


Uma imagem faz toda a diferença. Aconteceu na cobertura da campanha eleitoral para a segunda volta das presidenciais em França – o mais importante escrutínio do ano na Europa – quando a candidata da direita radical, Marine Le Pen, visitava uma comunidade rural no norte do país. Um camponês foi ter com ela e desabafou: «Não há franceses a quererem trabalhar nos nossos matadouros. Têm de ser os brasileiros que vêm de Portugal.»
A repórter da RTP, Rosário Salgueiro, estava lá e destacou o facto. Fez bem. Ao invés de outros enviados, que trocavam a reportagem pelo comentário político, ocupando grande parte do tempo a partilharem connosco aquilo que pensam da política francesa em vez de nos mostrarem o que ia acontecendo.
À medida que prosseguia a contagem decrescente para a eleição, alguns canais portugueses dramatizavam. A estação pública, há que salientar, funcionou como modelo de sobriedade. «Tudo aponta para uma vitória de Macron», disse dias antes o correspondente da RTP em Paris, José Manuel Rosendo. Com clareza e concisão, sem uma palavra a mais.
Na concorrência, a situação era descrita em tom diferente. «Há um descontentamento muito grande em relação a Macron», assegurava o enviado da TVI. «É um presidente das elites, um presidente dos ricos. Esta ideia não se apaga, dificilmente se apagará», garantia o enviado da SIC, por sinal o próprio director da estação. Em peças muito editorializadas, com a componente opinativa galgando terreno à informação.
O correspondente da SIC em Paris, editorializando ainda mais, dizia-nos já depois de contados os votos que «destas eleições presidenciais sai um grande sinal de alarme». Porque a França é hoje «um país profundamente dividido».
Ninguém diria, analisando este desfecho nas urnas em contexto histórico. Há 20 anos que um Presidente francês não era reeleito. Macron acaba de vencer a sua oponente por 18 pontos percentuais (59%-41%). E obteve maior percentagem que o mítico presidente Charles de Gaulle na única vez em que se submeteu ao sufrágio universal (recolheu 55% dos votos em 1965, derrotando François Mitterrand).
Profundamente dividido estava o país de Jean-Paul Sartre e Raymond Aron nas presidenciais de 1974, quando Giscard d’Eistang venceu Mitterrand por uma unha negra (51%-49%). Ou, sete anos depois, quando as posições entre ambos se inverteram: o socialista derrotou o liberal por 52%-48%. O que diriam os nossos repórteres se nessa altura já existissem SIC e TVI?
Macron, suposto representante das elites, saiu vencedor folgado: a classe média confiou nele. Surpresa? Só para alguns enviados especiais. Num país que em 2021 registou um crescimento económico de 7%, tem a idade de reforma mais baixa do continente europeu e apresenta o menor índice de desemprego jovem das últimas quatro décadas, outra coisa não seria de esperar.
Isto explica afinal por que motivo só lá se encontram brasileiros a trabalhar nos matadouros. É um dos muitos ofícios em que nenhum francês está hoje disposto a desperdiçar tempo e calorias.
Texto publicado no semanário Novo.

Eu o que gostaria e saber é porque é que são brasileiros que trabalham nos matadouros (e não imigrantes de outra proveniência qualquer) e porque é que esses brasileiros supostamente vêem de Portugal – e não diretamente do Brasil.
Será que os brasileiros que querem trabalhar no centro da Europa têm primeiro que fazer um estágio em Portugal? Podem entrar em Portugal, mas não podem entrar diretamente em França vindos do Brasil?
Estas e outras questões da imigração deixam-me perplexos.
Porque ao beneficiarem da dupla-nacionalidade, ou terem passaporte “português”, são considerados “cidadão da união europeia”.
Sim, mas um brasileiro, para obter passaporte português, precisa primeiro de emigrar para Portugal. E precisa de permanecer em Portugal seis anos a trabalhar antes de poder obter o passaporte português.
Eu pergunto, se o objetivo final do brasileiro é trabalhar em França, então porque não emigra ele diretamente para França? Para que precisa ele de vir para Portugal primeiro? França não o deixa lá entrar para trabalhar lá? Se França não deixa, porque é que Portugal deixa? Porque há de Portugal permitir que brasileiros venham para cá, e França não há de permitir o mesmo?
Se há jogadores de futebol brasileiros que são diretamente contratados por clubes franceses, e que emigram diretamente do Brasil para França – sem passarem primeiramente por Portugal, e sem terem passaporte europeu -, porque é que um trabalhador brasileiro não há de poder ser contratado diretamente por um matadouro francês e ir para França sem ter passado primeiro por Portugal? E se, por outro lado, ele não pode ir para França, então porque é que pode vir para Portugal?
“AS APARÊNCIAS ILUDEM…”
1 – Seja como for, na imagem é o que vemos e lemos: “São os brasileiros que vêm de Portugal”.
2 – Se entram pela “porta do cavalo”, ou através de um “envelope por debaixo da mesa”, talvez nunca venhamos a saber. Mas que a imagem está neste Post, está.
3 – Estes mistérios insondáveis… E estas “aparências que iludem”… Talvez sejam como as declarações de Lavrov sobre Zelensky, de que a ascendência judaica não impede alguém de ser “nazi”.
4 – Passo a citar (da entrevista à TV italiana): “Ele [Zelensky] apresenta um argumento: «que tipo de nazismo eles podem ter se ele é judeu?». Posso estar errado, mas Hitler também tinha sangue judeu. Não significa absolutamente nada. O povo judeu sábio diz que os antissemitas mais fervorosos geralmente são judeus”.
