![]()
Ralf Dahrendorf, François Furet, Bronislaw Geremek conversaram sobre o futuro da Europa após a queda do comunismo, durante o Inverno de 1991/1992, com a moderação de Lucio Caracciolo. Trinta anos passados é interessantíssimo (re)ler este “A Democracia na Europa” (Presença, 1993), recordar as perspectivas sobre o remoldar da União Europeia e da Europa, sobre o papel dos intelectuais, da cultura na construção e manutenção da democracia, etc. É notável a clarividência e a densidade destes três enormes intelectuais liberais (aqui, aos seus nomes juntei ligações para artigos elucidativos sobre a dimensão de cada um deles). E será também importante recordá-los para comparar com os dislates constantes que se vêm lendo nos últimos largos anos, largados por “liberais” lusos, meros idólatras do mercado e de um profundo autoritarismo (reaccionarismo, dizia-se), que não passa de afascistada aversão à democracia. E, sempre, à cultura e aos intelectuais. Quem leu blogs ditos “liberais” saberá do que aqui falo, desse boçalismo inculto.
Mas o que trouxe este livro ao blog foi estar a folheá-lo no dia do último debate das campanha eleitoral americana, que encheu as estações televisivas nacionais e internacionais. Pois atentei neste meu velho sublinhado. O qual, mutatis mutandis, muito descreve o que se passa naquele país.
Abordando a queda do comunismo soviético e europeu disse Geremek (pp. 47-48):
“Gorbachev é um dos factores decisivos para se compreender a implosão do império soviético. Um dia, estava eu a falar com Jakovlev, conselheiro e amigo de Gorbachev e considerado o pai espiritual da perestroika. Perguntei-lhe: “Como é possível que, a um dado momento, você e Gorbachev tenham decidido empenhar-se numa empresa tão perigosa?” “Trata-se de um facto biográfico”, respondeu-me, “eu tinha dito certas coisas que não agradavam aos meus camaradas, que me mandaram para o exílio no Canadá, como embaixador. Um dia, Gorbachev foi visitar o Canadá. Fomos passear para o campo para podermos falar livremente, sem sermos controlados pelos microfones da KGB. E vimos que estávamos de acordo. A crise do nosso país era muito grave, e o contacto com a realidade do Ocidente, com as suas proezas económicas, tinha-nos convencido de que era necessário reformar profundamente o nosso sistema.”
“No entanto, depois disso, houve sobretudo um facto que nos fez compreender a necessidade da perestroika. No Comité Central do PC havia um dirigente particularmente imbecil, que não sabia nada de nada, e que era utilizado quando não havia nada de importante a fazer. Chamava-se Chernenko. Ora, depois da morte de Andropov, é ele, Chernenko, que é eleito para secretário-geral do partido. Um homem como Chernenko à cabeça de uma das duas superpotências do mundo! Era intolerável! Se um sistema coloca um homem como Chernenko no seu topo, isso significa que esse sistema está muito doente. E foi por isso que nós, Gorbachev, eu e alguns outros, decidimos que chegara a altura de reagir.“

“Se um sistema coloca um homem como Costa no seu topo, isso significa que esse sistema está muito doente”

A.Vieira
Não deixa de ser uma visão conservadora — inclusivamente a de Gorbachev (cujas tendências oligárquicas aqui não são surpreendentes). Quando se pensa que um líder tem de provir necessariamente de uma elite educada — quando se pensa que um tipo como Trump não pertence ao jogo.
Diz mais sobre o jogo —e de todo o embuste que é a política e os seus aborrecidos cientistas— do que diz de um tipo como Trump.
Trump aqui não é Trump, obviamente. É o estrangeiro.
A dicotomia era imbecil/incapaz ou inteligente/competente. Nada que ver com os estudos. Até os atenienses, que usavam amplamente a tiragem à sorte, elegiam os generais/comandantes. Não deixavam esses postos ao acaso. O desafio para os americanos não é o de serem capazes de eleger um imbecil, um incompetente, um mau aluno, um gajo sem maneiras ou um quasi analfabeto funcional. Já conseguiram cumprir todos esses requisitos (em parte ou na totalidade) mais de uma vez. É conseguir eleger um que não seja bilionário e sem o pesado apoio de biliões de dólares. Não é um desafio ganho à partida.
