“Livros de cabeceira” tenho vários, mas raramente os levo para a cama. São obras fetiche, algumas primas, outras nem por isso, a que volto para sentir de novo as vibrações da primeira leitura, ou recordar certas passagens à procura de estímulo criativo ou intelectual. Tenho entre esses títulos poesia, muitos livros de contos, ideais para debicar, Lobo Antunes, o camaleónico Livro do Desassossego, que nunca proporciona duas leituras iguais, paixões antigas como Eça, Scott Fitzgerald, Jorge Amado, Camus e Greene. Menos antigas como John Updike, Saul Bellow, Duras, Yourcenar e Vargas Llosa, recentes, como Roberto Bolaño, Philip Roth e Don Delillo.
Como raramente leio mais do que um livro ao mesmo tempo, na mesa de cabeceira tenho neste momento Na América, de Susan Sontag, de que deixo aqui algumas citações:
“Não te parece mesmo americano que a América tenha a sua América, um destino ideal para onde todos sonham ir?”,
“O americano é alguém que a todo o momento deixa tudo atrás de si”,
“Talvez seja essa a definição de optimista: alguém que nega o poder do passado (…) A debilidade de qualquer ligação ao passado é talvez a característica que mais nos impressiona nos americanos. Fá-los parecer superficiais, ocos, mas confere-lhes uma grande força e autoconfiança. Não se sentem diminuídos por nada”.
Trata-se de um romance (galardoado em 2000 com o National Book Award) mas é quando a ensaísta se insinua na ficção que Na América ganha mais fôlego.





