Maio de 2015: os meus votos


Pedro Correia,

Figura nacional do mês

Helder Santinhos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação Civil, liderou uma greve de dez dias na TAP. A paralisação – a que parte dos pilotos não aderiu – causou «um dano de 30 milhões de euros» à empresa, revelou o sindicalista.

 

Figuras internacionais do mês

Ada Colau, activista catalã apoiada por uma plataforma de movimentos da esquerda radical, venceu em 24 de Maio a eleição autárquica em Barcelona e prepara-se para liderar a câmara.

Nicola Sturgeon, a nova líder nacionalista escocesa, elegeu a 8 de Maio  56 dos 59 deputados na Escócia para o Parlamento britânico, relançando o debate sobre a independência.

 

Facto nacional do mês

Nos primeiros dez dias de Maio, a TAP foi abalada por uma inédita greve dos pilotos. Um facto que não travou o processo de privatização da empresa, agora em curso.

 

Facto internacional do mês

Vitória clara do Partido Conservador, que conquistou  maioria absoluta nas eleições de 8 de Maio no Reino Unido, contrariando todas as sondagens. David Cameron, no poder desde 2010, deixou de necessitar dos liberais para formar maioria.

 

Frase nacional do mês

«Esta pega, feia, gorda, invejosa, nojenta, salazarenta, cretina e complexada, acha que dizer mal dos outros no FB não tem mal nenhum.» (Sofia Fava, ex-mulher de Sócrates, escrevendo sobre a Procuradora-Geral da República no Facebook)

 

Frase internacional do mês

«Leio todos os discursos do Papa. Se continua a falar assim, um dia destes vou recomeçar a rezar e regressarei à Igreja Católica. E não estou a dizer isto a brincar.» (Raúl Castro, ditador comunista cubano, falando no Vaticano após audiência com o Papa Francisco a 10 de Maio)

Abril de 2015: os meus votos


Pedro Correia,

Figuras nacionais do mês

Paulo de Morais (no Porto, dia 18) e  António Sampaio da Nóvoa (em Lisboa, dia 29) anunciaram candidaturas à Presidência da República.

 

Figura internacional do mês

Hillary Clinton, em jogada de antecipação face a potenciais rivais, anuncia candidatura à Presidência dos Estados Unidos.

 

Facto nacional do mês

Relatório parlamentar sobre o caso BES aprovado a 29 de Abril, em clima de raro consenso, na Assembleia da República. Redigido pelo social-democrata Pedro Saraiva, mereceu a aprovação do PSD, PS e CDS, com a abstenção do BE e apenas o voto contra do PCP. Documento aponta responsabilidades a Ricardo Salgado mas também critica o Banco de Portugal pela actuação “tardia” no processo que conduziu à derrocada do Grupo Espírito Santo.

 

Facto internacional do mês

Brutal sismo  no Nepal, a 25 de Abril, provoca mais de 7200 mortos e 14.355 feridos, destruindo grande parte do centro histórico de Catmandu, património mundial da Humanidade, e cerca de 70 mil habitações. O terramoto, que teve grau 7,9 na escala de Richter, afectou oito milhões dos 28 milhões de nepaleses.

 

Frase nacional do mês

«José Sócrates não confiava nos modos normais de circulação de fundos.» (Pedro deLille, um dos advogados de Sócrates)

 

Frase internacional do mês

«No século passado, a nossa família humana passou por três tragédias sem precedentes. A primeira, que foi largamente considerada como o primeiro genocídio do século XX, atingiu o povo arménio.» (Papa Francisco, referindo-se ao massacre de um milhão e meio de arménios em 1915 com palavras que enfureceram as autoridades turcas)

Comemorar o 25 de Abril em beleza


Sérgio de Almeida Correia,

O facto de vir de fora não me aquece nem arrefece e, neste caso, o uso do argumento até deve ser visto como mais um sinal de provincianismo.

À beira de se comemorar mais um aniversário do 25 de Abril, a apresentação de um vergonhoso projecto controleiro para a comunicação social, cozinhado pelo PSD, pelo PS e pelo CDS-PP, visando a apresentação de planos prévios de cobertura, constitui mais uma acha no caixão do actual regime e a prova final da irreformabilidade do país. Em vez de se responsabilizar, que seria o correcto, prefere-se tomar conta.

