
Ayrton Senna da Silva
Foto Por Instituto Ayrton Senna – Ayrton Senna 8.jpgFlickr, CC BY 2.0
Abro uma excepção nos “handsome vivos”, porque faz hoje 28 anos sobre a morte trágica de Ayrton Senna. E porque vi recentemente, e pela primeira vez, o filme-documentário de Asif Kapadia sobre a carreira daquele por muitos apontado como o melhor condutor de Fórmula 1 de todos os tempos.
Este filme foi, para mim, uma verdadeira viagem no tempo. Um tempo, em que eu não perdia uma transmissão televisiva de um Grande Prémio, mesmo que isso significasse fazer uma directa (vários Campeonatos do Mundo foram decididos no Japão, começando as corridas pelas 4 horas da madrugada). Um tempo, em que quase esquecemos a existência do futebol, com discussões acaloradas entre os fãs de Senna e de Prost, pondo mesmo em causa certas amizades. Um tempo, em que eu passava parte do ano a poupar dinheiro (vivia em Vila nova de Gaia), a fim de poder assistir ao vivo às corridas no autódromo do Estoril.

A partir de 1 de Maio de 1994, a Fórmula 1 deixou de existir para mim. Enterrei tudo, com o funeral de Senna. A visualização deste filme arrancou em mim recordações e emoções com uma intensidade inesperada. As imagens dos bastidores, que não conhecia, além de elucidativas, fascinaram-me, como se tivesse regressado aos vinte e poucos anos, quando tantas vezes desejava saber o que se passava por trás das corridas.
O filme mostra-nos um Senna forte e frágil, ao mesmo tempo, obcecado com as vitórias, porque ciente do seu talento. E assim sentimos a sua amargura ao ser injustiçado, em certas ocasiões, devido à amizade entre Alain Prost e Jean-Marie Balestre, presidente da FIA até 1991. As emoções, em Senna, transbordavam para além dele e infectavam-nos, o segredo da fascinação que ele provocava em nós, os seus fãs.
Handsome forever!

Handsome forever, sim, Cristina.
O Ayrton Senna era sócio do CFB, o meu clube, Os Belenenses, e foi uma festa quando visitou o Estádio do Restelo.
Já agora, feliz Dia da Mãe, Dulce! Espero que esteja melhor.
Obrigada Cristina! Creio que estamos a fazer progressos em alguns pontos (febres e dores), outros como o paladar e o olfacto continuam alhures, mas o cansaço extremo é o pior. Estamos animados e isso é importante.
idolatria patética brasileira dos pobres de espírito
Existe, sim senhor. Fazem o mesmo com o Caetano. E com África. Também nunca percebi esta atracção tropicalista que apenas glorifica batoteiros e aldrabices. Deve ser uma atracção pelo exótico mas é um exótico renascentista que já não faz sentido nenhum.
Além de que chega a coisas como a TAP que só existe para servir o Brasil mas é paga por nós, não sei quantos mil milhões por ano deitados à rua. Voos directos para o sul do Brasil, para o interior do Brasil… é inconcebível esta subserviência. Eles nunca fariam isso por nós. Até o famigerado acordo ortográfico foi desenhado para os servir, ninguém se importando com a destruição da nossa língua de séculos.
Se os senhores repararem bem, o texto diz «por muitos apontado como o melhor condutor de Fórmula 1 de todos os tempos». Ou seja: 1 – trata-se da opinião de muitos, não de todos; 2 – não me pronunciei sobre isso.
O meu Pai costumava seguir a Fórmula 1 para ver o Senna; tal como a Cristina, a corrida de 1 de Maio de 1994 foi a última que ele viu; 28 anos depois e nunca voltou a ligar à Fórmula 1.
Eu era miúdo, via algumas corridas com ele (era o que havia na televisão). Mas também nunca mais liguei à coisa. Foi algo que simplesmente deixou de se ver em casa.
O meu pai tinha falecido no 24 de Abril anterior. Teria tido um desgosto tremendo, porque como para vós, para o meu pai a F1 era o Senna.
Gosto de caixas de comentários assim, com histórias da vida. Obrigada por mais esta achega, Dulce.
