Na estação da queima


Teresa Ribeiro,

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Para não variar, neste Verão os incêndios florestais multiplicaram-se de forma aflitiva. A estas calamidades pendulares costuma seguir-se o folclore das promessas dos governantes em como vão tomar medidas, sobretudo no que respeita à prevenção, mas este ano, apesar da área ardida ser muito superior à do ano passado, ainda não ouvi um sussurro por parte do governo.

Lembro-me de que em tempos prometeram pôr militares a vigiar as florestas. Pareceu-me uma boa ideia, mas pelos vistos destinou-se, como tantas outras, a fazer notícia. Em vésperas de eleições o que menos interessa aos responsáveis pela saison da queima 2015 é prestar contas. A comunicação social, convenhamos, tem sido um amor, poupando a coligação a explicações. Mas no sábado Marques Mendes surpreendeu-me com uma enorme censura à manifesta incapacidade de o governo zelar sequer pelas áreas protegidas, que estão sob a alçada do Estado.

A incúria, quando atinge elevadas proporções, é crime. Não sei como é que ainda existe país para arder.  

0 comentários em “Na estação da queima”

  1. Para o ano, se Deus quiser, conseguiremos dar cabo de mais uns hectares! Deus nos guarde algumas árvores! E isso de tirarem os militares dos quartéis para vigiar árvores, não acho nada boa ideia. Tenho uma bem melhor: que tal deixarmos um qualquer presidente de junta de freguesia da capital, cuidar da floresta? Hein? É uma razia tal, que os maluquinhos dos incêndios acabam curados, sem se gastar um tostão que seja. Repare-se na fúria da primavera na cidade: uma rua com árvores? Arranja-se uma doença qualquer com um nome complicado e toca de cortar todas, mas todas as ditas cujas afetadas. E em caso de protesto, vão as outras que estavam na rua paralela. O quê? É centenária? Vai também que neste país não há lugar para coisas velhas, quanto mais uma árvore. Podem crer que a nossa comunicação social (qual?! a sério, qual!?) estará atenta (nem por isso, mas o povo também não está para se aborrecer quando se encontra a banhos). Incúria? Ora essa! As florestas são para arder. Quem é que paga bem por madeira queimada? Quem é? Pois….M. Lopes

  2. Uma calamidade que todos os anos se repete, desde que as florestas foram abandonadas enquanto fonte de rendimento porque as pessoas arranjaram outro tipo de rendimentos.

    O que não se compreende é que perante um fenómeno já identificado (nenhuma prevenção / ordenamento florestal) e que começa a deixar de ser sazonal ( últimos 3 anos) se opte unicamente por canalizar recursos no combate aos efeitos e não se gaste nada em prevenção e no ordenamento florestal.

    Haveria muitas formas de começar a atacar este problema de frente mas isso iria colidir com muitos interesses instalados e por isso não interessa.

    A comunicação social que obviamente sabe mais que aquilo que diz tem estado “calada” sobre esta temática e outras porque isso lhe interessa.

    http :/ http://www.jornaldenegocios.pt /empresas/detalhe
    governo_prepara_novo_regime_de_incentivos_para_a_comunicacao_social.html

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