
Não tivesse Lisboa um presidente da câmara em tempo parcial, convencido de que os eleitores o escolhem para ele se dedicar a mais altos vôos, e a cidade preparar-se-ia adequadamente para a chegada das chuvas. Mas como o presidente da câmara de Lisboa tem sempre outras coisas a que se dedicar, a cidade transforma-se todos os anos num verdadeiro rio logo que chegam as primeiras chuvas. Nada que preocupe António Costa que amanhã trava um debate decisivo para ser o candidato do PS a Primeiro-Ministro e para quem isto é uma questão menor. Ainda havemos de ouvir dizer se tratou de uma manobra de São Pedro para interferir nas primárias do PS. Na verdade, São Pedro está a pôr a nu a tão afamada grande capacidade de gestão autárquica que a boa imprensa de Costa vê nele e que eu sinceramente nunca vi. Costa nem sequer pode proclamar: “Après moi, le déluge!“. Em Lisboa o dilúvio surge sempre com ele.

LIsboa já teve muitos presidentes da câmara. E muitas chuvadas. Que me lembre nenhum presidente se notabilizou por deixar a cidade à prova de água quando ela cai com determinada intensidade.
“e a cidade preparar-se-ia adequadamente para a chegada das chuvas”. É preciso ter lata para aproveitar a chuva para deitar o Costa abaixo. Tudo serve, não é?
Que raio de argumento é este?
É simples: choveu a culpa é do Costa. Na Madeira houve o que houve (há 3 ou 4 anos) mas a culpa não foi do Jardim. E aí era mais nítido que ele tinha responsabilidades.
Está visto que não falta quem defenda o presidente da edilidade da capital. Mas um génio que foi eleito por mais de 50% das elites deste pobre país, incluindo a “Lesboa bempensante”, em sete anos de mandato já poderia ter feito qualquer coisinha para minorar este flagelo que atinge a capital todos os anos.
Eu sei que ele tem andado muito ocupado a remodelar a Ribeira das Naus, 700 metros de passeio com direito a relvado e praia, e que à boa maneira socialista custou o dobro do que estava orçamentado, e a obrigar os seus cidadãos a percorrer a Avenida da Liberdade aos zigue-zagues. Mas também mandou tapar as sargetas da Rotunda do Marquês, se calhar porque achou os buracos inestéticos. É muito mais divertido ver a Baixa da cidade inundada, hoje até parecia Veneza, só faltavam as gôndolas e os gôndoleiros.
Eu não concordo que em sete anos pudesse ter feito mais.
Tirando a limpeza atempada das folhas das árvores e das sarjetas, isso sim, culpa dos executivos camarários (presidente, vereadores, chefias de divisão).
Para perceber as cheias é importante conhecer o que são aqueles dois vales, que ribeiros corriam e porque ao lobby da construção civil foi permitido construir caves e multi-sub-caves encurtando a circulação de água que ocorria no sub-solo. ( ler Arquitecto Ribeiro Telles , noticias das cheias do Vale de Alcântara e da Ribeira de Algés para compreender que a baixa é o local de confluência de dois ribeiros que trazem as suas águas e todas as enxurradas desde o Marquês e a Praça do Chile à baixa pombalina.
Logo, resolver as cheias em dia de pluviosidade anormal é uma obra impensável.
Cumprimentos e parabéns pelo blogue
Creio que Costa anda a abusar na segurança que deposita nos novos submarinos. Costa, Costa, ai Costa!, não vá faltar o carcanhol para a manutenção. Olha que isto custa!
Cá por mim vou pelo Seguro. Sempre gostei de terra firme.
PS: Cá estarei mais logo, Luís, para ler seu comentário sobre o último debate.