo com a seguinte propaganda:
    https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/covid-19-bruxelas-pede-restricoes-mais-vacinacao-e-doses-de-reforco-devido-a-omicron
    é sabido que na boca dos porta-voz de Bruxelas, entenda-se, Costa e Marcelo, há uns mesitos atrás Portugal era o supra-sumo da boa aprendizagem em matéria de como administrar uma “boa” dose de vacina na população. E até estava no primeiro lugar em percentagem da população vacinada.
    Vai daí, Bruxelas, contrariando a minha autoridade de grande especialista e cientista, dizia que tudo andava sobre rodas, sem jantes – obviamente -, e os demais deviam seguir as pisadas. Os grandes cientistas e políticos internos garantiam que era de todo impossível um aumento significativo de casos, pois o pior já tinha passado. O jornalismo cacique fazia eco de tudo isto.
    Entretanto, os dados revelam que toda essa “fala” não passava de pantominice; e as últimas 24 Horas dizem o seguinte:
    https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/covid-19-portugal-regista-17-obitos-e-4-670-novos-casos-nas-ultimas-24-horas

    Dito agora de uma outra maneira, aproveito a afirmação de Narana Coissoró ( https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/narana-coissoro-cds-se-pusessem-um-macaco-a-frente-do-partido-votava-no-macaco) para reflectir que se temos um político desapontado com a política e apelando a vinda de um animal para regularizar as coisas, o bichinho covid é o animal anti-sistema que precisávamos para nos orientar na libertação da escravidão imposta pela política e de quem se arma ao político para continuar a empurrar-nos para situações ou soluções desprezíveis, oportunistas, inconsequentes, delapidadoras do erário público das nações em benefício de estratégias económicas de grupos que disto se aproveitam em nome de uma suposta ciência.

    O livro de Alves Redol, Barranco de Cegos, é o retrato de um Portugal politico labrego e provinciano, que, tal como a afirmação do evangelho de Mateus, nos deixa claro que permanecemos com cegos a guiar cegos.

    Amiguinhos e amiguinhas: lavem as mãos com frequência, usem máscara em todos os recintos fechados, observem as alterações de temperatura corporal, arejem os ambientes domésticos e não domésticos com frequência, vejam com os vossos médico(a)s os níveis de vitamina (hormona) D3 e se necessário e possível suplementem as carências, sempre coadjuvando a vitamina K2 mk7. Façam caminhadas frequentes e festejem um Natal em paz e harmonia dentro e fora de casa. O Natal não é um momento de família, mas que nos leva a reflectir que devemos fazer família com todos os demais, exceptuando cientistas e políticos de quem nos devemos proteger por agora.

    Nota: os testes verdadeiramente fiáveis e confiáveis são os PCR. Portanto, tal como proposto para as vacinas e certificado de vacinas, não confiem demasiado nos restantes que vos são indicados.

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