Não sei se convosco se passa o mesmo. Deixei de ter paciência para ouvir qualquer frase que comece pela muleta verbal «eu acho que». Não há outra tão estafada e repetida até à náusea nos ecrãs televisivos.
Esta gente que está sempre a “achar” seja o que for errou a vocação. Em vez de exercer o comentário, devia dedicar-se à resolução de enigmas policiais. Se alguém se tornou especialista em achar alguma coisa, foram os detectives. Sherlock, Poirot, Maigret e Columbo: eis quatro célebres cultores do achismo em versão literal. Mas estes não se limitaram a mandar bitaites: encontraram mesmo o que tinha sido furtado ou estava oculto.

Pois, eu acho que este texto é o exemplo da arrogância!
Eu acho que… tu és incapaz de achar o teu nome. E perdeste o apelido.
“”Eu acho que” o Pedro tem razão.
Acho que… vou iniciar uma rubrica aqui no blogue com este título.
Eu acho que devias …
Eu acho que… vou fazer.
eu acho bem …
Um verdadeiro achado.
Eu cá acho que está carregado de razão, Pedro.
Eu acho que… fico grato por essa observação, Maria Dulce.
Eu acho que me irritam muito mais frases começadas com a bengala ‘É assim…’ e as que acabam em ponto final. Prefiro achismos às certezas absolutas em voga em cada momento.
O ‘eu acho’ pode ser tão só uma forma de respeito pelo interlocutor e um convite à opinião contrária.
Eu acho que… detesto ainda mais frases sem pontos finais. Cada vez mais frequentes, aliás. Incluindo no discurso oral. Há até comentadores encartados que se especializaram na TV a nunca pôr a porcaria dum ponto final numa frase. Nem sei como têm fôlego para encher tanto chouriço.
Não me referia a por ponto final ou não nas frases. Hábito que sempre tive. Mas a usar a expressão ‘ponto final’ para rematar uma conversa. Acho, aliás, uma má-criação.
Acho que isso… nem merece discussão. É uma grosseria de baixa intensidade, como tantas outras agora tão em voga.
detesto o “é assim”, que me parece (aliás, acho que) se espalhou por influência televisiva na primeira década de XXI. E impregna-se, raisparta, que já me apanhei a dizê-la … Já a do “ponto final parágrafo” estou em desacordo. Pode ser rude mas serve muito bem para calar patetas.
Incluindo asnónimos. Acho eu de que.
acho que sim, acho que sim …
Então é assim, eu acho que…….
Melhor é impossível.
O grave, caro jpt, é que sempre ouvi mais o ‘ponto final’ aos patetas do que aos que querem calar patetas.
E sim, estas coisas colam-se aos dedos e boca; não só já me apanhei a dizer ‘é assim…’ como não juro a pés juntos que nunca tenha dito ‘ponto final’. 🙂
Realmente é assombroso como os “comentadeiros” televisivos portugueses não creem em nada, mas acham muita coisa.
Eu acho que… é uma forma de se desresponsabilizarem pelas opiniões que emitem. Muito à portuguesa: nada de afirmações categóricas, tudo arredondado, com florzinha na lapela. O Presidente da República tornou-se especialista neste discurso oblíquo, nos últimos dias cada vez mais patente.
muito irritante, e pior é o “ouça” é o “na verdade”.
rui
Eu acho que essa bengala é muito menos frequente do que a outra, daí irritar-me muito menos.
e o “entende?”/”está a compreender?” … dá-me ânsias de genocídio
E o percebe… pronunciado “p’cebe” em lisboês.
Encanita-me (acho).
(E também acho a palavra “encanita-me” muito irritante…)
acho que o “p’ecebe” é ainda pior. Encanita-me até acho piada, prima da caganita
Percebes, só das outras. Sem apóstrofo. No prato, a puxar a bejeca (acho).
acho bem, acho muito bem,
Não entende o entende?
Pronto (ou prontos), deixe-me explicar-lhe.
Também há o “só uma coisa” e que afinal são umas duzentas
Tas a ver a coisa?
Outra bengala que vai medrando: “ao dia de hoje”. Quatro palavras para significar uma só: hoje.
Complicar o que é simples.
Um começa, outros logo imitam. De repente muitos (e muitas) passaram a falar deste modo pedante.
Parece tradução literal do “aujourd’hui” francês. Acho.
Recordo-me duma crónica de Vasco Pulido Valente, em que, por erro burocrático, um dossiê sobre a zona exclusiva de pescas foi enviado para apreciação a um agrónomo da zona agrária de Beja. O agrónomo percebeu que aquilo não era com ele e respondeu que não tinha as competências necessárias para analisar o dossiê. Mas, não podendo deixar, apesar de tudo, de tecer algumas considerações, anexou mais de 300 páginas das ditas considerações.
Se me perguntarem onde faz mais frio, em Saturno ou Neptuno, do alto da minha ignorância, vou achar que é num deles. Se me perguntarem onde fica a Rua da Eufosina provavelmente direi que nunca ouvi falar dessa rua, mas acho que deve ficar ali para os lados da igreja.
Por um lado é exasperante, por outro é cómico. Há uma recusa nacional em dizer não sei.
Cada um tem as suas aversões de estimação. Eu páro de ler um texto assim que aparece a “espuma dos dias”.
Eu acho que esta sua observação se candidata desde já a comentário da semana.
e eu que me farto de usar essa da “espuma dos dias” … acho que vou passar a falar do “gasóleo vertido” ou isso
Eu acho “espuma dos dias” excelente. Mais do que espuma na cerveja. (Acho que é expressão lapidada pelo Boris Vian.)
Pois, é Boris Vian … Quanto à espuma da cerveja acho bem, até demais
Espuma dos dias é uma expressão muito elegante, que me recorda um excelente filme – The Remains Of The Day. O problema é o excesso de uso. Banaliza-a. Retira-lhe todo o poder evocativo.