Há, sem dúvida, um antes e um depois de Senna, na Fórmula 1. As corridas nunca mais foram as mesmas. Houve e há com certeza pilotos mais eficientes. Mas em Senna misturava-se muita emoção, era isso que nos atraía nele.
Foi também o Adriano Cerqueira e o Domingos Piedade que, na sua adoração pelo piloto (no lugar da isenção que deviam ter tido) criaram uma falange de apoio nas hostes portuguesas. Os jornalistas ainda hoje costumam fazer isso com o Benfica, com os ciclistas sul-americanos. Agora fazem isso com o piloto de F1 inglês, apenas porque é de origem africana. Enfim, é a escola da RTP.
Por acaso sempre gostei mais de Prost e do Nikki Lauda e de outros que nunca ganharam nada. O Senna fazia algumas batotices que ninguém queria ver, como atirar o carro para cima dos que o tentavam ultrapassar e depois da corrida ia lá bater-lhes, como fazia o Nelson Piquet. Não obstante fazia grandes corridas, como aquela que fez debaixo de uma chuva torrencial e que lhe garantiu um campeonato, se não estou equivocado. Em todo o caso, deixei de ver F1 nessa altura, porque era evidente que o clubismo e o partidarismo estavam a estragar um desporto. Não é só a F1. Na verdade, acho que o desporto desperta más atitudes nas pessoas e agora basicamente deploro futebóis e todo o tipo de desporto que possa ser adoptado em grupo pelo público.
Resta o pingue-pongue, a que ninguém liga. Ainda bem.
Não estou a dizer isto só para chatear, é a minha opinião.
Na verdade, alguém interessado na história do desporto na TV devia estudar estas coisas: a falta de isenção. E neste caso, poderiam ir verificar se Domingos Piedade não era um RP de alguma marca, com interesses específicos. Sabe-se que trabalhava para algumas marcas alemãs. Ele não era jornalista, era um insider cuja “partidarite” criava até algum incómodo em Adriano Cerqueira, que não dizia nada porque nestas coisas, e sobretudo tendo em conta que se tratava de uma simpatia tropical/colonial, e estava na RTP, temos de fingir em público que somos gajos porreiros e aturar as coisas que se conformam com a psique do regime.
Não há muito gente esperta e corajosa por cá, se não esse estudo sobre a falta de categoria de muitos jornalistas desportivos e essa opressão do tropicalmente correcto (inventei agora), já estaria feito.
Sim o Adriano Cerqueira era ok, O Domingos Piedade era parcial ( e foi director da AMG) não era mau porque estava por dentro das coisas e ainda deixava alguma informação que os outros não sabiam, José Miguel Barros era talvez o mais isento. O pior de todos era o José Pinto, fazia jornalismo F1 como se fosse uma revista de famosos onde Senna era sempre a diva. E a falta de atenção ao que se passava na pista – a única maneira de explicar os erros – era de bradar aos ceús, por vezes era melhor ter o som desligado.
Nelson Piquet bateu em Salazar no grande prémio da Alemanha em 1982 porque o tipo era um condutor de tratores que só fazia porcaria na pista. De resto não tenho conhecimento de bater em mais alguém. Nelson Piquet foi tricampeão do mundo a competir com três motores diferentes(Ford, BMW, Honda) na Brabham e na Williams contra grandes pilotos como Alan Jones, Carlos Reutemann, Niki Lauda, Pironi, Gil Vilneuve, Rene Arnoux , Alan Prost..etc. Foi também um mecânico e um grande acertador de carros e trouxe para a formula 1 várias inovações como por exemplo: o cobertor para aquecer os pneus que ainda hoje é utilizado.
Ayrton teve sempre um super carro a partir de 1988 e não tinha rivais tirando o Prost e um pouco de Mansel e apanhou uma altura em que os motores de formula 1 eram mais fiáveis (não partiam). Era sem dúvida um bom piloto, mas o melhor é altamente questionável. Mas as meninas e as senhoras como a Cristina Torrão apaixonaram-se por ele apenas por ter ganho a primeira corrida no Estoril a chuva( ganhou a corrida, mas não foi campeão nesse ano). Senna merece respeito como todos os outros pilotos e menos fanatismo perigoso de ser proclamado o melhor piloto de todos os tempos, apenas por ter morrido jovem. É preciso conhecer um pouco de História.