Bem, acabar com os ricos não torna os pobres menos pobres — pelo contrário.
Então chernenko era o idiota e gorbachev o inteligente.
E no entanto, depois do primeiro morrer, o segundo levou o império soviético à morte em 5 anos.
Sinceramente…
AL
Eu, estúpido, me confesso…
Não vejo a relação entre “A Democracia na Europa” e a “Presidential 2020 Election”.
Eu, ignorante, me confesso…
Não sei quais são os “blogs” ditos liberais que exibem esse boçalismo inculto.
Eu, hesitante, me confesso…
Com dúvidas, interpretei o final do “post” como uma comparação entre Chernenko e Trump. Isso já me merece comentar.
Chernenko era um desastre. A sua escolha tal como aconteceu inúmeras vezes na história com exemplos vários na decadência do império romano, deve-se a isso mesmo. Um regime/sistema/governo esgotado, dividido entre grupos/ideias/projectos mas em que nenhum se consegue impôr, escolhe por compromisso uma chefia acéfala.
O resto da história é conhecido. O XX Congresso e Gorbachev liquidaram o império soviético e igualmente a sua ideologia que seria rapidamente abandonada pelos intelectuais europeus e pouco depois pelos próprios partidos pollíticos comunistas, com a espantosa excepção do PCP.
Tenho assim fortes dúvidas em estabelecer alguma comparação com Trump mas se ela existe, será que Biden é o Gorbachev e o que acabará é a democracia americana? E serão abandonadas as ideias de Tocqueville e de Locke e da representação política?
Eu, egoísta, me confesso…
Para os americanos, a política externa é marginal no confronto eleitoral mas para mim, egoísta, o confronto eleitoral americano só me interessa pela política externa.
E, encurtando muita linha, os meus principais receios são, por esta ordem:
1. A ideia do estado-providência de crescimento progressivo que acredito ter resultados perversos na finalidade e, fatalmente, resultar na diminuição progressiva da liberdade.
2. A possibilidade de uma guerra de grande dimensão e mais particularmente iniciada no médio-oriente com um cenário assustador, se o mundo islâmico se unir contra ocidente.
3. A mais longo prazo, o domínio mundial pelo império chinês, o “Império do Meio” isto é o império situado entre o Céu e a barbárie da terra e por isso, destinado a governá-la, filosofia com centenas de anos que se manteve em diferentes dinastias e regimes está finalmente a ganhar visibilidade externa com Xi Jinping.
Para todas elas, a mais que provável vitória de Biden é inconveniente, provavelmente desastrosa e possivelmente catastrófica.
1. A instauração do estado-providência “lato sensu” nos EUA irá reforçar os seus adeptos na Europa.
2. A política de Trump que conseguiu “vender” a ideia do perigo iraniano e destruir a única bandeira que poderia unir o mundo islâmico que é o ódio a Israel, será muito provavelmente revertida.
3. O confronto comercial com a China mas, sobretudo, a política de contenção do expansionismo chinês no sul da China, também será provavelmente deixada cair.
Mas os EUA terão um presidente com melhor comportamento, melhor aspecto – um certo ar de decadência aristocrática – e, definitivamente, politicamente correctíssimo. Ou, como gosto de dizer: por muito mal que uma situação se apresente, é sempre susceptível de piorar.
Não serei eu a desdizê-lo.
A questão é de muito fácil resposta.
Para um não americano, Biden é o candidato ideal, para um europeu principalmente.
Para um americano, Trump traz mais vantagens.
O problema é que quem vota são os americanos, não são os outros.
Não é problema nenhum. No dia em que a América não for WASP, a América transforma-se em Brasil. Ainda não perceberam que é que trabalha no mundo?
Yuri Bezmenov, ex-operacional da KGB e já falecido, é alguém de que poucos terão ouvido falar.
Nos anos 80 do século passado, refugiado no Canadá, deu uma série de entrevistas e conferências a propósito da operação de inseminação de ideias levada a cabo pela ex-URSS e de que ele foi um dos protagonistas.
