Quando se fala de salsa, da planta herbácea, não da dança, muitos dizem que aquela tem propriedades afrodisíacas, ou seja, que excita a afrodisia. Nem todos saberão que algures num tempo passado existiu uma cidade dedicada à deusa do amor e da sensualidade. A 170 km de Kusadasi, no sopé do monte Baba Dagi, nas proximidades de um rio chamado Meandros, erguia-se Aphrodisias. Da cidade culta e refinada de outrora, onde se venerava Afrodite, restam o Teatro, construído sobre a Acrópole pelos gregos no século I a.C. e depois restaurado por Marco Aurélio, as ruínas das Termas de Adriano, o “Bouleuterion”, local de reunião do conselho da cidade, as colunas jónicas do antigo Templo de Afrodite e, em especial, o fabuloso estádio, onde podiam sentar-se 30.000 espectadores e em que todos e cada um dos lugares garantia visibilidade absoluta. Os baixos relevos, os túmulos, as estátuas greco-romanas, a cabeça de Apolo, o seu estado de conservação quase perfeito, levaram a que um arqueólogo lhe chamasse a Florença greco-romana. E o caso não é para menos numa cidade cujas origens remontam à idade do bronze, isto é, a 3000 a.C. Por ali passaram gregos, romanos durante cerca de 300 anos, seljúcidas e otomanos, até ser saqueada em 1403 por Tamerlão.
Cinco breves notas de viagem (3)
Sérgio de Almeida Correia,


