Para o calor tropical a Ana Margarida recomenda um livro que nos transporta para o gelo nórdico. Fiquei a pensar nisto. Se um livro tem a faculdade de nos transportar para outro lugar ou contexto ou, neste caso, temperatura, porque não aproveitar a boleia para moderar a tortura solar?

Mas depois lembrei-me de uma das mais interessantes experiências de leitura que tive, talvez determinante para ter gostado tanto do livro: a leitura d’ O Deserto dos Tártaros, de Dino Buzzati, nos dois ou três dias mais quentes (os jornais gostam muito do campeonato das temperaturas) de um Verão qualquer.
Se o tivesse lido numa noite de Inverno talvez não tivesse compreendido tão bem, ou não tivesse quase sentido, aquela solitária e angustiante espera ao Sol.
Não, Ana. Se o livro nos pode transportar para outro lugar, talvez seja preferível evitar que a realidade dificulte a tarefa.



