O DN TV, habitualmente muito fiável na informação que proporciona, publica hoje um quadro com os pontos de rating dos canais de TV portugueses, equivalente às audiências da semana passada.
O comentário do editor deste suplemento começa a sua análise do seguinte modo: “o conjunto de canais de cabo e IPTV regressou à liderança, ao ter ultrapassado a TVI.”
Este raciocínio, assaz frequente, é falacioso e produz conclusões erradas. Porquê?
Porque compara performances de cariz diferente. Ou seja, compara a performance dos canais com a de plataformas de distribuição. A única afirmação que se pode fazer neste capítulo é que 27,7% (um número bem avultado) dos espectadores tiveram acesso à TV através do cabo/IPTV e 72,4% através da denominada free TV (não, não se vai voltar a falar do problema da TDT…).
O problema da tal comparação induz o erro de considerar que o universo cabo/IPTV é homogéneo. Bem pelo contrário, é composto pro canais heteróclitos, ferozmente competitivos entre si (vide a guerra entre FOX e AXN) e servindo segmentos de espectadores com interesses em conflito: se o filho quiser ver o Panda, a mãe o FOX Life e o pai a SporTV, quem ganhará?
Last but muito not least sucede que se formos vasculhar as audiências dentro do cabo/IPTV descobriremos que cerca de 40% dos seus espectadores estiveram com os canais generalistas, ou seja a TVI, a SIC e a RTP 1, estão sempre no topo das preferências dos espectadores, sendo que a RTP 2 costuma ficar atrás da SIC Notícias e bastantes vezes do AXN ou do Hollywood.
As TVs generalistas estão em crise e estreitam cada vez mais o seu espectro de audiência? Sim. As suas audiências têm diminuído paulatinamente? Sim, em Portugal e no resto do mundo. Vão a caminho da extinção? Só se for muito devagarinho…


Quando virem que acaba o dinheiro acabam as dissidências… As bravatas socratistas seguem o caminho do «engenheiro» quando o Espirito Santo o despediu: acabam num dia.
E agora apenas servem para tentar o regresso rápido ao poder com um bloco central.