Chá


escafandro,

Era francesa mas gostava tanto de beber chá que todos lhe diziam mais parecer inglesa. Tendo certamente ouvido o comentário milhares de vezes, ela sorria sempre. Falava com um sotaque que ele achava inebriante, misturando palavras em português com palavras em francês e fazendo pausas inesperadas, como se seguisse regras muito próprias acerca dos sítios onde encaixar as vírgulas. Quando, pela hora do lanche, sentada à frente dele, dizia, com um suspiro de prazer: «Eu amo thé», ele ficava sempre um instante em suspenso, tentando perceber exactamente o sentido das suas palavras.

 

(Também aqui.)

18 comentários em “Chá”

      1. Não sou nada gulosa, mas scones com nata fresca, a puxar para o acre? Mnham, mnham… Mesmo assim, nada que se compare às portuguesíssimas ‘raivas’ (a sério, chamam-se mesmo assim 😉

  1. Outros tempos, outras virtudes. Era assim quando as palavras eram importantes e tinham sentido;melhor dizendo – eram sentidas.

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