
Kofi Annan acaba de morrer. Este seu curto discurso de 2006 é uma bela peça, até um verdadeiro legado, diplomática que seja, melhor do que os obituários. E crucial hoje, na era trumpiana.

Kofi Annan acaba de morrer. Este seu curto discurso de 2006 é uma bela peça, até um verdadeiro legado, diplomática que seja, melhor do que os obituários. E crucial hoje, na era trumpiana.
Jpt, polemizando, há quem se recorde da “responsabilidade” de Kofi no massacre do Ruanda.
KOFI ANNAN, the Secretary General of the United Nations, knew weeks in advance about plans for the genocide of the minority Tutsis in Rwanda in 1994 but told UN military personnel in the country not to take any action, according to a press report to be published here today.
https://www.google.pt/amp/s/www.independ ent.co.uk/news/un-chief-knew-rwanda-geno cide-was-on-the-way-1161453.html%3famp
Peço desculpa por me intrometer, mas os Capacetes Azuis, além de dependerem dos estados membros e não serem autónomos, estavam nessa época a braços com a Bósnia e com a Somália (e provavelmente com mais alguns pontos do globo, porque nunca há apenas dois conflitos…).
Além disso, os Hutus foram armados por franceses e norte-americanos, tudo gente boa que no Conselho de Segurança decide que guerras se apoiam e quais devem terminar.
Entre acusações e defesas, a ideia com que fiquei foi de que pouco poderia ser feito para evitar o massacre a não ser uma invasão em força do Ruanda por parte das forças de segurança da ONU – e isso não dependia de Annan, além dos problemas de direito internacional que levantaria por falta de provas. É que Annan não era Bush nem Blair.
Hoje fiquei a saber que Annan solicitou durante meses um contingente reforçado para intervir no Ruanda – ainda antes do início do massacre.
O resultado conhecemos.
A responsabilidade de Kofi Annan foi a de ter gerido um organismo que dá a cara pela boa vontade mas não tem autonomia que não para dizer obrigado.