A ideia de alguns jornalistas de boicotarem a cobertura da pré-campanha e da campanha eleitoral não me parece que seja errada. Seria mau para os partidos, evidentemente, mas óptimo para os eleitores que se livrariam da poluição sonora e visual em benefício do descanso e tempo de reflexão que lhes proporcionaria. Poupados às habituais patacoadas de campanha e aos espectáculos circenses que normalmente estão associados a esses períodos, essa poderia ser uma boa maneira dos portugueses começarem a pensar em fazer um 25 de Abril que não fosse tão deturpado e enxovalhado, em tão pouco tempo, pelas fossilizadas forças do regime. Bastaram 40 anos, só 40 anos, para se regressar a uma espécie de visto prévio para a imprensa.

Estarei errado? Talvez, mas assim também não há democracia que resista.

Março de 2015: os meus votos


Pedro Correia,

Figuras nacionais do mês

Henrique Neto, primeira candidato assumido às presidenciais de 2016

Miguel Albuquerque, vencedor da eleição regional na Madeira após 37 anos de jardinismo

 

Figura internacional do mês

Nicolas Sarkozy com vitória clara nas eleições regionais em França: «A alternativa está em marcha, ninguém vai detê-la», proclama

 

Facto nacional do mês

Acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça e do  Tribunal da Relação de Lisboa validam tese do Ministério Público, prolongando e fundamentando prisão preventiva de José Sócrates

 

Facto internacional do mês

Um avião da companhia aérea Germanwings despenha-se contra uma montanha nos Alpes com 144 passageiros e seis tripulantes. Não houve sobreviventes. O acidente foi provocado pelo próprio co-piloto da aeronave.

 

Frase nacional do mês

«Temos cofres cheios.» (Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque)

 

Frase internacional do mês

«A Grécia não pode sair do euro. Se saíssemos, a seguir sucederia o mesmo a Espanha e à Itália. E a dado momento também à Alemanha.» (Panos Kamenos, líder do partido da direita radical Gregos Independentes e ministro da Defesa no governo de coligação liderado pelo Syriza)

Fevereiro de 2015: os meus votos


Pedro Correia,

Figura nacional do mês

Luís Figo formaliza candidatura à presidência da FIFA

 

Figura internacional do mês

Yanis Varoufakis, novo ministro grego das Finanças

 

Facto nacional do mês

INE revela que Portugal cresceu 0,9% em 2014 após o PIB nacional ter diminuído 1,4% no ano anterior

 

Facto internacional do mês

Boris Nemtsov, líder da oposição ao Presidente Putin, assassinado em Moscovo

 

Frase nacional do mês

«Portugal está numa situação bastante diferente daquela que estava há quatro anos» (António Costa, líder do PS)

 

Frase internacional do mês

«Pecámos contra a dignidade dos povos, especialmente na Grécia e em Portugal, e muitas vezes na Irlanda» (Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia)

 

Nota: por motivos pessoais, só agora pude publicar estes “votos”

Janeiro de 2015: os meus votos


Pedro Correia,

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Figura nacional do mês

Cristiano Ronaldo, galardoado com a terceira Bola de Ouro

 

Figura internacional do mês

Alexis Tsipras, vencedor das eleições legislativas na Grécia

 

Factos nacionais do mês

Venda da Portugal Telecom aos franceses da Altice e Alberto João Jardim abandona Governo Regional da Madeira

 

Facto internacional do mês

Os atentados do dia 7 em Paris que provocaram 17 mortos

 

Frase nacional do mês

«Não há justiça em Portugal» (Mário Soares)

 

Frase internacional do mês

«Je suis Charlie» (frase entoada por milhões de pessoas em todo o mundo)

Soltas para 2015


joaomsandre,

Os servidores da Sony foram abaixo por causa de ataques informáticos. Os EUA acusaram a Coreia do Norte e, por coincidência, todo o país ficou às e-scuras uns dias depois. Para um país sob repressão, provavelmente quase sem acesso à internet (e quem a terá será altamente controlado), não estaria mal o serviço. Talvez fosse melhor enviar os futuros engenheiros informáticos para a Coreia do Norte para aprenderem o ofício.

