Deve haver um Murphy que ponha em forma de lei natural o modo como os livros se acumulam junto à mesinha de cabeceira, cada vez que são retirados, sem regresso, da estante. Nem que seja para lhes consultar umas linhas que me apetece reler, um episódio que me ocorreu recordar, uma frase de cujo encadeado me quero apropriar, vou ao escritório acordar o livro do seu sossego, racho-o ao meio com os dedos à procura da página certa, roubo o que nela se preserva e depois abandono-o, de barriga para cima, como um animal saciado. Detesto ler na cama, fica quente de um calor desconsolado, mas adormeço com os livros ao lado – a gente cá se entende.


Sei bem o que isto é, meu caro. Mas consegui finalmente ordenar o caos (hum… onde é que eu já ouvi esta expressão?)
Caro José Navarro,
E não quer partilhar um ou dois títulos connosco?
🙂
Antonieta
Cara Antonieta, em cima: “Blood’s a Rover” de James Ellroy: LA e Las Vegas anos 60, frases curtas e sanguinárias, substantivos torcidos e idiomáticos, descida a um poço negro. Difícil mas muito gratificante. Debaixo, o volume da “História do Mattoso” relativo ao séc XIX; o livro laranja e amarelo torrado que desponta a seguir é “Vou Lá Visitar Pastores” de Ruy Duarte de Carvalho, será mania minha mas deve ser um dos melhores livros em língua portuguesa dos últimos 20 anos, uma viagem aos kuvale do Suld e Angola, que começa por ser uma pesquisa etnográfica mas enreda-se em muitos fios narrativos. E por aí fora, pilha abaixo…
Quando vi o artigo no meu agregador de blogues pensei que era de Pedro Correia, depois vi que comentara, só então me apercebi que não era dele.
Mas já que a falar de livros a gente se entende, uma questão: são os livros sublinháveis na frases ou parágrafos que nos marcam quando os lemos?
Como guardam essas frases para as terem à mão quando vos der vontade de as citar?
Caro Carlos, cada um terá a sua receita, a minha é, contraditoriamente, esquecer… As frases hão-de vir à memória quando se precisa delas.