A TVI que não houve, a TVI que há


Pedro Correia,

 

Marcelo Rebelo de Sousa, que a RTP não quis, regressou a um lugar onde já foi feliz: a sua tribuna dominical na TVI. E regressou em forma, como se pode perceber, acompanhado por mais de um milhão de telespectadores. Em tão boa forma que torna ainda mais inexplicável a guia de marcha que a Direcção de Informação da televisão pública lhe passou, sob o ridículo e capcioso pretexto de que António Vitorino pretendia abandonar o seu espaço de opinião e o “serviço público” de TV não pode contar só com o comentário de alguém do PSD. O pretexto é ridículo porque não faltariam socialistas prontos a preencher a vaga de Vitorino – na própria RTP N há vários. E é capcioso porque se estivesse realmente preocupada com o pluralismo a Direcção de Informação da RTP não devia contentar-se com um Marcelo socialista: seria também necessário haver um Marcelo comunista, um Marcelo bloquista e um Marcelo democrata-cristão.

Pretextos, só pretextos. O que interessava era calar Marcelo, repetindo-se – com uma dose consideravelmente superior de hipocrisia – o sucedido em 2004 na TVI que agora recebe o professor de volta.

São realmente sinuosas, as vias da “comunicação social” quando se cruzam com a política. Aqui está um tema que devia merecer uma reflexão actualizada de Pacheco Pereira. Mas duvido que ele tenha tempo para ver a TVI que há, tão ocupado anda com a comissão de inquérito à TVI que nunca houve.

 

Adenda: Registo, com natural satisfação, que Marcelo aproveitou o regresso ao comentário político semanal na televisão para defender sem rodeios a redução do número de deputados. Com argumentos nada distantes dos que exprimi aqui.

8 comentários em “A TVI que não houve, a TVI que há”

  1. “São realmente sinuosas, as vias da “comunicação social” quando se cruzam com a política.”

    realmente é verdade, nem sei o que dizer, especialmente sobre o Diário de Noticias, que não se cruzou com a politica mas sim fundiu-se com a politica e a propaganda do Partido Socialista…

    1. São também muito sinuosas as ligações entre alguns pseudónimos que entram nas caixas de comentários dos blogues mais lidos, como este, e conhecidos políticos da nossa praça. Você, em especial, poderia escrever uma tese sobre esse tema.

  2. Não gosto de MRS. Acho-lhe piada, o que é diferente. Mas isto de fazer a festa, atirar os foguetes e apanhar as canas pode divertir, mas não vai além disso. E, por vezes, há canas que caem onde não devem e fazem estragos. Além da poluição sonora, está bom de ver.

    1. Na RTP também não gostam dele, Maria do Sol. Tal como não gostavam dele na TVI, em 2004. Isto de ter mais de um milhão de espectadores por programa às vezes desagrada a quem manda nas televisões – quem diria?

        1. Nem para mim. Mas garanto-lhe que se fosse programador de televisão seria importante, a menos que contasse com o dinheiro dos contribuintes para pagar os ordenados ao fim do mês. E Marcelo – goste-se ou não dele – é unico. As imitações ficam a milhas de distância.

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