Já nessa altura considerava que a primeira fase da operação, designada por desmoralização, tinha sido concluída nos EUA e em boa parte dos países ocidentais. Uma desmoralização cujo objectivo final era a ausência de destrinça entre o bem e o mal, a completa confusão e subversão de valores.
Os detalhes dessa operação de inseminação de ideias nas suas várias fases levaram-no a prever os protestos violentos que têm ocorrido nos EUA e que tenderão a estender-se a todo o mundo ocidental.
Segundo Bezmenov, contrariamente à crença popular, a maior parte do trabalho da KGB, cerca de 85%, era “a slow process which we call either ideological subversion, active measures, or psychological warfare.”
E definia assim “ideological subversion”:
“What it basically means is: to change the perception of reality of every American to such an extent that despite of the abundance of information no one is able to come to sensible conclusions in the interest of defending themselves, their families, their community, and their country.”
Bezmenov descrecia este processo como “a great brainwashing” que comporta quatro estágios. O primeiro consistia na chamada “demoralization”, levada a cabo ao longo de 15 – 20 anos até à sua conclusão. Segundo ele, este era o tempo mínimo necessário para re-educar uma geração de estudantes normalmente expostos às ideias do seu país. Por outras palavras, o tempo necessário para alterar aquilo que as pessoas pensam.
As ideias são como as sementes. O agricultor pode até já ter morrido, mas as sementes continuam a germinar.
“They are programmed to think and react to certain stimuli in a certain pattern [alluding to Pavlov]. You can not change their mind even if you expose them to authentic information. Even if you prove that white is white and black is black, you still can not change the basic perception and the logic of behavior.” (Y. Bezmenov)
é alguém de que poucos terão ouvido falar
os videos das entrevistas dele foram moda há 10 anos, no Youtube
Donald Trump tem vários defeitos e qualidades, tal como todos os seres humanos.
Já era rico antes de ser presidente, o que lhe permite uma postura onde a subserviência a interesses que o enriquecessem não cabe – enorme defeito.
Habituado a gerir o seu império de negócios de forma lucrativa, gere os EUA da mesma forma, com lucros para os pagadores de impostos na pele de accionistas – enorme defeito.
Abriu uma única guerra com o pior inimigo que alguém, pessoalmente, pode ter: a imprensa, essa comandita financiada por interesses obscuros que desde há muito substituiu a informação pela propaganda e pelas cantigas de escárnio e mal-dizer – enorme defeito.
E como apenas abriu essa única guerra, como não invadiu nenhum país e como tem vindo a colocar termo a algumas ocupações, cortou os lucros ao complexo militar-industrial do país – o pior dos defeitos.
Se, nos tempos que correm, apenas “apanha tiros” da imprensa, em tempos mais recuados já estaria morto e enterrado.
Quem leu blogs ditos “liberais” saberá do que aqui falo
jpt tem razão, mas esses blogues (O Insurgente, Blasfémias) não eram propriamente representativos do liberalismo atual, nem mesmo em Portugal. Eles eram, digamos, a tradução portuguesa de uma ideologia importada dos EUA, a ideologia do Tea Party, a qual entretanto caiu em desgraça, e com ela caíram esses blogues. (Os blogues ainda existem, mas agora com pessoas e ideias diferentes.) E a ideologia que veiculavam não era propriamente liberal, mas sim uma coisa a que eles chamavam “conservadorismo liberal” ou “liberal-conservador”, uma mistela sem pés nem cabeça, que pretendia “à la carte” ser liberal numas questões e reacionária noutras, sempre de acordo com ideias e taras importadas dos EUA.
Enfim, e isto é que é importante, isso são coisas do passado, o liebralismo no Portugal atual já não é isso.
