Não vi o jogo, mas conservei a música de fundo. Não era Mozart, nem a Callas, nem sequer Ella Fitzgerald
Era o que se arranjava: Luís Freitas Lobo.
Enquanto trabalhava, mantive ontem o som da partida Dínamo de Kiev-Futebol Clube do Porto, transmitida pela Sport TV: forneceu a atmosfera ideal para me me concentrar naquilo que fazia.
Freitas Lobo é muito mais do que um comentador do esférico: é um verdadeiro poeta da pantalha, artífice da metáfora, ourives do rendilhado oral.
Fala de futebol como se discorresse sobre física quântica. Ficamos a perceber o mesmo: nada. Mas não deixamos de admirar aquela catarata de palavras com o seu cunho inconfundível.
Aqui estão algumas das suas pérolas, que fui escrevinhando enquanto o escutava de costas para a televisão:
«O Porto neste início de encontro define uma zona de pressão média-baixa.»
«Lopetegui não pediu largura a André André, pede-lhe que apareça por dentro a pegar na bola.»
«O jogador russo já lhe tinha ganho a frente.»
«O Porto baixou a zona de pressão.»
«Embora jogando com dois pivôs, há sempre a possibilidade de um deles bascular um pouco para fazer essa cobertura.»
«André André procura sempre associar-se a outras linhas, juntando as pontas do meio-campo.»
«É uma transição individual, feita apenas por um jogador em posse, sem a ligação colectiva que a equipa deve ter nessa construção mais apoiada.»
«Ruben Neves tem que esticar o jogo mais rapidamente no flanco.»
«André André adapta-se a tudo isto com a sua intensidade e qualidade de interpretação dos espaços.»
Outros diriam: por qué no te callas? Mas eu não. Considero aliás que Lobo está para a bola como algumas divas estão para a ópera: com ele ao leme, até o microfone treme. De reconhecimento e emoção.
Só lamento que actue em transição individual, feita apenas por um jogador em posse, sem a ligação colectiva que a equipa deve ter nessa construção mais apoiada.
Signifique isto o que significar.
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![ng2445240[1].jpg ng2445240[1].jpg](http://2.fotos.web.sapo.io/i/Bac13de6e/18828026_krAbe.jpeg)
De vez em quando aparecem umas estrelas no “relato” nacional, este é de um exagero tal que chega a despertar vergonha alheia. O tipo acha-se tão importante no comentário que julga que tem em si o peso e a responsabilidade de ser a voz na terra de um qualquer deus que comanda o futebol lá de um planeta qualquer. Aquelas insistentes metáforas, quase todas despropositadas, exageradas e completamente ridículas só são próprias de quem não se toca minimamente. Depois, tem dias que fica muito excitado e diz aqueles disparates tipo “este é o melhor desporto do mundo”, não é, ou comparações com Aljubarrota ou a passagem do Cabo da Boa Esperança…
Mais tabaco, como diria o outro.
Do meu ponto de vista, a intangibilidade do esférico decorre das sinuosidade tecnico-tácticas adjacentes à linearidade do relvado e a verdade desportiva depende em alto grau e larga medida da disponibilidade de todos os agentes envolvidos na condução do processo dentro das quatro linhas de jogo mas principalmente nas estruturas que enquadram este fenómeno capaz de mobilizar a massa adepta e também os milhões que se acumulam sobre as mesas directivas em razão do qual eu não me calarei e sempre relatarei aqui tudo quanto sei e julgo saber ou talvez nem saiba nada por aí além mas mesmo assim contem com a minha voz que ressoará qual trombeta contra a investida castelhana nos plainos de Aljubarrota naquele ano em que a Ala dos Namorados conquistou a Taça Ibérica.
ahahahahahah
…a vantagem de ser do clube que sou é que raramente tenho de ouvir o dito, normalmente somos deixados aos interessantes comentários de uma rapariga que sabe do que fala, já quando quero ver outro jogo do “istrangeiro” nada posso fazer em contrário, se calhar o melhor é ir buscar a Ella! ; )
Na verdade, as incidências no relvado desencadeadas pelas contingências tecnico-tácticas do onze dominante foram claramente demonstrativas do que venho referindo em razão do qual em equipa que ganha não se mexe e em boca fechada não entra mosca.
Comentador de matraquilhos a ver os jogadores saltar do varão.
Há uma diferença. Matraquilhos é “plafonamento horizontal”. Varão é “plafonamento vertical”.