Martine Le Pen é criticada, e com razão, por ser defensora de ideias proto-totalitárias, presumível adversária da democracia liberal e suposta arauta de severas restrições à liberdade de expressão.
Ora os liberalíssimos mentores daquela coisa chamada Web Summit, que a tinham convidado a palestrar na edição deste ano e logo receberam críticas dos censores de turno, sempre prontos a soltar prantos de indignação nas redes, apressaram-se a desconvidá-la. Perdendo assim uma excelente oportunidade de demonstrar de viva voz, à dita senhora e a cada um de nós, a superioridade da democracia liberal em vigor no espaço comunitário europeu, que permite e fomenta o salutar confronto de ideias.
Ao cultivarem o pensamento unidimensional, fechando a porta a quem contesta as sociedades abertas, exibem assim um comportamento similar àquele de que acusam a antiga candidata presidencial francesa. E acabam por lhe dar um inesperado trunfo.
Weburrice, portanto. Passe o neologismo de ocasião, que visa afinal algo quase tão velho como o mundo.

Sou contra o desconvite de Marie Le Pen. Contudo não percebi, nem percebo porque raio Le Pen foi convidada, excepto como uma estratégia pura e simples de marketing. Fazer ruído para ser ouvido. Mas necessitará ainda a Websummit de fazer ruído?
Pela mesma lógica que levou ao convite a Nigel Farage no ano passado: s/nigel-farage-o-brexit-nao-teria-aconte cido-sem-as-redes-sociais-230450
https://jornaleconomico.sapo.pt/noticia
A diferença é que há um ano não houve gritaria histérica nas redes apelando ao silenciamento do britânico, ao contrário do que agora sucedeu relativamente à francesa.
Contudo a vinda de Le Pen mereceu maior destaque pelos “media”
Machismo dos ‘media’, que aparece logo mal se raspa o verniz.
A Senhora Le Pen participa no sistema democrático do seu país.
Desde logo é uma enorme falta de respeito para com a França recusar dar voz numa organização que se reclama da liberdade de expressão sem tesourinha da censura prévia.
Aplicado o mesmo critério a muitos que convivem bem com sistemas de pensamento único a quantos teriam que ser cosida a boca.
O mais absurdo é impedi-la de falar em nome da defesa do supremo valor que é a liberdade de expressão.
Isto anda tudo trocado.
A esquerda não gosta de debates abertos, não se vá dar o caso de alguém perceber o que é a esquerda.
Só mostram a fraqueza dos seus argumentos – os da Le Pen são tão facilmente desmontáveis que só tótós de aviário poderão ter receio do que ela diz. Ou seja, o BE.
Não sei o que é a “esquerda”.
Os antigos eleitores comunistas que votaram Marine Le Pen em 2017 são de direita?
Provavelmente. Quer a esquerda quer a direita, no limite, advogam políticas semelhantes. No fundo pertence tudo ao Estado e o Estado manda em tudo.
Creio que é por isso que não a deixam falar, algum incauto podia pensar que estava a ouvir uma delegada do PCP.
Sou visceralmente alérgico a todos os extremismos e todos os fanatismos. Tenham o rótulo que tiverem.
Mas – no estrito domínio da expressão de ideias – uma democracia liberal só se realiza plenamente, enquanto tal, se der voz até aos seus mais fervorosos inimigos.
100% de acordo. Fanáticos políticos, religiosos, futebolísticos, ecologistas, são de evitar.
A nossa democracia só dá voz a uma parte dos seus fervorosos inimigos, acho mesmo que a outra parte é constitucionalmente não permitida. Porquê?
Confunde sistematicamente censura com desagrado.
Se Marine Le Pen foi proibida de falar houve censura, o que é errado. Se foi desconvidada por quem a convidou o caso é diferente.
A Web Summit, pelos vistos, tem toda a legitimidade para convidar a senhora mas não tem legitimidade para mudar de opinião.
