Pensamento da semana


João Pedro Pimenta,
Não há dúvida que o mundo está cada vez mais dividido e isso percebe-se com a multiplicação das “comunidades”. Ouve-se diariamente falar da comunidade LGBT, da comunidade católica, da comunidade da nacionalidade X, da comunidade médica, até da comunidade das mulheres. Ora uma comunidade é um grupo fortemente unido por uma situação em comum, com uma vivência própria e com maior ou menor grau de afastamento do resto da sociedade. Se há tantas comunidades, então isso significa que a sociedade está toda dividida em grupos que não se identificam uns com os outros e que vivem pela sua auto-afirmação. E aqueles que pertencem a mais do que uma comunidade? São expulsos de todas?

Ou isso ou então muda-se de vocabulário e pára-se com esta mania de se falar de comunidades por tudo e por nada. Era mais fácil e não se contribuía para esta divisão que parece que muito satisfaz uns quantos.

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana

18 comentários em “Pensamento da semana”

  1. O nº de classes sociais eram limitadas logo a exploração que se podia fazer delas tinha limites. Como aliás o povo estava viver melhor ainda mais difícil ficava encontrar/inventar vítimas para a narrativa.

    lucklucky

  2. São importações da América (que eles detestam) mas serve-lhes para garantir que o discurso dos direitos permanece como moeda forte que lhes garante regalias e privilégios — como reparação de discriminações em larga medida inexistentes.

  3. Há assim modos de pôr na berra determinados vocábulos. Desconhecia esse (ausento-me com frequência da notícia) e também considero que a aplicação é abusiva, mas passa, como tantos já passaram. É uma questão de dar tempo à moda que, de facto, pode não ser inocente.
    Bom dia

  4. Dividir para reinar.

    Este ditado nunca esteve tão atual.
    Os EUA são o perfeito exemplo de como estas divisões estão a ser usadas como arma de arremesso de um candidato, que não se coíbe de fomentar as divisões e o conflito, não chama à razão as iniciativas violentas, não promove diálogo positivo e as alimenta como estratégia de campanha.
    Aqui ainda não fomos tão longe, apesar de algumas tentativas de partidos secundários, que se associaram a determinadas iniciativas de conteúdo violento. Felizmente não vingou… para já.

  5. O “mundo” dito ocidental, porque todo o restante…
    Ainda continuamos eurocêntricos (englobando aqui as “diásporas” )

  6. O planeta mediático, cada vez mais tribalizado, enaltece as micro-entidades – cada qual dotada dos seus artefactos totémicos e das suas senhas identitárias. Eis o último grito da moda. E veio para ficar.

    Com esta profusão de trincheiras vai-se perdendo o sentido de comunidade no sentido mais amplo. Os elos comunitários de larga escala vão-se dissolvendo. E valores de espectro largo, como a igualdade e a liberdade, são postos em causa no confronto com os micro-valores das pequenas causas que pugnam pelo direito à diferença e equiparam cada crítica ao pecado da blasfémia.

    É tabu ofender as “sensibilidades” de cada micro-grupo, o que leva ao permanente policiamento da linguagem. Do policiamento da imagem à supressão do pensamento a distância é mais curta do que muitos imaginam, como Orwell sabiamente nos ensinou.

    1. Totalmente de acordo e perdoem-me a expressão, mas ainda vou ver o “gajo normal” ter de lutar pela afirmação porque não se identifica com um grupo mas com vários ou então só quer levar a sua vida normalmente.

  7. “Se há tantas comunidades, então isso significa que a sociedade está toda dividida em grupos que não se identificam uns com os outros e que vivem pela sua auto-afirmação.”

    Haver comunidades diferentes implica a divisão em grupos mas não implica que eles não comuniquem uns com os outros.

    Fingir que não há grupos também não os faz desaparecer.

    1. Havendo uma lei geral para toda a gente, não sei porque é que as esquerdas dão cobertura a gente que quer regimes particulares. Se fosse na China, onde vigora o regime que as esquerda cá defendem, eles nem existiam.

      Ou seja, isso é tudo treta. É tudo artificial — apenas feito para extrair benefícios de um regime complacente que proteje uns em detrimento de outros.

  8. “Fingir que não há grupos também não os faz desaparecer”.
    Diga isso ” aos Chineses”.
    Verdade seja dita que eles não fingem…

    JSP

  9. E ainda bem que está dividido. Não estou interessado estar na praia e um tipo estar a ‘tirar a medida’ ao meu calção de banho. Ou pior ainda, o empregado ser do mesmo partido do patrão que concorda com despedimentos sem justa causa.

  10. O sentido de comunidade deve ser tão antigo quanto o primeiro humano a pisar o planeta. Tal como é normal as comunidades serem grupos em que os participantes têm características comuns. A raça, a religião, o escalão etário, o estatuto social, as ideias políticas.
    Na sociedade moderna criou-se uma ideia de que por um lado somos todos diferentes, logo não faz sentido pertencer a um grupo, mas a realidade teima em atropelar os ideais dos sociólogos.

    1. O que é isso ‘raça?’
      Curioso fui ver ao dicionário e li:
      – Categoria conceptual sem fundamentos científicos com que se pretende classificar os grupos humanos segundo características físicas hereditárias, tais como a cor da pele e o tipo de cabelo.
      Há anos que faz parte do grupo de amigos a irlandesa Aine McAneny, radicada em Portugal desde criança, de pele muito branca, de cara sardenta, olhos azuis e cabelo ruivo, e nunca ninguém lhe perguntou se era de raça celta, quanto muito em pequena chamam-lhe cenourinha. Fazem parte deste grupo de humanos, homens e mulheres, que varia em idade, profissão, lisboetas das avenidas novas, algarvios e uma ribatejana, e por acaso somos todos (até ver) sem “desvios” sexuais.

      1. Afinal não há raça. Finalmente podemos tirar o racismo do léxico comum e judicial. Já era tempo.
        (qual dicionário?)

  11. é a ideologia comunitarista. Em muitos casos é mera ignorãncia preguiçosa. Noutra é a importação, buy american … De facto é uma importação intelectual via uns campi que são queirozianos, num apreço pela “América” similar ao então tido pela Paris de Victor Hugo e Gambetta

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