Há seis anos que o oiço e vejo diariamente. Não posso dizer o mesmo em relação à maioria das pessoas que considero íntimas. Por isso, apesar de nunca ter privado com ele, há traços psicológicos que lhe identifico sem hesitar, como a ambição e a obsessão com a imagem. A ambição em política não é defeito, pelo contrário, já a preocupação com a imagem, quando se torna obsessiva, é inquietante, porque mais tarde ou mais cedo dificulta a relação que se estabelece com a realidade, essa rapariga rebelde e inconveniente.
Foi isso que lhe aconteceu. Confrontado com as primeiras dificuldades da governação, para não expor as suas fragilidades recorreu à propaganda. Os resultados, que culminaram na sua reeleição, em 2009, foram encorajadores. Indicaram-lhe que podia prosseguir, confiante, pela via ficcional. Dizem que mente, mas se há algo de genuíno nele é o amor pelo Portugal de sucesso que inventou. O único espelho que lhe devolve a imagem que tem de si próprio: a de um homem de sucesso.
Receio que uma nova vitória eleitoral o dissocie ainda mais da realidade. António Barreto, já aqui citado, tem razão. Ele deve ser punido. Por razões políticas, mas também terapêuticas.


Que bem escrito, Teresa.
Sabes que hoje ouvi falar muito bem de ti. Que és uma excelente jornalista. Quem o disse foi um bom jornalista da velha guarda, o Carlos Albino. Óbvio que eu concordei… 🙂
Obrigada, João. Um beijinho para o Carlos Albino.
Há uma coisa que o ‘espelho’ não lhe dá: auto-consciência. Definitiva-mente.
Li na psicologia (Sociologia), que a nossa imagem no espelho pode contribuir para o desenvolvimento da ‘auto consciência’.
Sem aplicação, neste caso.
«Ouvi-lo na AR, vê-lo em público quase diariamente em acção/campanha, lembra-me a observação de um coronel professor universitário de Sociologia: que tempo lhe resta para governar (pensar)?» – enviado ao I.
Excelente descrição
O PS se rendeu ao aloprado mentiroso Guru, de obras grandiosas, do Portugal maravilha, por onde o dinheiro abunda para regalo de todos que o cercam e também empreiteiros. Não sabe administrar uma estatal no vermelho, como governar um país?
Excelente retrato psicológico do inominável, Teresa.
Ter um Primeiro Ministro que anda sempre em negação é um problema, Pedro.