São modas. Já andou por aí a das “várias vertentes”, a do “elencar”.
Acho que o famigerado “novo paradigma” ainda anda aí, sem ter dado à sola.
Embora desconheça a origem, refere-se certamente ao mar. Como o mar está minado de microplásticos, talvez “os microplásticos dos dias” seja uma alternativa.
Está minado e mijado. Acho eu.
O António disse tudo ao dizer que cada um ‘tem as suas aversões de estimação’.
Acrescentar o quer que seja, é mania: cada um tem as suas.
Tenho aversão a que me caia um solitário e gelado pingo de chuva entre a gola da camisa e o pescoço. Ou a areia nas amêijoas. Coisas simples.
Eu acho pior um pingo de solda no canto do olho.
Não sei se aversão será a palavra adequada para pingos de solda no canto do olho. Acho que costelas partidas, dedos esmagados, queimaduras, fracturas expostas, estão num escalão diferente de areia na comida. Aversão, decerto, mas mais que isso. Receio, talvez. Talvez mesmo medo.
E como é que apanhou um pingo de solda no olho? Não me diga que estava a soldar por baixo sem ao menos uns óculos de protecção. Podia ter ficado cego.
Acho que a vida é feita de percalços: de um momento para o outro, quando menos se espera, aparece uma varejeira a boiar na sopa.
Há sopas capazes de atraír varejeiras, lá isso há.
E melgas também.
Got it.
Já vi que você não gosta do Marques Mendes o campeão do achismo.
Mas o problema é que ele não acha nada, o achismo dele deriva das achas que ele manda para a fogueira todos os domingos.
Eu acho que o fulanismo é, a seguir ao achismo, um dos maiores vícios nacionais. Como o seu comentário comprova (acho).
” Não se combate o achismo e o fulanismo com o bota-abaixismo e com o negativismo de quem quer dizer mal de tudo “.
Nem de propósito.
Graça Freitas. Apeteceu-me escrever este nome.
Acho que estou com saudades dela.
Coitada essa foi confinada à força.
O autor da frase está na Ericeira acho eu.
O Sherlock não praticava o achismo, mas sim o método dedutivo, que ao contrário do primeiro, assenta em métodos científicos. Daí que os achistas não sirvam para a função.
Agora preciso de achar as chaves de casa, não consigo deduzir onde as coloquei.
Eu acho que as tenho aqui. As minhas, que não lhe devem servir para nada.
Ainda se fossem as chaves do cofre do 44, aceitava de bom grado.
Eu acho que essas chaves estão na posse do fiel amigo.
Entre o acho que e notícias baseadas na forma verbal condicional, não sei o que será pior.
Abrir um noticiário com um “poderá acontecer” ou “pode ter sido isto que aconteceu” é…
Entre uma coisa e outra, acho que essa que menciona é pior.
Mas “acho que” não ocorre na informação, acho eu: ocorre na opinião.
Eu acho que você não é um anónimo como os outros… mas não tenho a certeza.
Eu acho que poderá até acontecer que um dia o anonimus ache o nome
Só acho que nada acho
(já dizia o filósofo)
Na minha actividade profissional o “acho que” (ou os derivados “pode ser disto” ou “penso que seja isto) é usado para ganhar tempo ou mandar embora gajos chatos, e assume-se como demonstração de ignorância e/ou falta de vontade.
Outra expressão trava-chatos é o “já agora”. O rei dos pleonasmos, como dizia aquele escritor célebre. Acho que era o Saramago.
Penso eu de que! O Pedro Correia é um verdadeiro achado, pois nunca acha nada.
Eu também acho que nunca acho. Se achasse que achava, abria uma agência de detectives.
O Achismo é a chinchada do pensamento. Mas se tirares o sorriso à questão verás que de achismo está a imprensa (rádio, tv disco e cassete pirata), que doutores achistas não faltam, e mui respeitados seguem, acho eu de que …
Eu acho que a Academia está cheia deles. De achistas (e também alguns graxistas, acho).
eu acho que a Academia achista está toda a achar na imprensa
Eu acho que a esta hora já se Academia alguma coisa.
Cambada de achatados!
Sem achismo perde-se a identidade de achar uma agulha num palheiro.
A melhor maneira de achar a agulha é procurar o dedal.
Este post é um achado.
Acho eu de que.
Antes achado que achatado. Diz o velho provérbio popular que acho que acabei de inventar.
Eu no outro dia achei um fio de ouro
Eu achei uma fava no bolo-rei. Antes de haver ASAE, acho.
Eu acho que as frases por “eu acho” são falsas.
Eu acho muito chato.
Já cocei mas acho que não passou.
Achado não é roubado!
Acho eu!!
Acho que é emprestadado.
Eu já não posso é com o “na minha humilde opinião”, antes ou depois de se debitar um conjunto de achismos nada humildes.
Outra expressão que tem vindo a alastrar como papoilas saltitantes é “com o devido respeito”. Não há cão nem gato que não abuse hoje dela. E ninguém a utiliza com ironia: é mesmo a sério. Acho eu.
Pá, tudo é irritante. O universo, a Bosta Antiquíssima e primitiva que está para lá e para cá dele e até aquela linha fininha que divide os dois.
Acho eu.
Acho que a bosta mais irritante é a bosta quadrada. Tipo quadratura do círculo.
Com tanto crítico literário se calhar é melhor eu passar a comentar em linguagem gestual 🖐🤌🤏👍.

Acho que faz muito bem.
Eu tenho um amigo que achou um pente! Infelizmente era careca…
Esta não tem pés — só tem cabeça
Pernas, tronco e membro, como dizia o outro. Acho.