Legislativas (11)


Pedro Correia,

FALTA DE MEMÓRIA E FALTA DE VERGONHA

 

Alberto João Jardim apoia a lista de candidatos a deputados aprovada pelo Conselho Nacional do PSD e manifestou a sua solidariedade a Manuela Ferreira Leite. O mesmo Jardim que em Janeiro deste ano apontava a porta da demissão à líder do PSD se não conseguisse derrotar José Sócrates nas legislativas. E que nessa mesma altura afirmava alto e bom som que os sociais-democratas não deviam "jogar para empatar, mas para ganhar". Não sei que pressões poderão ser maiores que estas: por muito menos, Pedro Passos Coelho foi acusado de conspirar contra Ferreira Leite.

Alberto João Jardim aplaude agora as escolhas da líder, que acaba de confirmá-lo como cabeça de lista (fictício) pela Madeira. O mesmo Jardim que em Abril de 2008, enquanto apoiava Pedro Santana Lopes para presidente do PSD, salientava que Ferreira Leite “faria um grande serviço ao partido não se candidatando”. E porquê? Porque não teria "hipóteses de ganhar 2009”.

"De todas as candidaturas a que não apoio é a de Manuela Ferreira Leite. Estou claramente contra", afirmou Jardim em Abril do ano passado. Foi apenas há 16 meses mas parece ter sido há décadas, tanta é a falta de memória de uns e a falta de vergonha de outros. Em Lisboa e no Funchal.

AJJ, déspota coerente, quer o exclusivo do poder totalitário,


André Couto,

ou dito de outra forma quer ser representante único de uma certa forma de exercer a democracia em Portugal. Como pessoa frontal que é, valha-lhe isso, veio hoje a terreiro dizer que quer proibir o comunismo na Constituição da República Portuguesa, esperando para isso contar com o apoio da direcção de Manuela Ferreira Leite. Parece-me justo. Manuela Ferreira Leite deixou bem claro há meses que também partilha daquela forma de viver a democracia, pelo que o apoio são favas contadas. Não percebo o embaraço do PSD, pensei que a reacção fosse fácil e linear.

 

 

(também no CC)

O sono dos injustos


jmmcc,

«A Assembleia Legislativa da Madeira tem pago pareceres jurídicos para fundamentar, ou para justificar a posteriori, iniciativas legislativas ou meros caprichos eleitoralistas» da maioria madeirense. Pagos assim pelo Orçamento, tais pareceres «custam, em média, 25 mil euros cada e, na generalidade, são encomendados por ajuste directo a juristas da área social-democrata, actuais ou ex-deputados».

Ora, a apetência de Alberto João Jardim para disparar sobre tudo e todos costumava ter o contraponto dos seus pares, que corriam sempre a assinalar o exercício impoluto do presidente do governo regional e líder do PSD-M. Porém, as irregularidades sobre as viagens aéreas de Jardim, estas adjudicações directas aos amigos suportadas pelo erário público e outras escandaleiras estão a minar a auréola do desbocado todo-poderoso da Madeira.

Tudo isto parece confirmar o que há muito se sabe: por princípio, o exercício do poder por tempo indeterminado não é recomendável. Embora, também por princípio, o País e os visados continuem a dormir o sono dos justos. Injustamente.

Política de Verdade: A Mentira


André Couto,

Então mas a grande virtude da Dra. Manuela Ferreira Leite não era o facto de ser séria, marcando suposta diferença em relação aos outros?

Parece que a provecta idade e o ar politicamente correcto que lhe permitem apregoar a "Política de Verdade" Portugal fora se encontram sustentados em pés de barro. Digo isto porque no (altamente insuspeito) Público de hoje, Alberto João "Jardim revela ter negociado com Ferreira Leite a renúncia de duas candidatas, deixando o nome proposto pela Madeira em condições de ser reeleito" para o Parlamento Europeu.

A Dra. fez a negociata, deixou a Madeira satisfeita apesar da despromoção de Sérgio Marques de 6º para 8º, mas esqueceu-se que o Regime vigente é orgulhoso e tem de justificar ao País tamanho insulto. E justificou. Disse que não foi um insulto, disse com naturalidade que foi uma fraude à Lei das Quotas e aos Portugueses.

Fica à vista que Alberto João Jardim é no PSD quem pratica a Política de Verdade. E quando assim é, não há muito a dizer.