Eu também gostava do Nelson Piquet, era o meu preferido, antes de Senna, embora, nessa altura, ainda não seguisse a F1 em pormenor. Senna ganhou a corrida à chuva, a sua primeira vitória, com um Lotus, que era um carro bom, mas não era um supercarro. Foi na sua segunda época, ou seja, estava em início de carreira, tinha apenas 24 ou 25 anos. Como se vê, não teve sempre um supercarro, só foi campeão do mundo quando mudou para a McLaren, em 1988 (a vitória do Estoril remonta a 1985).
Sim, o Piquet introduziu o cobertor dos pneus, mas Senna também inovou, com um tubinho que lhe entrava no capacete e lhe permitia ingerir líquidos, durante a corrida. No início, riram-se dele, mas, passado pouco tempo, praticamente todos os pilotos adoptaram esse sistema, pois desidratavam muito durante as corridas. Era um sério problema na F1, não sei se ainda hoje é assim.
O que considera “fanatismo perigoso”? O facto de muita gente considerar Senna o melhor piloto de sempre é perigoso? Até parece que estamos a falar de terroristas!
«Mas as meninas e as senhoras como a Cristina Torrão apaixonaram-se por ele apenas por ter ganho a primeira corrida no Estoril a chuva» – qual é o problema de nos apaixonarmos por uma “estrela”? Não me diga que nunca se apaixonou por uma actriz, ou uma modelo, ou uma mulher famosa bonita, ou charmosa! Faz parte da vida, acontece a homens e mulheres. Usar um argumento desses contra uma mulher, para mostrar o seu desdenho e a presumível ignorância dela, é uma atitude muito machista.
Não me diga que nunca se apaixonou por uma actriz, ou uma modelo, ou uma mulher famosa bonita, ou charmosa! Faz parte da vida, acontece a homens e mulheres. Usar um argumento desses contra uma mulher, para mostrar o seu desdenho e a presumível ignorância dela, é uma atitude muito machista.
Não fiquei com a impressão de que o Anónimo do comentário anterior tenha dito isso com esse intuito sexista ou de presunção intelectual… precisamente porque todos temos paixonetas rápidas por actrizes e actores e vedetas e sei lá mais o quê
Além disso, podemos gostar de F1 sem ter de saber quem ganhou aonde, a cilindrada dos motores ou a largura dos parafusos no carro do Jackie Ickx.
É cada vez mais difícil de ser homem neste mundo de feministas que nos atacam sem dó nem piedade.
Oh, é daqueles que se fazem de vítima para ter miminhos? Não os recebe em casa?
Eu até fico atónito com o seu atrevimento. Está a ver como eu tenho razão e passado vinte e oito anos, Ayrton Senna ainda mexe com o coração das suas idólatras. Por falar em miminhos o V podia elucidar – nos a cerca da largura dos parafusos do carro do Jackie Ickx.
As feministas utilizam sempre o mesmo argumento: atiram logo com o machismo, esquecendo-se que o circo da formula 1 era completamente machista naqueles tempos e a mulher um mero acessório do paddock.
O que eu ponho em causa é a idolatria cega das raparigas daquele tempo pelo Senna que sonhavam mais com o piloto e o conceito de belo do que com as corridas propriamente ditas menosprezando os jovens de bicicleta e os que andavam de autocarro.
Ayrton era um bom piloto, destemido e um vencedor nato, porque beneficiou de vários factores:
Um super carro( Mclaren) e o motor Honda. Foi imbatível de 1988 até 1991 sem qualquer tipo de concorrência competitiva. Nelson Piquet nesse tempo(1988) foi para Lotus com um carro decrépito e o Mansel ficou na Williams com os famosos e horríveis motores Judd.
A luta era monocórdica com o Alan Prost e a emoção que a Cristina Torrão tanto vibrava devia de ser quando ele se atirava para cima do Prof. Prost.
Em 1992 a Williams de Mansell e depois de Prost (1993) que entretanto regressara para uma última época, recupera a hegemonia com o motor Renault e Senna fica nas couves como se costuma dizer. Mudando o piloto brasileiro em 1994 para Williams com o desfecho trágico conhecido por todos. A morte imortalizou Senna mas em vida foi levado ao colo pela imprensa, pelas moçoilas delirantes e pela falta de concorrência competitiva.
