O hino de Sampaio da Nóvoa.


Luís Menezes Leitão,

 

Hoje no Público Francisco Assis pôs o dedo na ferida. É absolutamente inconcebível que António Costa tenha apoiado um candidato completamente vazio como Sampaio da Nóvoa, e deixado à sua sorte uma candidata que já foi presidente do PS, e tem muito maior currículo político, como Maria de Belém. Porque o que a campanha está a demonstrar é que a máquina do PS está colada em torno de Sampaio da Nóvoa, enquanto que Maria de Belém foi deixada sozinha. A afirmação de que o PS não tem posição na primeira volta parece ser assim claramente desmentida pelos factos: o PS de Costa apoia vigorosamente Sampaio da Nóvoa e tudo está a fazer para que ele fique pelo menos à frente de Maria de Belém.

 

Isto não vai servir absolutamente para nada, uma vez que estou absolutamente convencido de que Marcelo Rebelo de Sousa vai ganhar as eleições à primeira volta por uma margem esmagadora. E, mesmo que por milagre isso não acontecesse, também ganharia com a maior facilidade uma hipotética segunda volta. É assim evidente, para bem de todos nós, que o ex-reitor irá fazer os seus discursos messiânicos para outra freguesia, que não a de Belém.

 

O problema, no entanto, reside na forma como o PS vai ficar depois deste seu apoio a Sampaio da Nóvoa. É que, se o PS conseguiu chegar ao governo da forma como chegou, e já arranjou os sarilhos que se conhecem, adivinho como é que ficará depois de uma campanha com o hino que aparece acima. Não é apenas o ridículo da letra e da música, com o teor evangélico que já se conhecia. Chocou-me especialmente o facto de os figurantes colocarem uma caraça com a cara do candidato, assumindo-se assim claramente como seguidores do Messias, com quem se identificam: “Sampaio da Nóvoa somos nós”. Tudo o resto é vazio: “palavras necessárias que saltam nas nossas mãos”, “palavras solidárias no bater do coração”, “palavras de aventura com gosto a sal”. Parole parole parole. É isto um discurso político de um candidato presidencial? Basta, por exemplo, olhar para a campanha de Marisa Matias para se ver como se pode fazer uma campanha de esquerda com muito mais credibilidade e consistência.

 

Esta campanha presidencial está cheia de candidatos folclóricos. Quem faça uma análise serena do discurso político de Sampaio da Nóvoa, chegará à conclusão de que ele é precisamente o mais folclórico de todos. Apesar disso, está ter um apoio de peso do PS que, diga-se de passagem, faria mais sentido que tivesse sido dirigido, por exemplo, a Tino de Rans, cujas ligações ao PS são muito mais antigas. Confesso que há muito tempo que para mim é um mistério o PS ter alinhado neste canto de sereia.

0 comentários em “O hino de Sampaio da Nóvoa.”

  1. Se o LML goza com o hino de Sampaio da Nóvoa, por que é que não goza também com os hinos de Henrique Neto e de Paulo de Morais? Eu já os ouvi e são bué de ridículos! Por que só goza com um dos hinos?

    Esta campanha presidencial está cheia de candidatos folclóricos.

    Quem são, para o LML, os candidatos folclóricos? Todos aqueles que são vazios de ideias e de conteúdo? É que eu diria que o candidato que LML favorece, isto é, Marcelo Rebelo de Sousa, é tão folclórico, neste sentido, quanto Sampaio da Nóvoa…

  2. Muito boa tarde. Concordo consigo quanto aos vazios, aos folclores, á vacuidade da campanha de Sampaio da Nóvoa. As outras campanhas são, a meu ver naturalmente, igualmente confrangedoras. Aliás, a esmagadora maioria dos meus concidadãos não sabem o que é a CRP, não conhecem as competências próprias do PR, nunca em 41 anos lhes ensinaram quase nada. Quanto à segunda volta, que julgo irá acontecer, discordo de si, Marcelo nunca a ganhará, será Sampaio da Nóvoa.
    Nunca na minha vida me coloquei na posição – eu é que estou com o passo certo – mas fazendo bem as continhas!!!!!, SN NOVO Presidente. Para mim, infelizmente!
    Cumprimentos.
    António Cabral

  3. Se tal como diz a máquina do PS está toda com Sampaio da Nóvoa e não em redor de Maria de Belém, ninguém mandou Maria de Belém candidatar-se quando o Novoa já se tinha candidatado, há muito. Assis não pôs o dedo na ferida, Assis quer ser ferida. Ele mostrou desde o inicio estar contra Costa, logo referir-se Assis que está em sentido oposto a Costa, não tem razão de ser, uma vez que o mesmo, tudo fez para desestabilizar o partido. Não há cantos de sereia, há pessoas válidas que já o mostraram ser, outros há que o que fizeram foi comentar em televisões sem que o partido, no qual sempre militou se lembrasse de o chamar a desempenhar funções, excepto em duas ocasiões, ocasiões essas, bastante fugazes.

  4. O drama acba por ser apenas um desaguisado ligeiro, porque -olhando a minha volta,me parece que os eleitores se estão marimbando para os novoas e tinos de belem.

  5. A música do Hino é tão fraca e tão inócua que, ao que conheço por aí, um dia destes ainda a vão cantar na Missa. E o texto, com umas modificaçõezinhas…Já ouvi bem pior e sei do que falo…
    E se o “somos nós” forem os qua cantam… bem o Sampaio da Nóvoa pode fazer as malas…

    1. Nem mais. Em Portugal quem quiser ganhar eleições é ir para a televisão, falar de tudo e de nada e está feito presidente. É quanto basta, todo o resto não importa, o que interessa é show.

  6. “Confesso que há muito tempo que para mim é um mistério o PS ter alinhado neste canto de sereia.”
    Parece-me bastante evidente que é mais uma afirmação da vertente bloquista do PS. (Como é que isto vai acabar, isso já são contas doutro rosário).

  7. “Confesso que há muito tempo que para mim é um mistério o PS ter alinhado neste canto de sereia.”
    Siga o avental.

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