
Adolfo Mesquita Nunes: «Por quem sofremos primeiro quando abraçamos um grande amigo que acaba de perder o pai? Por ele, que enfrenta a morte e chora no nosso abraço, ou por nós, que somos chamados a enfrentá-la de novo?»
Ana Vidal: «Além da perturbação estética causada pelas palavras mutiladas, que partilho com Gonçalo M. Tavares, há um erro grosseiro de avaliação por detrás do Acordo Ortográfico: ao contrário do que supõem os iluminados da “normalização” – o próprio conceito já assusta, se nos referimos à língua – as novas regras não eliminam, e ainda bem, as variantes semânticas que existem no uso das mesmas palavras, quer sejam escritas de forma idêntica ou não. As expressões idiomáticas locais traduzem e sublinham as diferenças entre países que partilham a mesma matriz linguística, e de uma língua falada em cinco continentes só pode esperar-se que seja, desejável e saudavelmente, diversa.»
Cláudia Köver: «A única coisa triste acerca deste testemunho é o facto de vir a originar dezenas de respostas que refilam incessantemente: “isto é apenas um bom exemplo”. Enquanto que, se o relato aqui apresentado exibisse um resultado desastroso, tomavam-no pelo todo.»
João Carvalho: «Feriado porquê? Por causa das memórias sobre os conjurados? Ou por causa da grandeza daquele que foi o líder visionário? É bom decidir, para se saber se deve continuar a ser feriado ou não.»
José António Abreu: «José Alberto Carvalho, há minutos, no Jornal da TVI: “Nas últimas horas, os mercados voltaram a atacar. Os juros da dívida pública portuguesa bateram novos máximos e Espanha e França também foram atingidas. Espanha foi ao mercado financiar-se e pagou os juros mais altos desde a entrada do país na moeda única.” Portanto: os países “vão aos mercados” mas estes é que “atacam”? Devo estar a ver mal a mecânica da coisa porque, assim de repente, parece-me que “os mercados” se defendem. Ou, no limite, que contra-atacam.»
José Gomes André: «A crise chama o populismo, que com ele traz a vertigem pelo acessório, pelo trivial, pelo mesquinho. Nos últimos dias, os jornais, os blogs e as redes sociais encheram-se de indignados comentários sobre o ministro que trocou a Vespa pelo Audi, o deslize freudiano de um deputado e uma pretensa “gaffe” da Presidente da AR. No entretanto, a União Europeia vive a maior crise da sua história e o euro está em colapso. Vamos empobrecer drasticamente, recuar ao PIB dos anos 80, ter taxas de juro brutais, um desemprego galopante e um clima económico irrespirável.»
José Maria Gui Pimentel: «A actual crise da dívida soberana é um infeliz exemplo da mentalidade “meias tintas” da burocracia europeia. Mais de ano e meio depois, os políticos europeus continuam presos na armadilha de temerem o fim do euro e de recusarem ao mesmo tempo tomar as medidas necessárias para o evitar. Embora a considere muito arriscada, vejo com simpatia a ideia de que um sistema capitalista tem forçosamente de deixar falir as empresas/bancos que falham. A ser aceite, este princípio teria sido aplicado logo no início, quando os elevados custos de protecção da banca ainda eram inexistentes.»
Luís M. Jorge: «Não lerás posts que incluam as palavras ou expressões neoliberal, imperialismo, cabala, ataque pessoal, acima das possibilidades, especuladores internacionais, despesismo, politicamente correcto, eduquês, contenção, novas formas de luta, corporações, populista, indignados, pacote de ajuda, sacrifícios e competitividade.»
Rui Rocha: «Temos o prazer de anunciar 2 (duas) novas entradas: Faxínora: estudante do ensino superior privado que envia trabalhos por fax. Faxineiro: estudante do ensino superior privado que envia fax domingueiro.»