Sim era um excelente piloto, só que tirando um pouco de Prost e um poucoxinho de Mansel foi apenas um espelho na pista de si próprio.
Claro que não me esqueço de que o circo da F1 era (e deve ainda ser) machista (assim como o futebol, no fundo). Mas se fosse rejeitar tudo o que é machista, não tinha muito por onde escolher. Não sou fundamentalista. Vai-se aos poucos.
penso pior que isso
Sim há um antes e um depois de Senna: A canalhice na condução como mandar adversários para fora da pista. Schumacher aprendeu com ele.
Era um excelente piloto, mas o que deixou na F1 foi mau.
Serão os carros e a tecnologia que são mais eficientes.
Sim, o Senna era um homem bonito.
Aqui está um exemplo da idolatria do belo.
Ayrton Senna era bonito por isso era o melhor piloto. Logo, para a Senhora ou menina Kika o Niki Lauda era feio e um mau piloto. Nada mais absurdo! Mas era esta a mentalidade feminina das fãs de formula 1 com algumas exceções é claro, das menos materialistas e fantasiosas.
Obrigado
Deixe-se disso! Numa modalidade desportiva masculina, é natural que as mulheres apreciem a aparência dos “atletas”, além da sua eficácia ou competência. O contrário também acontece.
Gosta então de mulheres pouco fantasiosas? Que chata deve ser a sua vida
E não só, também tenta chatear os outros

Eu não me referi ao A. Senna como sendo o melhor piloto,
nem quem era o melhor.
Não seja invejoso. Só escrevi que o Senna era um homem bonito.
“o melhor condutor de Fórmula 1 de todos os tempos.”
Tenho sérias dúvidas que fosse, aliás na minha opinião não foi. Mas sim era um excelente piloto e um dos melhores. Agora concordo que a magia da formula um morre nessa altura com a saída( fim da carreira) de Niki Lauda em 1985, Nelson Piquet em 1991 de Nigel Mansel em 1992 de Alain Prost em 1993 e a morte prematura de Senna em 1994. Depois virei-me para a formula Indy onde ainda corria o Emerson Fittipaldi, e nunca mais quis saber da formula um, que se transformou num circo de vaidades e mentiras ainda maior do que nos seus tempos áureos.
A mais bonita ultrapassagem de sempre da formula um, dá a resposta ( entre outras razões) de quem foi para mim o melhor piloto de formula um da década de oitenta e um dos melhores de sempre.
Belos tempos!
Pedro Santos
Always handsome, claro que sim!!
Sem qualquer sombra de dúvida!
Perda muito injusta, no auge da juventude, da força desafiadora, da paixão e do talento.
A sua mística sobrevive, inteira!
com o seu desaparecimento desinteressei-me da F1
Também para mim a F1 morreu nesse dia. E também entrava pela noite dentro para assistir às corridas do outro lado do mundo. Não sei se o Senna era ou não o melhor piloto do mundo. E concordo que houve uma certa “fabricação” de imagem pelo Cerqueira e D. Piedade (tal como se fabricou a hegemonia do Benfica), mas foi um tempo em que o Senna era o “romântico” da pista, na sua luta contra todos os outros.
E por falar em F1; ainda há F1?
Senna um romântico da pista? Essa dá vontade rir ! Só se foi porque namorava com a Xuxa. A superioridade do seu bólide era tão superior, que nem valia a pena olhar para o retrovisor. Senna era um piloto entediante nas pistas, a sua vida cor de rosa era bem mais interessante.
Entediante nas pistas? Essa é boa! Pergunte ao Alain Prost, que tanto protestou contras as acções de Senna! Pode acusá-lo de tudo, até de ser um mau piloto. Mas… entediante?!
P.S. O Prost tinha o mesmo bólide.
Lembro-me da sua morte. Talvez seja mesmo a primeira morte que recordo de um famoso. E o abalo que foi.
Tinha 12 anos, à data.
Muito bem parecido.
Em termos de beleza humana e que ambos morreram dentro de automóveis, os imortais Ayrton de Senna e James Dean.
Desportivamente, só há um que é o expoente máximo em fair-play e respeito pelo adversário e pelo árbito, o snooker, tudo o resto é selva impenetrável.