Cresci noutros tempos. Sou um ouvinte de álbuns. Não faço playlists e raramente uso funções de escolha aleatória. Nos dias que correm, até rádio evito – excepto as estações noticiosas, numa tendência masoquista que mereceria análise psiquiátrica. Ainda assim, há álbuns que me são excessivos. É-me difícil ouvir algumas obras de fado de uma só vez, por exemplo. O excesso de fatalismo – e, embora contrariado, sou fatalista – incomoda-me.
Algo similar ocorre quando escuto a música de Márcia. Tomadas individualmente, acho as canções deste último álbum magníficas. Ouvidas em sequência, começam a cansar-me. Encontro-lhes uma faceta ligeiramente lamurienta que me força a uma pausa. O trabalho é óptimo: sólido, coerente, pleno de bom gosto. Mas ainda um dia gostava de ouvir Márcia arriscar um pouco mais. Arriscar um grito. Uma bofetada. Um gemido verdadeiramente raivoso.

Tenho gostado bastante desta série sobre os álbuns de 2015. E sobre a música da Márcia não podia estar mais de acordo.
Obrigado, Ana. Aproveitando a oportunidade: não é altura de escreveres mais qualquer coisa por aqui além de comentários?
Uma belíssima escolha.