 

A Alemanha diz que uma grexit não seria um grande problema. Pois não. Há 2-3 anos os bancos alemães (e franceses e outros) estavam carregados de dívida grega. Agora , uns programas de “apoio” depois, já não. Hoje a WDR (estação pública de rádio do oeste da Alemanha) dizia-o claramente: um dos grandes objectivos do programa foi salvar os bancos. Agora… bom, com um novo dracma em baixo as férias até serão mais baratas.

 

Ainda a Grécia: quando a Rússia faz certos comentários sobre as eleições ou as escolhas de governo noutros países, é tentativa de desestabilização. Quando a Comissão Europeia, a Alemanha ou outros países o fazem sobre a Grécia, de que se trata?

 

Ainda com a Alemanha: o Público foi a Baden-Würtenberg para levar uma lavagem ao cérebro sobre o sistema de ensino do estado. Foi tão intensa que o pobre do jornalista (Samuel Silva) até mudou o nome à Bosch e confundiu o singular e o plurar de Land (em alemão no original). Já o sentido crítico foi a principal vítima. Para o estado faz sentido: uma viagem de avião, umas viagens dentro do estado e umas estadias em hotel e tem-se um “artigo” de jornal melhor que uma publicidade de página inteira.

 

Na Sérvia descobriu-se um esquema de prostituição de luxo. O responsável (dito proxeneta em português antigo) tinha o processo completamente organizado: dias de trabalho disponíveis para as meninas (o período estava previsto), contabilidade organizada, percentagens claramente definidas, carteira de clientes, processos de marketing, etc. Nas ruas levanta-se o clamor a pedir a sua libertação e imediata nomeação para ministro da economia.

 

Cavaco Silva continuou no seu processo de esvaziamento das funções do presidente da república. Sabe-a toda: quando houver novas eleições pode ir para lá Santana Lopes sem problemas. Ninguém dará por ele.

 

Sócrates está preso? Ouço mais falar dele agora do que quando tinha o programa de televisão.

 

Passos Coelho continua a viver no mundo da realidade virtual de Massamá. E a insultar os portugueses que sofrem todos os dias. António Costa ainda não encontrou nos bolinhos da sorte chineses um programa de governo que lhe agrade.

 

A Rússia está a caminho de causar uma guerra a sério. O mundo ainda não o percebeu. Oxalá não o faça demasiado tarde.

 

O entreposto de jogadores da Luz está em primeiro lugar. O do Dragão em segundo. A fábrica de Alvalade está em quarto mesmo sem se saber se o director de produção fica ou sai (talvez esta rapaziada nos esclareça a coisa). Valha o Guimarães para dar animação.

Como se quiséssemos o sol todo só para nós


Pedro Correia,

 

Queremos mudar o mundo, queremos mudar o sistema, queremos mudar a sociedade. Tudo seria mais fácil se começássemos por mudar a nossa relação com os outros. Se adquiríssemos o talento de unir o que vemos fragmentado, de congregar o que está disperso. Se soubéssemos ir ao encontro de quem nos rodeia. Às vezes basta um gesto apaziguador, uma palavra amável, um sorriso que se rasga na face sempre sisuda. “Na superfície das coisas vê-se a essência das coisas”, escreveu Saul Bellow em Ravelstein.

A sociedade, o sistema, o mundo não mudam se não começarmos por mudar também algo de essencial na nossa relação com os outros. Nos actos mais singelos do quotidiano.

Escrevo estas linhas enquanto o sol vem espreitar-me da janela: é quanto basta para sentir-me grato por este primeiro dia do novo ano. Penso nos que sofrem sob o mesmo sol que me aquece e me inspira e me ilumina. E questiono-me o que poderei fazer para atenuar a angústia ou aliviar a dor de alguém. Não da Humanidade em abstracto, como me sugerem os demagogos de plantão, mas de uma pessoa em concreto.

Uma palavra, um sorriso, um gesto, um abraço, um olhar. Às vezes só isto é necessário. E somos incapazes de dar esse passo. Como se quiséssemos o sol todo só para nós.

 

Texto reeditado