Bom jornalismo


Pedro Correia,

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Há entrevistas e entrevistas. A maioria serve apenas para preencher agenda política de circunstância. Mas algumas constituem preciosos documentos humanos. Porque são feitas com sensibilidade e genuína intenção em escutar o que o entrevistado tem para dizer. Mesmo que seja alguém que tenha perdido a voz, como infelizmente sucedeu com João Semedo. Numa entrevista à edição do jornal i deste fim de semana, muito bem conduzida por Ana Sá Lopes, o ex-coordenador do Bloco de Esquerda pronuncia-se (por escrito) sem complexos nem rodeios sobre a doença que o afecta e do combate sem tréguas que lhe vai dando com a lucidez do médico competente que sempre foi.

Mais do que uma entrevista, é um notável testemunho que deve ser lido com atenção muito para além da espuma política que domina o quotidiano português. João Semedo justifica, mais que nunca, o cognome de João Sem Medo. Conheço-o há vários anos – ainda antes de ter ingressado no Bloco de Esquerda, onde se notabilizou como parlamentar respeitado por todos, aliados ou adversários – e não tenho a menor dúvida sobre a qualidade do seu contributo para a política portuguesa em geral e a Assembleia da República em particular.

Nesta fase difícil da sua vida, merece uma palavra de louvor pelo desassombro com que fala de uma doença que afecta tantos portugueses, conhecidos ou desconhecidos. Aqui lhe deixo essa palavra. E uma outra, tornada ainda mais obrigatória após ter lido esta entrevista, de incentivo pelo seu pronto e total restabelecimento.

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