Também Marine Le Pen tem todo o direito de propagandear as suas ideias, mesmo erradas,mas ninguém tem o direito de dizer que as suas ideias não merecem ser sancionadas por alguém.
Fazem-me sempre confusão as pessoas que clamam pela falta de democracia que não lhes deixa ser anti-democráticos.
Marine Le Pen a exigir tratamento igual para todos é uma novidade.
Já me esquecia que vivemos no tempo dos eufemismos. s/nigel-farage-o-brexit-nao-teria-aconte cido-sem-as-redes-sociais-230450
Agora não existe censura, que é coisa feia.
Agora “desconvida-se”.
Caso para perguntar o que terá Le Pen de pior do que Farage, ilustre convidado da mesmíssima organização vai fazer um ano.
https://jornaleconomico.sapo.pt/noticia
deixe-me responder…
a diferença é o som.
le pen aciona alergias em maior número de pessoas; é um nome que já alcançou estatuto pavloviano.
para o outro, é preciso fazer mais cliques para se perceber quem é, o que, como sabemos, dá uma trabalheira.
Claro que existe censura, mas expressar opiniões diferentes doutra pessoa não é censura. Parece que quem diga que o discurso racista e censório não deve ser promovido é um censor. Já o discurso racista em si é sagrado, em nome da liberdade de expressão.
Marine Le Pen foi convidada pela Web Summit. Quem convida tem o direito de cancelar o convite. Não é um direito adquirido de Le Pen falar onde lhe apetece. Nem é obrigação de ninguém convidá-la.
Dar a palavra a racistas não é o mesmo que dá-la a não racistas. A menos que pensemos que ser racista é uma questão de opinião.Uns pensam que os árabes e os pretos são bestas, outros pensam que não, mas são tudo opiniões legítimas.
Quanto a apelar para as regras democráticas para defender a anti-democracia não revela muita coerência.
Para todos os efeitos, foi um acto censório.
Perde-se uma excelente oportunidade de fazer pedagogia democrática calando alguém por alegadamente querer silenciar vozes discordantes. Ou seja: ficando, de algum modo, no plano equivalente daquela pessoa que se pretende combater no plano das ideias.
Weburrice.
A pedagogia democrática que tenho visto, sobretudo da nossa direita resume-se em dois aspectos:
Marine Le Pen vem divulgar um discurso xenófobo e racista:
Tudo bem, tem direito à sua opinião, que consideram tão legítima como qualquer outra (no fundo são as ideias que a nossa direita gostaria de promover, mas falta-lhe a coragem).
As redes sociais dizem que Marine Le Pen não deve ter uma tribuna, para mais sancionada pelo Estado:
Intolerável censura, essa opinião nunca deve ser expressa.
Como amostra democrática da nossa direita estamos conversados.
As pessoas devem ser livres de dizer o que bem entenderem. As pessoas devem também ter o Direito de não quererem ouvir. Os discursos racistas devem desaparecer não por decreto, mas sim por inexistência de “Mercado” para tais ideais. E a melhor forma de não haver Mercado para tais idiotices é deixá-los livremente gritar. É um Produto enjoativo
Extrema Esquerda = Extrema Direita
A única diferença: uns dizem que não são, os outros assumem o que são.
Que se danem, uns e outros.
Mas jamais defenderei o silenciamento de um PNR ou de um MRPP, por exemplo, enquanto emissores de opiniões políticas no espaço público.
Acho que vou auto-censurar-me de recordar aqui a frase imortal do Arnaldo…
x2
O que é certo é que quanto mais as esquerdas burguesas colonizam o Estado e a sociedade e o que se pode dizer sobre isso mais a Direita acolhe os valores democráticos e se volta ao princípio de tudo: de que as democracias modernas são uma invenção do Liberalismo Clássico e só conseguem sobreviver no seu perímetro. Para lá disso é tudo tretas. E pulhas que vivem daquilo.
Estes fósseis estagnados sentenciariam engano de Aristóteles não o deixando mostrar a Terra redonda.