Fala-se da necessidade de reduzir as despesas sociais como se não houvesse amanhã. Não percebo esta crispação. Já se sabe que haverá cortes nesta área, faz parte da receita do FMI, que é sempre igual. Sabe-se também que o despedimento de funcionários do Estado, a descida de salários e o aumento de impostos são, juntamente com os cortes nas despesas sociais, as restrições que permitem reduzir o défice com a rapidez necessária. Podemos, pois, encará-las como um facto consumado. O tom retórico, algo castigador, em que alguns enumeram estas medidas correctivas como se ainda estivessem em discussão é, portanto, dispensável.
Por outro lado admite-se, da esquerda à direita, que este é o recurso mais fácil, aquele que permite obter receitas não só rapidamente, como dispensando políticas de maior fôlego, ambiciosas, que corrijam os nossos problemas estruturais – falo da reorganização da administração pública, da reforma da justiça, do combate à corrupção e até da alteração do actual sistema eleitoral para o sistema uninominal, uma questão que é ciclicamente debatida e que talvez fosse a solução para o tão necessário arejamento da nossa cultura politico-partidária.
Mas enquanto se martela nas subsidiodependências e se fala de desempregados como se fossem um bando de preguiçosos, faz-se o jogo dos políticos que apesar da crise ainda avaliam se poderão, mais uma vez, passar pelos intervalos da chuva sem cumprir o verdadeiro caderno de encargos, o inominável, aquele que alteraria o status quo e faria de Portugal um país de futuro.
A quem se descabela a malhar neste povo relaxado e dependente, os políticos relaxados e dependentes que saíram deste povo – mas que ao contrário dele foram eleitos para fazer a diferença – deviam agradecer. Para eles e só para eles isto é serviço público.


Caso não tenha notado o défice do estado anda à volta de 20%. 20% do que o Estado gasta é pedido emprestado.
Por isso se a sua bitola para o que”merecemos” incluí os empréstimos então vai ficar muito desapontada.
Mas nem sequer estamos a falar de acabar com o défice, ou seja os todos os empréstimos.Lá chegaremos.
Demonstra bem a corrupção generalizada, todos se habituaram a viver de empréstimos e agora julgam que o merecem.
Não percebo onde quer chegar, Lucklucky. Falo na necessidade de se avançar finalmente para as reformas estruturais de que há tanto se fala e responde-me com considerações sobre o endividamento do Estado?
O fundamental, Teresa, é que nesta campanha legislativa não se prometa aquilo que manifestamente não vai poder ser cumprido. Mais despesa pública, mais regalias sociais, mais obras públicas, mais investimento do Estado, salários mais altos, impostos mais baixos. Um estado falido não pode cumprir nada disto. É elementar, portanto, que os partidos não surjam agora como vendedores de ilusões. Um dos partidos parlamentares concorrentes às legislativas promete, por exemplo, o ‘aumento imediato do salário mínimo’. Como pode haver seriedade nesta forma de fazer política?
Plenamente de acordo. Mas nada do que disseste invalida o que eu afirmei neste post. Não precisamos de falsas promessas mas também não precisamos que se adiem mais uma vez as reformas que têm de ser feitas para este país funcionar.
O PRÓXIMO DIA 5 DE JUNHO É A OPORTUNIDADE DE UMA MOÇÃO DE CENSURA AO SISTEMA POLÍTICO/PARTIDÁRIO DE PORTUGAL!
Não devemos ter ilusões sobre as actuais iniciativas de consenso.
As mesmas não se destinam à defesa dos interesses de Portugal mas sim garantir que os acordos que serão formalizados com o FMI, serão cumpridos sem constrangimentos.
Se os políticos/governantes, para além da sua carreira, nunca se preocuparam com o país porque haveriam de se preocupar agora?
Se não se revê no actual espectro partidário PORQUÊ OPTAR PELO MAL MENOR?
Não temos que nos conformar com sucessivas gerações de políticos/governantes – hábeis na gestão dos seus activos e estranhamente incompetentes na defesa dos interesses públicos, e no final somos todos nós que temos que pagar a factura.
Vivemos num estado de direito em que a democracia é representativa.
Mas afinal quem são os “nossos” representantes e a quem prestam contas?
Para uma sociedade verdadeiramente democrática os partidos políticos são essenciais, mas por isso temos que aceitar que “parasitem” o país?
O sistema político actual lamenta o abstencionismo mas nada faz para o contrariar, de facto beneficia com isso!
Quem passa uma procuração a um representante em que não confia?
São legítimos representantes por omissão!
É tempo de dizer BASTA!!!
Ao contrário da abstenção, que é a renúncia a um direito, o voto branco tem que contar!
É a manifestação de uma vontade de mudança da qualidade da democracia no nosso país.
Como Portugueses temos o direito de ser governados pelos melhores dos nossos pares e se os partidos políticos são incompetentes, é obrigação do Presidente da República garantir que isso acontece de facto!
Com uma maioria absoluta de votos brancos será necessário um governo efectivamente de consenso, preferencialmente independente, sem clientelas… o parlamento reduzido à sua expressão essencial: legislar e fiscalizar a acção governativa!
Vamos por à prova a nossa democracia de 37 anos e exigir ao Presidente da República que coloque em prática a magistratura activa e suspender a espera tranquila de mais uma reforma dourada!
NÃO HESITE, NO PRÓXIMO DIA 5 DE JUNHO VOTE EM BRANCO!
http://plocking.wordpress.com/2011/04/27/a tados/