Pois será, em parte – eu não me restringia apenas a esses dois blogs colectivos. E ainda que compreendendo que a divulgação de ideiais liberais neste país presumiu muito arreganho (e até alguma juventude, seja do bloguismo seja de bloguistas) lia-se (e ainda se lê – e agora muito em facebook) muito disparate, explicitamente “liberal” (desse modo) ou a armar-se em “liberal” [no fundo, como bem diz, os tipos que importaram o viés bronco do Tea Party]. E muito do desvairado negacionismo sobre o covid que se vai lendo em Portugal é eco desse “liberalismo”, agora trumpianismo, esse que “arrumou” com os tais feixes fundamentalistas do Tea Party. E que de certa forma é mais agradável pois muitissimo menos vinculado ao integrismo cristão. Mas é o que é …
Que isto que aqui recordo não seja motivo para me ver como anti-liberal ou anti-liberais portugueses. Recordo (e até porque o coloquei em postal, pelo menos no meu blog pessoal e talvez o tenha mesmo aqui colocado) que nas últimas eleições votei na IL. E em parte, como o referi então, por influência textual do jcd, um dos meus 2 bloguistas portugueses preferidos, o João Caetano Dias do excelente blog liberal Jaquinzinhos, e depois do Blasfémias (e que agora é meu co-bloguista no És a Nossa Fé). Mas isso não invalida que in illo tempore (pois hoje só vou lendo o Blasfémias) li imensos dislates pro-trogloditas naqueles ambientes.
(Já agora, o meu outro bloguista preferido, que ainda se mantém muitissimo activo, é o hmbf do Antologia do Esquecimento. Que é militante do PCP).
Trump é o melhor (ou menos mau…) presidente americano desde Reagan. Claro que por cá isso é impossível ser dito ou sequer de perceber tal a manipulação da informação do jornalismo neo-marxista
” largados por “liberais” lusos, meros idólatras do mercado e de um profundo autoritarismo (reaccionarismo, dizia-se), que não passa de afascistada aversão à democracia.”
Os ataques à Constituição Americana vêm da Esquerda , a americana e a que escreve por cá.
Nas Universidades onde o racismo sistémico e institucional de facto existe é onde estão os intelectuais.
Nas Universidades onde condenações sem provas são “justiça” é onde estão os intelectuais.
Nas Universidades é onde se manipula e muda a linguagem lendo 1984 como um manual.
Ainda mais, são os intelectuais que propõem benefícios e punições em função da raça, do sexo e outras classes existentes(ou criadas no momento como “hispano-brancos”) que for conveniente explorar no contexto de uma narrativa neo-marxista.
Também a “cultura e os intelectuais” estão bem representados no Jornalismo que apoiou a recente violência política. Mesmo com um vírus à solta.
– – – – – – –
A eleição de Biden (com o Congresso ) representará :
-Fim da Liberdade de Expressão,
-Racismo institucional em todos os degraus dos EUA.
-A recompensa da intimidação e violência política organizada – que vai continuar a quem desviar da linha.
-O fim obvio da democracia americana devido à intimidação e violência pela Esquerda que acontecerá a quem resistir ao poder progressista.
Tal como cá – Democracia por cá acabou em 2004 ou 2005 – será impossível alguém governar em paz sem ser progressista.
– Se Trump ganhar teremos violência todos os dias feita pela esquerda..
A violência criminal irá crescer (independente de quem ganhar)- parte da recente violência política de esquerda foi feita com o apoio dos gangues – e será preciso pagar um preço.
Se Biden ganhar o Ocidente acabou nos EUA.
Para lá dos EUA
No fundo o que domina a política no Ocidente já não é sequer a política-politica,
Esquerda está-se nas tintas para resultados das suas políticas desde há décadas.
A política hoje é mais um mecanismo de competição social da Esquerda.
E tosos os que querem competir socialmente são atraídos para uma Esquerda que lhes dá essa possibilidade.
Competição que foi acelerada pela possibilidade de comunicação instantânea e por a maior parte da população instruída nas universidades dar como certo casa, comida e energia.
Uma pessoa de esquerda que passe 5 anos numa ilha deserta ao regressar arrisca-se a que várias das suas ideas se tenham tornado “fascistas”. É isto hoje a política. Uma hipercompetitividade social.
