Era francesa mas gostava tanto de beber chá que todos lhe diziam mais parecer inglesa. Tendo certamente ouvido o comentário milhares de vezes, ela sorria sempre. Falava com um sotaque que ele achava inebriante, misturando palavras em português com palavras em francês e fazendo pausas inesperadas, como se seguisse regras muito próprias acerca dos sítios onde encaixar as vírgulas. Quando, pela hora do lanche, sentada à frente dele, dizia, com um suspiro de prazer: «Eu amo thé», ele ficava sempre um instante em suspenso, tentando perceber exactamente o sentido das suas palavras.
(Também aqui.)

Muito janota.
N’est-ce pas? 😉
Que tipo de bolachas preferes?
Também podem ser scones.
Não sou nada gulosa, mas scones com nata fresca, a puxar para o acre? Mnham, mnham… Mesmo assim, nada que se compare às portuguesíssimas ‘raivas’ (a sério, chamam-se mesmo assim 😉
Já ouvi falar delas mas acho que nunca comi raivas. Tenho de tratar do assunto.
For me, for me … Formidable.
( Vénia a Aznavour…).
Outros tempos, outras virtudes. Era assim quando as palavras eram importantes e tinham sentido;melhor dizendo – eram sentidas.
Está a chamar-se antiquado, mfm?
Estou a brincar. É uma historinha que evoca outros tempos, de facto.
Outros tempos … Esqueceu que o mundo mudou – numa semana.
Gostei. Poderias arranjar uma etiqueta para esta série : contos de porcelana.
🙂
Gosto da sugestão mas não tenho a certeza de conseguir fazer-lhe sempre jus.
Comment s’ appelle elle? Mademoiselle Camomila?
On pourrait parler aussi d’une femme nommée Melissa! *
* (cidreira!)
🙂
Melissa. Ça me sonne très bien.
Não sei o nome da senhora mas as sugestões são excelentes.
Afinal não é só o protuguês que é uma língua traiçoeira 🙂
Pois não. O farncês também é. 😉