5 – Caiu-lhe o carmo e a trindade em cima! Anda tudo desvairado, do lado ucraniano e israelita, com estas declarações. Mas o que é um facto, é o líder do «batalhão Azov» das forças armadas ucranianas declarar (passo a citar): “O objetivo dos ucranianos é a supremacia da raça branca, e acabar com as raças inferiores lideradas pelos judeus”.
6 – Também dizem que não há bruxas, porém, permitam as seguintes 3 perguntas:
6.1 – O pai de Hitler não era filho de Maria Anna Schicklgruber, resultante da ligação ilegítima com Salomon Anselm Rothschild?
6.2 – Em agosto de 2010, Jean-Paul Mulders, na revista belga “Knack” (e depois no jornal estadudinense “Daily Mail”) não publicaram o estudo que confirma que o DNA de Hitler pertence ao “Haplogroup E1b1b”, que prova a ascendência judaica?
6.3 – Um dia antes das eleições presidenciais alemãs de 1932, Englebert Dollfuss (futuro chanceler austríaco), para prejudicar a eleição de Hitler, não patrocinou a publicação do artigo intitulado: “Heil Schicklgruber!” (referindo-se ao nome alterado do pai de Hitler)?
Se têm dupla então são Portugueses, aonde está a duvída.
de Portugal socialista fogem: portugueses, brasileiros, ucranianos.
ficam os que em tempos idos se chamavam pretos e ciganos
Uma imagem faz toda a diferença mas também esconde toda a diferença. Mais de 80% dos votos de Le Pen foram nela e nas suas ideias (na realidade todos menos os 20% dos eleitores de Mélenchon que terão votado contra Macron) enquanto mais de metade dos votos de Macron foram contra Le Pen.
Quer isto dizer que Macron que, tendo uma maioria muito mais expressiva que a actual, não conseguiu impor a sua agenda e teve de recuar diante dos coletes amarelos vai governar num cenário crítico quer nacional com o desiquilíbrio das contas públicas quer internacional com as tensões que o rearmamento alemão irá gerar, dispondo de uma base social de apoio relativamente pequena.
Aguardo com curiosidade as próximas eleições legislativas.
As “ideias” de Madame Le Pen?
Quais ideias? As de 2017, em que afirmava querer dizer adeus à UE, renunciar ao euro e abandonar a estrutura militar da NATO, ou as “ideias” de 2022, em que guardou tudo isto na gaveta?
A Europa nem tem produção alimentar suficiente – creio que a única excepção nacional é a França – não tem nem vai ter tão depressa energia suficiente e, sobretudo, não tem os minerais e terras raras sem os quais não há modernidade tecnológica nem futuro verde.
Queira-se ou não, goste-se ou não, a única possibilidade de sobrevivência da Europa, reside na Rússia, único país europeu – sendo é certo euro-asiático – que tem excedentes energéticos, alimentares e minerais, de que a Sibéria é o maior reservatório mundial.
Por isso vença-se a Rússia na Ucrânia, preferencialmente substitua-se Putín por um opositor e não um seguidor mas, resolvido isso, a Europa terá de se aproximar da Rússia, com ou sem NATO.
Exactamente como diz Marine Le Pen.
Há alternativa? Há. Dar as boas vindas ao nuclear, reconciliarmo-nos com o carvão, desistir dos desenvolvimentos do 5G e alargarmos o conceito de eutanásia, pois não vai ser possível sustentar o envelhecimento demográfico.
P.S. – Espero que o Pedro Correia não esteja a propor uma cerca sanitária para 41,46% dos eleitores franceses.
Bem no alvo, bem metido.
Alguns andaram dias, semanas, a dizer-nos que tudo estava tão renhido, tão incerto, tão virtualmente “empatado”. Acenando com o medo, sempre o medo, a propósito do fantasma quase triunfante da extrema-direita e dos seus gnomos de colete amarelo.
Contados os votos, e verificando-se que nada disso sucedia, volta outra vez o cenário do medo, sempre o medo. Desta vez acenando-se com o cenário da ingovernabilidade do país “partido ao meio”, da “revolta popular” contra as “elites”, patati patatá.
Nunca explicam por que raio haverá tanta revolta num país que acaba de reconduzir Macron com quase 20 pontos percentuais de diferença sobre a sua antagonista. Mistério…
Um país que tem o menor número de horas de trabalho na Europa, a maior percentagem europeia de despesa pública em apoios sociais, uma das maiores taxas de crescimento económico e uma das mais baixas percentagens de desempregados.
Um país que regista o menor número de desempregados jovens dos últimos 40 anos, uma taxa de pobreza quase residual (8%, inferior à da Holanda ou da Noruega), a mais baixa idade de reforma do continente europeu e uma das maiores esperanças de vida a nível mundial: 82,9 anos.
Caramba, podem protestar. Mas protestam de pança cheia.
Por todo o lado a informação é interpretada e comentada.
Do ridículo de ouvido um entrevistado, lhe repetirem o discurso numa tímida introdução a que sempre o jornalista tem algo que dizer, até à pergunta que é toda uma opinião a dever ser comentada.
1 – Mas aqui em Portugal não acontece o mesmo?
2 – E no Bangladesh, e em dezenas de outros países, para onde as “grandes empresas” se deslocalizaram, para que os cidadãos/ãs dos seus países e das classes sociais mais abastadas não façam essas “tarefas”?
3 – Aqui, aos brasileiros, somam-se aos milhares de outros de mais de 40 nacionalidades diferentes.
4 – São eles que vivem, trabalham, reproduzem-se, afirmam-se, e executam muitas tarefas que a “mentalidade europeia ocidental” se recusa fazer.
5 – A “mentalidade europeia” (o purismo dessa pseudo-raça Ocidental) criou muitas sensibilidades e atitudes… Uma das quais, neste caso do Post, é “não matar animais”. Logo, é-lhes impossível um trabalho num “matador de animais”…
Etc.