Era uma vez…


Ana Vidal,

… mais um caso de corrupçãozinha e favorecimentozinho neste país de inhos em que quem não se aproveita é parvinho. Agostinho Branquinho (agora mais para o encardidinho, mas adiante), que é espertinho e não anda cá a ver passar os comboiozinhos, quando era deputadinho teve uma bela ideiazinha: com uma manobrazinha de diversão digna de um verdadeiro Houdinizinho, ajudou um amiguinho a licenciar um hospitalzinho que estava naquelas meias tintazinhas do costumezinho: nem abria nem saía… do caminho. E como se chamava o hospitalzinho? Ora, claro, S. Martinho! Moral da historiazinha: agora andam ambos às voltinhas com um processozinho. Veremos como acaba o bailinho, mas diz-me a experienciazinha que talvez ainda os espere um happyendezinho.

 

Nojo


Teresa Ribeiro,

Depois de levar consistentemente um país quase à bancarrota de quanto tempo precisa um homem para arriscar a pôr o pescocinho de fora e dar umas opiniões sobre a liderança de uma nação? A resposta é: depende. Há países em que o período de nojo passa a correr.

Da indignação


Teresa Ribeiro,

Painéis sobre painéis de comentadores têm desfilado diariamente nas televisões e nos jornais a perorar sobre a nossa crise, com uma indignação que me interessa. Como cresci a ver portugueses a indignar-se com outros portugueses e eu mesma, é claro, aprendi cedo a fazer o mesmo, pergunto-me porque me anda a interessar tanto esta indignação.

Também vejo políticos a desfilar nesta montra, muito ofendidos, quase revoltados, com o estado a que isto chegou. Os políticos são quem mais me fascina. É notável a sua prestação. Levam o estado de negação, tão característico dos tugas, ao paroxismo, quando recordam que estamos agora a sofrer o resultado de trinta anos de políticas erradas. Todos se indignam com a inépcia de todos como se não fizessem parte do problema.

Sempre foi assim. Nós somos assim. Se calhar é atávico. É, de certeza, disfuncional. Andarmos permanentemente a fazer papel de outsiders, excluindo-nos assim das responsabilidades, é o nosso maior problema estrutural, porque viabiliza a inconsequência em que nos estamos a dissolver. 

Talvez o espectáculo da indignação me interesse mais agora porque nunca foi tão pujante. Com a casa a arder o teatrinho evoluiu, como seria de esperar, para um registo operático. É mais alucinante e insano, o que  me permite ter uma consciência muito mais apurada da nossa realidade demencial.