—
Divirtam-se com o mundo cultural que Biden representa e depois digam que não é o contrário da civilização ou até do que a esquerda liberal defendia há 20 anos…
https://twitter.com/TitaniaMcGrath
(sátira bastas vezes ultrapassada pela realidade)
lucklucky
Nenhum deles é estúpido. Ambos apenas sofrem da mesma apetência pelo poder político. E nós sofremos, todos, as consequências.
Biden é um “team-worker”. Político profissional no “deep state” dos EUA, vai para meio século, pelo que tem uma inércia verbal que esconde algo. Kamala H. está pronta para tomar conta da loja.
Trump é um individualista. Empresário, um não-político, um “out-sider”. Se fosse um “insider” não teria conseguido realizar o que até conseguiu. A história, após estas frenéticas eleições, avaliará.
Estas eleições serão uma vacina anti-comunismo para os EUA, se Biden vencer, Fazem lembrar os tempos do PREC.
Fazer previsões é sempre difícil, especialmente se se tratar do futuro (provérbio dinamarquês).
A dar razão ao provérbio, talvez seja interessante reverem-se estas previsões, provenientes das mais afamadas “bolas de cristal”, a propósito da eleição de Donald Trump em 2016.
http://prntscr.com/v663sm
E, a dar razão a Bezmenov no que respeita à “desmoralização” consubstanciada na completa confusão e subversão de valores, aqui fica uma colectânea de crenças populares oriundas daqueles sectores cuja lavagem cerebral já foi efectuada com sucesso.
http://prntscr.com/v66b3n
Tanto previsões como crenças populares com o mais elevado patrocínio do “Ministério da Verdade: guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é poder”.
Há um outro ângulo da história que quero partilhar.
O que caiu não foi o comunismo, foi o império. Como todos os impérios, a sua queda começa a ocorrer não quando se desmoronam mas quando se iniciam.
No caso concreto do império soviético não foi a acção de Gorbachev que o fez desmoronar, mas antes a compreensão deste que não era possível permanecer nesse pensamento depois que João Paulo II e outros apoiando a Polónia através do Solidariedade revelaram os pés de barro que tal império, à semelhança de todos os demais anteriores, possuía.
A América nunca foi um império, mas antes uma nação de influências através de alianças mas também de truques sujos. E é este facto que permitiu e permite que seu território se mantenha incólume. Perdem influência mas não a sua própria substância.
Trump, sabiamente, como nenhum outro anterior, gere de forma inigualável esta relação. Assim, está consciente que a única forma de fazer permanecer a influência e as alianças é abaná-las fortemente e com argumentos sólidos, mas nunca com abonões do tipo rufião sem argumentos capazes que Costa faz de forma imatura.
De outra forma ainda para compreender meu raciocínio. Putin, exceptuando as esferas territoriais de salvaguarda, como é o caso da Crimeia e de parte da Ucrânia, estrategicamente adopta o mesmo conteúdo e forma ou fórmulas seguidas pelo americanos, isto é, as suas relações de interesses já não passarão por domínio directo mas por influência efectiva.
Ainda a título do comportamento social e dos domínios, o declínio da Igreja ocidental surge exactamente pelos espinhos que se colocaram em seus caminhos. A saber: S. Francisco de Assis, mas também Santa Teresa em Ávila, São Joâo da Cruz e tantos outros ao longo de sua história.
O aspecto substantivo do declínio da Igreja ocidental ocorre precisamente pela administração e ministração paroquial destas estruturas ao longo de seus territórios. O pároco, o bispo, o cardeal e alguns Papas não mais eram e ainda são em uma grande maioria de situações, particularmente em Portugal, uns lavadores de alfaias do culto, conservadores das paredes e telhados das igrejas, funcionários do culto e de seus horários. Convencendo-se que são a salvação esqueceram-se do Salvador e da evangelização. Pensam que evangelizar é o vinde e escutai e não o “ide e anunciai”.
João Paulo II iniciou pelo pedido de perdão, e Francisco segue com a admoestação da actuação.
Ainda em linha, o que assistimos no mundo ocidental não se pode traduzir na queda de um império inexistente americano, mas antes a queda do império sem rosto, que até a própria China usa, que se chama capital.
Deus nos abençoe e nos mande à merda a todos com as tretas das ideologias.