Diz um jornal italiano que este livro é escrito de forma “forte, complexa e obsessiva, como Saramago”. Isso não sei, nem me importa muito tecer considerações sobre tal. O certo é que este livro que estou a reler, além de ter ganho o Prémio União Europeia da Literatura (2010), autoria de Goce Smilevski, é bem escrito, intrigante e dá uma outra perspectiva sobre Freud, a família, o tempo da guerra.
Na contracapa lê-se: Terá sido Sigmund Freud responsável pela morte da irmã num campo de concentração?
Não é um livro sobre um campo de concentração, antes uma história sobre uma mulher que não ficou para a História. E, sim, Freud podia tê-la levado para longe de Viena e do nazismo – estamos em 1938 – mas das 16 pessoas autorizadas preteriu a irmã e levou o cão. Goce Smilevski , o autor, nasceu em 1957, a actual Macedónia, estudou em Praga e na Universidade de Skopje, onde trabalha no Instituto de Literatura. É autor de vários romances e peças de teatro. A ler.


Vou aceitar a sua opinião e vou lê-lo. Já agora, um óptimo livro para quem quer ficar na história: A IMORTALIDADE de Milan Kundera
Ó Patrícia sempre tive imensas dúvidas sobre o “carácter”do personagem. Esta preferência, agora relembrada, voltou a dar-me volta ao estômago…
🙂 como te compreendo, querida. beijo
Não fazia ideia… Fiquei com vontade de ler, mais um para a lista interminável. Obrigada por esta partilha.
Maria, a Imortalidade é um dos meus livros de sempre e acho que Milan Kundera deveria ser mais lido e divulgado. Parece que teve um auge e, depois, desapareceu. Mas os livros estão aí. Boa semana
A imortalidade parece-me dos livros mais fraquinhos de Kundera. É um livro em que ele nos aparece finalmente totalmente imerso no universo intelectualmente fútil da França.
Livros como O riso e o esquecimento ou A valsa do adeus são muito melhores.
É deveras ridículo culpar Freud por uma morte num campo de concentração, quando no tempo de Freud os judeus ainda não eram sistematicamente assassinados em campos de concentração. Ademais, é mais que sabido que Freud nem sequer queria fugir da Áustria, tiveram quase que arrastá-lo, pois ele não estava convicto de que houvesse perigo para ele.
Opiniões, Luís, certo? Eu gosto dos livros do Kundera, em geral. Os escritores não são regulares e há gostos e identificações que muitos têm com o livro A que não têm com o livro B. Boa semana:)
Não percebo a frase: «mas das 16 pessoas autorizadas preteriu a irmã e levou o cão». Ele levou 15 pessoas mais o cão? Ou foi uma de 16 pessoas autorizadas a levar alguém consigo?
Cristina, tinha autorização para levar consigo 16 pessoas, em vez de levar 16, levou e o cão. Seja com for, é um livro, é ficção, mesmo que tenha uma base histórica. Eu gostei do livro, a ideia desta série colectiva é isso: dizer os livros estão connosco de momento. Espero que, caso venha a ler, goste também. Uma boa semana:)
Não levou pessoas nenhumas e levou o cão? Intrigante, sem dúvida. Mas a Patrícia diz que é ficção…
De qualquer maneira, fiquei curiosa, sim.
Respeito muito Freud, porque respeito todos aqueles que se dedicam a uma profissão muito ingrata, que é tentar reparar danos causados por outrém, numa tentativa de fazer as pessoas mais felizes. Nem todos são bons profissionais, nem todos os bons são bem sucedidos. E é verdade que em nome da Psiquiatria/Psicologia já se deram muitos crimes. Mas o mesmo se pode dizer para a Medicina…
Freud teria muitos defeitos, mas foi o primeiro a procurar bases científicas para algo que, na época, era considerado, na versão mais inofensiva, exótico, de qualquer maneira, sem solução. Quando criticamos hoje as clínicas psiquiátricas e os seus profissionais, esquecemo-nos que, antes de Freud, as pessoas com problemas desse tipo eram mesmo tratadas como animais, postas em jaulas, escondidas, torturadas e desprezadas.
Conhece a cena final do filme “Amadeus”?
Sim, Cristina, lembro-me bem:) Freud levou 15 pessoas e o cão. É uma personagem importante na História, não haja dúvidas, por isso gostei do livro. Boa semana
Depois de escolher 15 pessoas, recusou a irmã?
Interessante, sem dúvida. Os ódios (ou as indiferenças) que se criam numa família! É um tema que me fascina.
Obrigada, boa semana também para si 🙂
Começa bem, esta nossa série colectiva. Com uma boa sugestão de leitura.